Parece estranho e pouco provável, mas tenho a dolorosa missão de confessar aqui que não sei mais atuar no papel de namorada. Sim, meus amigos, eu sei que isso é triste e me deixa com a sensação de incapacidade, mas o que posso fazer? Tanto tempo sem ter um namorado (no sentido mais real da palavra) que perdi o jeito e a habilidade.

A gente vai encontrando tanto embuste nessa vida de solteira que acaba por entrar nos moldes deles: mandar mensagem demais é grude, falar que tá com saudade é carência, falar “eu te amo” é botar o cabra pra correr, pedir pra dormir de conchinha é exagero, dizer pra onde vai é submissão, perguntar onde o outro está é ciúmes, se preocupar com o outro é desnecessário, se o cara sumir tem que agir com naturalidade, se demorar de responder as mensagens… também, sumir nos finais de semana deve ser encarado com normalidade, voltar dois dias depois com desculpas esfarrapadas… idem. Afffff!

Se encaixar nesse formato logo depois de um longo relacionamento é bastante complicado e sofrido porque você entende que está apenas ficando, mas o coração burro se apaixona e quer entrar no mesmo formato da relação de namoro. O problema é que quando demora para começar um novo relacionamento sério, como no meu caso, as coisas vão caminhando dessa forma descomprometida e o que passa a ser estranho é o compromisso sério do namoro.

Pense numa complicação! E você pode estar pensando: quanto tempo essa criatura ficou sozinha? Veja bem, companhias a gente sempre tem, claro! Mas companheiro, também conhecido como namorado, faz um bom tempo.

Eu já não sei mais como agir tendo alguém que faz questão de compartilhar as coisas, alguém que faz questão da minha presença e das minhas mensagens, alguém que quer fazer planos, que quer me ajudar a resolver os meus problemas, que me ouve, que sente falta do meu abraço e dos meus carinhos. Gente, eu não sei mais nem dividir a cama e passo a noite inteira acordada porque tem um ser ao meu lado. Socorro! São anos dormindo com vários travesseiros e agora tem ali na cama um corpo quente, musculoso, cheiroso e eu fico só olhando e achando que Sílvio Santos vai entrar a qualquer momento dizendo que é uma pegadinha.

Depois de muito tempo sem namorar, criamos hábitos específicos de independência. Não estou dizendo aqui que namorar é perder a individualidade, mas é inegável que é um processo de compartilhamento e trocas. E se você for o tipo que gosta da sua própria companhia é ainda mais difícil voltar a conviver com humanos invadindo sua casa, seu espaço, sua cama.

Brincadeiras à parte, eu sei que é só uma questão de tempo até que a “readaptação” aconteça, mas vale deixar um apelo aqui:

Que a gente não permita que corações frios e vazios nos contamine, que a gente saiba preservar a nossa essência, independente do tipo da relação do momento e que a gente nunca se sinta culpado por saber amar e dar carinho.

O mundo dos relacionamentos anda chato. É muita frivolidade e falta de respeito com os sentimentos alheios. Se a gente começar a economizar amor aí vai piorar tudo.

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doses
Pequenas doses de amor

Se você quiser pode ler o texto ouvindo:    Seu amor é a coisa mais bonita que já me aconteceu....

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