Ontem eu estava doente (nada sério) e precisei ir ao hospital. Chegando lá, enquanto me consultava, o médico muito simpático e gentil, começou a falar sobre vários assuntos para me distrair e dentre eles, me contou uma história (que agora não vem ao caso), mas que me fez trazer esse tema para compartilhar com vocês. Vamos lá!

Como é mesmo o nome daquela coisa que faz você olhar a lua de forma melancólica, mesmo sem estar apaixonado?

Aquilo que faz você observar os casais se abraçando e sentir vontade de fazer o mesmo?

Sabe o nome? Eu sei! É carência!

Carência é foda! Quando ela começa a aparecer, é sinal que você vai fazer merda.

A pessoa que antes nem era uma opção, passa a ser uma alternativa considerável em uma noite solitária. A vontade de ter um amor pra chamar de seu, aumenta tanto que qualquer potencial convite para sair, acaba por se transformar em uma promessa de vida a dois.

A carência faz você enfiar os pés pelas mãos e a razão por água abaixo. É tanta necessidade de acalentar o corpo e a alma, que você vai se apegando e se apaixonando por qualquer criatura que apareça na sua frente com um discurso carinhoso.

Depois essa pessoa vai embora e você sofre como se estivesse perdendo o grande amor da sua vida, quando na verdade era só alguém em quem a carência projetou uma história.

Você não sofre pela pessoa, sofre pelos planos que perdeu. Sofre pela referência hipotética de ser feliz e não por, de fato, ter sido.

Sente falta, quer ter a companhia, mas não lembra que enquanto estão juntos, não conseguem sequer desenvolver uma conversa boa e madura. O sexo é aquela coisa morna, feito sem muita entrega, mas você acha que fez amor.

A carência faz você enxergar sentimento onde não existe. Faz você acreditar que um encontro casual estava escrito nas estrelas. A coincidência de gostar da mesma praia que o outro é tida como um sinal que as almas precisavam se encontrar. E até onde não há a menor compatibilidade, você afirma que são pequenas diferenças contornáveis.

Quando tudo acaba, a dor da rejeição é muito mais significativa que a ausência do outro. Se você avaliar, friamente, perceberá que poderia ter sido esse que foi embora ou o cara da esquina.

Não era a pessoa, eram os desejos que a sua carência idealizou para ela. Quando passa o período da quarentena e vem a superação, você olha pra trás e pensa: não entendo porque sofri tanto por alguém que não me valorizava.

Mas é fácil de entender, a carência joga os holofotes em amores irreais e ofusca o amor próprio.

Existe amor e existe carência! Antes de sofrer a toa, tente identificar essa diferença. A dor pode até não diminuir mas, seguramente, você vai saber melhor como curá-la.

 

Pin It on Pinterest

Share This
Leia o post anterior:
Fica comigo, hoje!

Se quiser, pode ler ouvindo: JOTA QUEST - SÓ HOJE   Se você quer ir embora, eu entendo. Se você...

Fechar