As palavras dele

As palavras dele

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Lua e Estrela – Caetano Veloso

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Não mando bem nesse lance de palavras bonitas como os caras aí que vivem escrevendo sobre mulheres. Aquelas que eles descrevem vestindo camisetas velhas do nirvana e usando coque. Blah! Deu, né? Acho que já tá faltando imaginação. Eu sei que você curte esses poetas de facebook, mas eu confesso não ter muita paciência. Quase todos os textos deles são iguais. De boa. Não é ciúme. Se quiser até decoro algum pra te falar no ouvido. Mas é melhor não, tá?

Sou meio ogro e você sabe bem. Nem falo pela aparência física afinal a minha velha barba por fazer e as minhas básicas da Hering parecem ter virado uniforme para os caras que se definem como fofos e descolados. Me consagro ogro por não ter muitos modos para segurar a tua mão pequena e delicada com esses meus dedos enormes e desajeitados, por te arrastar pela cintura de qualquer jeito quando vem uma vontade louca de te beijar ou por amassar teu livro cuidadosamente repousado na cama quando quero me atirar nela e deitar. Veja bem, um cara com esses meus 1,88m deveria pelo menos ler um manual de como tratar mulheres delicadas, mas é assim que eu sou. Ogro. Ou não, já que agora ser ogro nem é mais um defeito tão grande. Tá na moda também. Sei lá. Sou meio isso aí que quis dizer.

Daqui de dentro desse meu peito estilo rústico moderno tento achar algo que expresse a minha profusão de sentimentos. Não sou bom em declarações, muito menos em concordância verbal, pontuação, ortografia, whatever. E mesmo que fosse não sei se conseguiria definir tudo o que você me desperta. Na verdade, eu queria que você se enxergasse com os meus olhos. Acho que essa seria a maneira mais fiel de retratar o que sinto. Queria que você visse como eu vejo, a mulher da porra que tu é. Mulher que enfrenta coisas que eu não teria coragem nem de começar e por isso eu admiro tanto. Mulher foda que se garante, se banca e vai pra luta todos os dias e por isso eu quero lutar junto. Eu queria que os meus olhos te mostrassem como tu é linda mesmo sem usar nada dessas maquiagens que mancham as minhas básicas brancas. Queria mostrar através dos meus olhos que teu cabelo molhado é mais sensual e lindo que qualquer chapinha ou aquele treco de fazer cachos. Eu queria tanto mostrar como a tua presença tem cheiro de porto seguro. Mostrar o quanto faz bem contar os meus problemas e no final te ouvir dizer “eu entendo” e não um “eu avisei”. Putz! Eu queria muito que fosse possível te mostrar, sabe?

É que as vezes me sinto um pouco egoísta em ter essa felicidade sozinho. Mas acho que, de alguma forma, consigo compartilhar isso quando tu me dá aquele sorriso que muda a cor do meu dia e faz o sol ter inveja de mim.

Procura-se alguém que saiba escutar

Procura-se alguém que saiba escutar

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Procura-se alguém que saiba escutar e não apenas ouvir.

Alguém que antes de começar a falar desesperadamente sobre si pergunte como está o outro e preste atenção na resposta.

Alguém que escute olhando nos olhos e percebendo sentimentos.

Alguém que não atropele o que o outro está dizendo porque está o tempo inteiro focado só no que lhe diz respeito.

Alguém que antes de julgar e levantar hipóteses cruéis sobre o jeito de ser do outro, pergunte e escute o motivo daquele comportamento.

Alguém que saiba escutar tristezas e problemas sem ficar contando os minutos para apresentar suas mazelas também… como se a conversa fosse um campeonato de “coitadices”.

Alguém que saiba escutar a ponto de perceber que muitas vezes o coração do outro está falando muito mais que a boca.

Alguém que se ache menos e se importe mais com quem está ao lado.

Alguém que entenda que não é portador único dos problemas do mundo e que o outro também precisa de um ombro, precisa desabafar e ser escutado.

Alguém que não se ache dono da razão, dono das melhores atitudes e acuse o outro de estar sempre errado.

Alguém que não queira sempre ser escutado, mas que também perceba a necessidade do outro e que nenhum tipo de relação é via de mão única.

Alguém que faça uma conversa valer a pena não só falando, mas mostrando a nobreza de saber escutar.

Alguém que escute quando o outro apontar seus erros e fraquezas fazendo disso aprendizado e não discórdia.

Alguém que entenda que falar o tempo inteiro de si é cansativo e nem sempre tão interessante quanto ele acha que é.

Alguém que escute os sons encantadores do mundo e entenda de uma vez por todas que ele não gira ao redor do seu próprio umbigo.

Procura-se!

Foi depois do café

Foi depois do café

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Thank you – Dido 

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Foi depois do café. Não sei se enquanto eu abria mão de um pedaço de melão meio duro ou se no momento em que a sua xícara descansou perto do prato, também não lembro o que eu disse que desencadeou aquele textão que você falou quase sem respirar.

Só sei que ali de frente um para o outro, entre nós uma jarra de suco de laranja e o cereal, o amor pediu demissão. Confessamos, depois de uma noite inteira dormindo grudados, que estávamos juntos pelos motivos errados.

Eu apegada ao passado. Saudosa e nostálgica de uma época em que você era para mim tão necessário quanto respirar e você do lado de lá ainda esperando uma parte de mim que se perdeu lá atrás em um inverno qualquer.

Eu mudei, você também, mas nunca aceitamos isso. Era difícil demais acreditar que não éramos mais “nós”. Divididos seguimos ignorando qualquer coisa que pudesse nos separar como se o amor ainda estivesse ali.

Mas não estava. Estava apenas o nosso apego e a tristeza por no fundo saber que já não dava mais. E naquela manhã que parecia normal como tantas outras que passamos juntos… transbordamos.

Dessa vez não de amor, mas de liberdade.

Sincericídio

Sincericídio

 

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Right to be wrong

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Eu penso em você todos os dias.

Não todo o tempo, mas em boa parte dele.

Sim, eu stalkeio você!

Entro no seu perfil, vejo as suas fotos, os comentários suspeitos e os check-ins.

Quando você demora de postar vou na página dos seus amigos para ver se te encontro em posts alheios.

Nas suas selfies investigo tudo. O que está ao fundo, a luz, fico imaginando quem poderia estar ao seu lado no momento, o que significa as legendas ou a falta delas.

Eu odeio as suas amiguinhas. Todas elas. Odeio. Muito.

Sim, sou ciumenta. Vivo dizendo que não, mas é só para parecer segura.

Se alguém comenta que te encontrou, pergunto onde, quando, como e com quem.

Quando converso com os nossos amigos em comum torço para que você seja citado. Só para ter notícias mesmo.

Quando você curte ou comenta as minhas postagens uma grande quantidade de borboletas, aliás uma infinidade delas, invadem o meu estômago e quase me fazem flutuar.

Eu sei que é loucura confessar tudo isso. Essas declarações fazem parte do que sentimos e nunca externamos.

As pessoas até me consideram madura, mas não sei o que pensariam se soubessem dessas minhas fraquezas.

Psicopata? Louca? Neurótica? Desequilibrada?

Sei lá o que pensariam.

Eu diria que apenas apaixonada… e sincera.

E quem está contando?

E quem está contando?

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Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Mercy – Shawn Mendes

 

No fim daquela noite em que nos reencontramos por acaso naquela festa que fui por acaso e engatamos aquela conversa conduzida pelo acaso, te ouvi afirmar: aposto que você nem lembra quando foi a última vez que nos vimos.

Sem esboçar qualquer reação ou emitir qualquer palavra rastreei rapidamente os meus dados periféricos de armazenamento e constatei que estava tudo ali disponível para uso imediato, posterior ou para te deixar perplexo com a precisão dos meus registros. Eu lembro bem mais do que você é capaz de imaginar.

3 encontros antes do primeiro beijo

2 beijos no primeiro encontro

4 encontros até a gente ficar por inteiro

5 minutos para saber que me apaixonaria

3 maravilhosos dias naquela praia quase deserta

2 semanas separados quando você viajou

2 dias inteiros para matar a saudade na tua volta

24 horas pensando em como dizer que te amava

2 horas até que as palavras saíssem da minha boca

6 meses de alegrias intensas e incontáveis

1 semana de frieza

4 horas de conversa dura, racional e conclusiva

3 segundos para definirmos que “acabou”

E mais 3 segundos para te ver fechando a porta

2 meses e 15 dias vendo tudo meio cinza, sentindo uma saudade que me dilacerava, chorando quase todas as noites e tudo me lembrando você

Dois meses sem ligar, mandar mensagem, sentir o teu cheiro ou ver o teu sorriso

Um mês para me fortalecer, recomeçar e não te deixar mais dominar o meu pensamento

Uma festa

Um reencontro

Cinco minutos para você fazer tudo cair por terra e mostrar que o meu coração ainda não está curado.

Por não saber o que seria feito com toda essa informação, com todos esses números e com todo esse sentimento que insiste em continuar aqui no meu peito me limitei a responder:

Não… não lembro! Afinal quem contaria o tempo dessa distância, não é mesmo?

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