Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Fall – Ed Sheeran

 

Todo mundo sabe que para mergulhar precisa de profundidade, mas vez ou outra a gente se pega indo de cabeça em direção a águas rasas. O mar parece encantador, cristalino, hipnotizante e sem pensar a gente se joga, embora saiba que vai se machucar na areia.

Eu poderia estar falando do mar mesmo, mas estou falando é de sentimentos.

As vezes a certeza de que não vai dar em nada é tão grande que não dá pra entender pra que tanta empolgação, tanta energia canalizada para alguém que está só passando. É confuso, angustiante, mas ao mesmo tempo é como voltar à tona e respirar de uma maneira diferente, são sensações tão boas que fica difícil levar a sério teorias, tratados, presságios e tudo mais.

E mesmo sabendo que as águas são rasas a gente mergulha!

Não tem explicação ou lógica. Não tem como justificar atitudes que, racionalmente, nós sabemos que estão longe do bom senso ou da razão.

Ilusão? Também não. Ninguém pode dizer que foi iludido conhecendo o terreno que está pisando. É claro que o coração não é de gelo e pode ser tocado, sim, mas aí é uma consequência para quem solta a mão da razão e abraça a felicidade… faz parte do jogo.

É natural e já aconteceu com quase todo mundo. Quem nunca?

O pior de tudo (ou seria o melhor de tudo?) é quando a pessoa que você está mergulhando raso faz cada momento valer a pena, cada segundo. Parece que leu o seu manual de instruções e sabe tudo que pode te arrancar sorrisos, sabe a palavra certa para cada situação, sabe até te deixar vermelha com os elogios.

Você pode achar que é crueldade tanta doçura quando está claro que tudo vai se dissipar na cronologia estabelecida pelas relações passageiras. Obviamente, não dá pra ficar ileso ou insensível quando esse alguém vai embora de uma hora para a outra, da mesma forma que veio.

Então você tem que aprender a administrar a perda daquilo que, de fato, nunca te pertenceu. E os mergulhos rasos acabam servindo também para nos ensinar sobre a vida, afinal os quase amores, aqueles que não chegaram a ser, são os que mais ensinam.

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