De: Ela

Enviada em: Quarta-feira, 14 de agosto de 2013 20:31

Para: Ele

Assunto: Hora de decidir

 

P…

Você acabou de sair daqui da minha casa, acabamos de nos beijar e prometer que nos veremos, no máximo, daqui há dois dias. E tem sido assim… estamos sempre tentando deixar tudo programado e nos cercando de todos os cuidados possíveis.

Até quando?

Eu nunca achei que seria fácil, mas também nunca achei que a nossa história duraria tanto tempo. Sempre fugi de homens comprometidos… estar  com você não foi algo planejado… simplesmente, aconteceu!

E lá se vão dois anos em que nos dividimos, nos arriscamos, nos separamos, voltamos… mas acima de tudo, que nos entendemos. Nunca fomos aquele casal de amantes onde ele mente e ela finge que acredita… sempre fomos muito sinceros dentro do nosso universo paralelo. Fugimos aos padrões dos amantes comuns… nunca brigamos por não podermos passar festas de final de ano juntos… as minhas viagens eram programadas nessas datas, exatamente, para a sua ausência não me afetar.

Não tenho dúvidas do amor que você sente por mim e entendo a sua vida com filhos e um casamento sustentado, principalmente, por elos familiares. Nunca cobrei nada porque no fundo, essa situação sempre foi muito cômoda para mim… me permitia ser livre, independente e no momento da carência, ter  um homem carinhoso, inteligente e que sabe fazer tudo o que eu gosto.

Fico apenas com a sua parte boa… a sua alegria é minha, os meus espaços não são invadidos pelas suas roupas e objetos, o seu melhor sexo é meu e as melhores conversas também, afinal não temos questões de rotina para resolver.

Tudo isso parecia suficiente para mim… até a última loucura que fizemos.

A nossa viagem para o interior da França, foi a coisa mais maravilhosa que já me aconteceu. A adrenalina de embarcarmos juntos sem sermos vistos, a desculpa que você inventou sobre um congresso que nunca existiu e o nosso sorriso bobo por podermos andar de mãos dadas pelas ruas, em um lugar onde ninguém nos reconhecia. Foi mágico!

Então vem a parte mais curiosa… convivi com você por 15 dias seguidos… dormindo, acordando, conhecendo o seu humor matinal (ou a falta dele), vendo a bagunça que você fazia no armário, vendo você se barbear, nos compreendendo nos dias em que estávamos cansados demais de andar e sem disposição para qualquer outra ação que não fosse dormir… enfim, foram dias encantadores tendo você só pra mim.

Depois que voltamos compreendi o que estava acontecendo comigo… mesmo estando juntos durante todo esse tempo, nunca percebi que te amava. Sempre tive um sentimento grande, calmo e confortável em relação à você, mas nunca achei que fosse amor. Sabia que algo forte me impedia de te deixar, mas acreditava que era mais diversão que qualquer outra coisa.

Ouvia você me dizer “eu te amo” várias vezes, mas nunca senti vontade de retribuir a frase. E agora tenho necessidade de dizer… a todo momento!

Talvez você argumente que 15 dias juntos sem interrupção, não sejam suficientes para amar alguém… e é verdade. Eu não comecei a te amar na viagem… eu já te amava e não sabia… foi acontecendo aos poucos, sem que eu me desse conta.

Descobrir esse sentimento foi muito bom… parece que agora tudo tem mais sentido.

Começo a questionar o que antes não parecia tão importante… será que já não é hora de nos envolvermos de verdade?

Não somos feitos de meias palavras… somos inteiros, ainda que pela metade… a ideia de sermos completos, me parece feliz. Mas quero saber a sua vontade… não me poupe de nada ou tente agir de alguma forma que eu saiba que “não é você”.

Já é tempo de decidirmos para onde vamos…

Não quero medir a nossa história através de dias, horas, minutos… quero medir pela quantidade de vezes que você me faz sorrir, suspirar… pelos inúmeros momentos só nossos que são sempre tão especiais.

Mas antes da próxima estação, dos nossos aniversários, do Natal… antes do próximo pôr do sol, eu preciso saber o que você pensa.

Eu quero começar a escrever a nossa história em parágrafos e não em pequenos parênteses. Você também quer?

Beijos

L.

(ela sabia que seria difícil para ele, mas precisava daquela resposta)

 

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