De: Ela [ela.marketing@empresa.com.br]

Enviada em: Terça-feira, 30 de julho de 2013 07:40

Para: Ele [ele.comercial@empresa.com.br

Assunto: Sobre ontem a noite

 

Bom dia, P…

Estou meio sem graça e ainda me recuperando daquela loucura de ontem.

Não é nenhum segredo a atração física que sempre rolou entre nós… desde que eu comecei a trabalhar aqui, sua presença sempre me causou arrepios e calor.

Não sei nada sobre a sua vida fora da empresa e não tenho a menor intenção de saber. O que existe entre nós, não é amor… é desejo.

Me controlo o máximo que posso, para que as pessoas não percebam… inclusive, nas reuniões que você senta ao meu lado e fica o tempo todo roçando o braço no meu e encostando a perna na minha, faço um esforço sobre-humano para disfarçar o rubor do meu rosto.

É incontrolável… você se aproxima e o meu corpo responde imediatamente… se chegamos muito perto um do outro e eu sinto o seu perfume, o meu coração acelera.

Mesmo sentindo tudo isso, sempre me mantive distante, afinal o meu comprometimento profissional é maior que qualquer affair no ambiente de trabalho.

Até ontem…

Nunca imaginei que você estivesse na empresa até aquela hora… já era tarde… e quando eu estava no meu andar esperando o elevador, mal pude acreditar em você lá dentro quando a porta se abriu… se você não trabalhasse no andar de cima, ia jurar que foi um encontro planejado.

Nos cumprimentamos como sempre e eu já sentindo que ficaria com as pernas trêmulas, evitei o seu olhar… mas eram 15 andares até a garagem e naquele espaço pequeno, era impossível não sentir o calor do seu corpo.

A tensão sexual que nos rondava naquele momento, era evidente… sensível até à câmera que nos observava. A gota d’água foi quando você respirou fundo… aquela típica respiração que escapa quando já não dominamos o desejo.

A partir daí, eu só pensava como seria estar nos seus braços.

Quando, finalmente, chegamos à garagem e a porta do elevador abriu… você, de forma ágil e sensual, pegou a minha mão e me puxou direto para a escada de incêndio… fechou a porta e naquela luz meio fraca, pude ver os seus olhos incendiando.

Me encostou na parede, jogou tudo que tínhamos nas mãos no chão e começou a me beijar… nos beijávamos desesperadamente, como se tivéssemos esperado a vida inteira por aquele momento.

Senti a sua boca deslizando para o meu pescoço e em seguida para o decote da minha blusa. Suas mãos desciam das minhas costas para a cintura e apertava o meu quadril.

Nunca vi alguém manipular botões de forma tão ágil… quando percebi, a minha blusa já estava, completamente, aberta.

Tirei a sua camisa o mais rápido que pude, imaginei mil vezes como seria encostar no seu peito nu e a hora tinha chegado. Quando vi a sua tatuagem, que eu nem imaginava que existia, fiquei ainda mais atraída pela sua pele… apertei os seus braços, senti a musculatura das suas costas, beijei e mordi levemente o seu pescoço…

Não nos dominávamos mais… quem ditava as regras era o desejo… perdemos o senso do perigo… não havia troca de frases ou palavras, não sei se pelo fato de serem dispensáveis ou por não termos força para falar.

Mas eu falei… precisava falar… e então encostei a boca no seu ouvido e disse: “quero você”.

Foi o suficiente para acender ainda mais o seu fogo…

E quando tudo começava a ir por um caminho delicioso e perigoso, ouvimos vozes e passos na garagem, vindo em nossa direção.

Assustados, trôpegos e quase inconscientes, nos afastamos e nos recompomos o mais rápido que conseguimos… combinamos que eu sairia primeiro e depois você… quando eu ia abrir a porta, você me puxou e me deu aquele último beijo…

Não sei como consegui chegar até em casa, mas fui direto para um banho gelado e depois tentei dormir… foi uma noite difícil!

Estou relatando tudo isso que você já sabe, para te fazer entender o quanto esse desejo me toma e o quanto esse encontro mexeu comigo.

Apesar de ter sido uma prévia maravilhosa, mesmo sem chegarmos ao ponto que queríamos, acho que isso não deve acontecer de novo.

Sei lá… e se eu me tornar uma viciada em seu corpo? Como vou conduzir a nossa relação profissional?

É… isso não pode acontecer de novo… ou talvez, sim… uma vez mais… em um lugar onde não haja interrupções e a gente possa concluir o que começou e…

Não, não, não… melhor não!

Vamos nos manter afastados! Por favor, evite me olhar daquele jeito que faz com que eu me sinta nua e não me direcione aquele seu sorriso sensual. Não chegue muito perto… é melhor para a nossa integridade física.

Então é isso… vamos esquecer, certo?

Você concorda comigo, não é? Tenho certeza que sim…

Vamos fazer de conta que aquele episódio da escada, nunca aconteceu… e se você conseguir esquecer, me ensine como!

Beijos

L.

(terminou o email com o mesmo frio na barriga que sentia todas as vezes que pensava ou encontrava com ele. ELA sabia que não conseguiria recusar uma nova investida dele. Enviou e voltou a se concentrar no trabalho… ou, pelo menos, tentou se concentrar e esquecer aquela boca, aqueles braços, aquelas mãos….)


 

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