Eu quero um amor brega

Eu quero um amor brega

flores

Se você quiser pode ler o texto ouvindo:

 

Que me desculpem os críticos de plantão, mas eu quero mesmo é um amor brega. Não me encanta essa forma desprendida das relações frívolas que os moderninhos definem como “livres”. Liberdade não tem nada a ver com descaso ou desrespeito. Alguém tá entendendo errado essa parada.

Esse texto de que “rótulos estragam a relação”, pra mim não passa de desculpa para continuar ciscando em qualquer terreiro ou medo de perguntar ao outro lado se é namoro ou amizade.

SIM, eu quero alguém pra chamar de namorado! SIM, eu quero ser chamada de namorada! Qual é o problema em desejar isso? Por que assusta tanto definir esse status? Por que o cara quer ir na sua casa toda semana, dormir, tomar café, ver filme no sábado à noite, trocar mensagens todos os dias e achar que não tem nenhum vínculo?

É estranho. Parece que tem gente que acha que o namoro perdeu o encanto.

Tudo bem que tem sido cada vez mais difícil encontrar um casal que desperte aquela invejinha de ter alguém, sabe? Ultimamente, o que mais temos visto são relações frias, estabelecidas em propósitos, interesses pessoais ou até mesmo para cumprir uma meta construída desde a infância: “estou-namorando-para-noivar-e-casar”.

Hoje é o dia dos namorados e não vejo mais as pessoas com aquele brilho no olhar preparando surpresas, ansiosas para chegar a noite e encontrar o seu amor. Entram nas lojas para comprar algo mais por obrigação do que por vontade. Que derrota!

É por isso que quero um amor brega! Alguém que ainda peça em namoro, que não tenha vergonha de esclarecer o que acontece na relação, que goste de dar flores, que escreva bilhetinhos de amor, que ache o dia dos namorados a data mais especial do ano, que conte os minutos para ficar juntinho nos finais de semana.

Que faça, demonstre e não apenas fale. Que tenha a atenção de responder as mensagens com prioridade e não quando “tiver um tempinho”. Eu quero um amor brega… daqueles que se emocione ao ouvir as letras de Bryan Adams, Céline Dion, Alejandro Sanz e até Roberto Carlos. Brega!

Eu quero um amor brega, mas não bobo! Não precisa ser piegas, meloso ou chato, mas que entenda que no fundo o amor é brega mesmo, que as cartas de amor são ridículas mesmo e que romantismo pode até ter caído de moda, mas… que se dane a moda.

Eu quero um amor brega!

Uma SaudadeZinha grande

Uma SaudadeZinha grande

rio

Tinha um certo cuidado com os cabelos, um vestidinho separado para ir à cidade, mas nunca se maquiou. Talvez fosse uma mulher vaidosa, mas não havia como alimentar isso. Vaidade foi o que primeiro ela riscou de uma lista onde matar a fome dos filhos era prioridade. Naquela época, onde homem e mulher tinham papéis bem definidos, ela parecia ser o “homem da casa”. Estava sempre correndo para conseguir sustentar a família.

Foi a mulher mais forte que conheci. Ela não achava que era, mas era.

No povoado onde viveu e pariu suas onze crias, ela decidiu alfabetizar aquela comunidade que, talvez pela distância, não conseguia ir à escola. Foi assim que se tornou uma professora muito querida de todos e hoje, a única escola que tem lá leva o seu nome.
O detalhe é que essa mulher havia estudado pouco, nem mesmo chegou ao ginásio. Mas ainda assim resolveu compartilhar o pouco que sabia e ajudar aquelas pessoas a aprenderem a ler e escrever. A prefeitura da cidade a que pertencia esse povoado resolveu pagar um pequeno salário pra ela. Uma vez no mês ela andava uma boa distância para ir receber o “ordenado”, comprar comida e voltar com a sacola pesada com a farinha, o feijão e um pedaço de carne.
A sala de aula era uma construção velha esburacada, sem a menor estrutura, mas o importante ali era aprender e pelo menos havia um quadro negro.

Eu só a conheci muitos anos depois…
Tinha uma gargalhada alta, farta, que as vezes a deixava com falta de ar e olhos lacrimejando. Gostava de rir, embora a vida tenha feito com que ela tivesse muitos motivos para chorar.

Na minha adolescência essa mulher foi minha melhor amiga… era na casa dela que eu dormia todas as noites e me sentia protegida, era com ela que eu desabafava a forma incompreensiva da minha mãe me tratar. Ela gostava quando eu ia ver as novelas da noite ao seu lado e depois de cada parte contar o que aconteceu porque ela cochilava o capítulo inteiro.

Era ela que fazia o melhor café, o melhor ovinho frito e o melhor “malassado” (como ela chamava) que conheço. Não tinha dotes como outras para fazer bolos, doces e tal. Mas na mesa da cozinha não faltava bolachinha “poca zói” e requeijão.

Depois que saí do interior, lembro que todas as vezes que ia lá passar uns dias, na hora de me despedir pra voltar para Salvador, ela sempre chorava… sempre! Como chorava em todas as despedidas. Ela nunca soube lidar com despedidas. Herdei isso dela e também a mania de beber água antes de beber café. Na verdade eu herdei muita coisa dela.

Essa mulher era minha vó, mãe da minha mãe. Seu nome: Aurelina Baiano Passos… Dona Zinha, como sempre gostou de ser chamada. Vovó Zinha… Vóvi.
Só me contaram hoje cedo, mas ela partiu ontem, 17 de maio às 23h, para junto de Deus e Nossa Senhora (tenho certeza!). E como nós duas não gostávamos de despedidas, talvez o destino tenha evitado um último encontro nosso.

Vóvi, eu não sei se fui a neta que você queria, mas saiba que você foi a melhor vó que eu pude ter.
Eu vou te amar pra sempre e também sempre vou lembrar do seu andar, da sua maneira de falar, do casaco azul marinho que você encarnou e só usava ele durante anos, de você cantando aquele “larilará” na cozinha e eu na sala ouvindo sem entender que música era aquela, de você rezando na cama do meu lado antes da gente dormir, da sua vontade de viver, de você dizendo que queria arrumar um namorado bonito igual era o meu avô, de você dizendo que queria aprender a dirigir e ter um carro, de você me perguntando se eu queria uma farofinha, da farra de primos na sua casa, do seu quintal onde eu brincava por horas e horas e horas… de nós duas juntas.

Nossa história sempre foi marcada por sonhos e essa noite, sem saber que você já tinha partido, sonhei que eu atravessava um rio de água azul, raso e transparente… um rio que não me causava medo, como tenho de outros. Era calmo e lindo. Eu estava junto com a prima que sempre fui mais ligada e com meu afilhado, o filho dela… era uma tradução de como você adorava ver a gente: juntos e alegres. No sonho tinha uma freira, um padre e eu rezei um Pai Nosso.
Como não acreditar na nossa sintonia que agora passa a ser eterna?

Vai em paz, Zinha! Você cumpriu sua missão aqui, a gente é que precisa se acostumar com a saudade. Vai e descansa de tudo. Não deixa de olhar por nós. Vou te amar e lembrar pra sempre.

Bença, vovó.

Você pode devolver o que levou?

Você pode devolver o que levou?

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Jesse & Joy – Echoes of love

devolva

Quando você me deixou e eu quis ir junto, disseram que eu devia cair na real, que aquela separação seria melhor pra mim e que era para eu tentar enxergar o lado bom. Lado bom? Isso depende dos olhos que a pimenta esteja. Nos meus a pimenta ardia. Muito!

Eu não via nada de bom naquele momento, só sentia uma dor imensa por todas as imposturas que você me disse e por todos os motivos sem sentido que alegou para se afastar de mim.

Eu sabia sobre a sua imaturidade, mas até você me passar aquele atestado lavrado em cartório de que era um bobão, achei que poderia haver um viés de sensatez nas suas atitudes. Ledo engano.

Você tentou voltar muitas vezes e eu te olhei sorrindo em todas elas. Cheguei até a acreditar que as coisas seriam diferentes, mas você continuou igual… e continua.

Mesmo a nossa história desenhada de forma torta e com tudo para dar errado, o fim não me parecia certo. Eu queria pra sempre, mesmo sabendo que não era.

Foi muito difícil. Mas agora foi… depois de muito tempo e incontáveis noites stalkeando você, tudo passou. Não tem mais raiva, mágoa, arrependimento ou saudade.

Você não me deixou nada. E não me refiro à coisas materiais. Mas levou muita coisa de mim e uma delas eu queria muito ter de volta: a inspiração.

Aquela inspiração que vinha através de qualquer coisa boba, que me fazia respirar de um jeito diferente e ver amor por todos os lados. Eu sinto falta de ver o mundo com os olhos que eu via quando você fazia morada em mim.

Dizem que cada amor é único e o que sentiremos pela próxima pessoa, mesmo que seja intenso, jamais será igual ao que nutríamos pela anterior. Então se isso for verdade volto atrás e me redimo.

Sim, você deixou algo em mim. Deixou a saudade que sempre vou sentir de quem eu era enquanto tinha você.

As palavras dele

As palavras dele

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Lua e Estrela – Caetano Veloso

dele

Não mando bem nesse lance de palavras bonitas como os caras aí que vivem escrevendo sobre mulheres. Aquelas que eles descrevem vestindo camisetas velhas do nirvana e usando coque. Blah! Deu, né? Acho que já tá faltando imaginação. Eu sei que você curte esses poetas de facebook, mas eu confesso não ter muita paciência. Quase todos os textos deles são iguais. De boa. Não é ciúme. Se quiser até decoro algum pra te falar no ouvido. Mas é melhor não, tá?

Sou meio ogro e você sabe bem. Nem falo pela aparência física afinal a minha velha barba por fazer e as minhas básicas da Hering parecem ter virado uniforme para os caras que se definem como fofos e descolados. Me consagro ogro por não ter muitos modos para segurar a tua mão pequena e delicada com esses meus dedos enormes e desajeitados, por te arrastar pela cintura de qualquer jeito quando vem uma vontade louca de te beijar ou por amassar teu livro cuidadosamente repousado na cama quando quero me atirar nela e deitar. Veja bem, um cara com esses meus 1,88m deveria pelo menos ler um manual de como tratar mulheres delicadas, mas é assim que eu sou. Ogro. Ou não, já que agora ser ogro nem é mais um defeito tão grande. Tá na moda também. Sei lá. Sou meio isso aí que quis dizer.

Daqui de dentro desse meu peito estilo rústico moderno tento achar algo que expresse a minha profusão de sentimentos. Não sou bom em declarações, muito menos em concordância verbal, pontuação, ortografia, whatever. E mesmo que fosse não sei se conseguiria definir tudo o que você me desperta. Na verdade, eu queria que você se enxergasse com os meus olhos. Acho que essa seria a maneira mais fiel de retratar o que sinto. Queria que você visse como eu vejo, a mulher da porra que tu é. Mulher que enfrenta coisas que eu não teria coragem nem de começar e por isso eu admiro tanto. Mulher foda que se garante, se banca e vai pra luta todos os dias e por isso eu quero lutar junto. Eu queria que os meus olhos te mostrassem como tu é linda mesmo sem usar nada dessas maquiagens que mancham as minhas básicas brancas. Queria mostrar através dos meus olhos que teu cabelo molhado é mais sensual e lindo que qualquer chapinha ou aquele treco de fazer cachos. Eu queria tanto mostrar como a tua presença tem cheiro de porto seguro. Mostrar o quanto faz bem contar os meus problemas e no final te ouvir dizer “eu entendo” e não um “eu avisei”. Putz! Eu queria muito que fosse possível te mostrar, sabe?

É que as vezes me sinto um pouco egoísta em ter essa felicidade sozinho. Mas acho que, de alguma forma, consigo compartilhar isso quando tu me dá aquele sorriso que muda a cor do meu dia e faz o sol ter inveja de mim.

Procura-se alguém que saiba escutar

Procura-se alguém que saiba escutar

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Procura-se alguém que saiba escutar e não apenas ouvir.

Alguém que antes de começar a falar desesperadamente sobre si pergunte como está o outro e preste atenção na resposta.

Alguém que escute olhando nos olhos e percebendo sentimentos.

Alguém que não atropele o que o outro está dizendo porque está o tempo inteiro focado só no que lhe diz respeito.

Alguém que antes de julgar e levantar hipóteses cruéis sobre o jeito de ser do outro, pergunte e escute o motivo daquele comportamento.

Alguém que saiba escutar tristezas e problemas sem ficar contando os minutos para apresentar suas mazelas também… como se a conversa fosse um campeonato de “coitadices”.

Alguém que saiba escutar a ponto de perceber que muitas vezes o coração do outro está falando muito mais que a boca.

Alguém que se ache menos e se importe mais com quem está ao lado.

Alguém que entenda que não é portador único dos problemas do mundo e que o outro também precisa de um ombro, precisa desabafar e ser escutado.

Alguém que não se ache dono da razão, dono das melhores atitudes e acuse o outro de estar sempre errado.

Alguém que não queira sempre ser escutado, mas que também perceba a necessidade do outro e que nenhum tipo de relação é via de mão única.

Alguém que faça uma conversa valer a pena não só falando, mas mostrando a nobreza de saber escutar.

Alguém que escute quando o outro apontar seus erros e fraquezas fazendo disso aprendizado e não discórdia.

Alguém que entenda que falar o tempo inteiro de si é cansativo e nem sempre tão interessante quanto ele acha que é.

Alguém que escute os sons encantadores do mundo e entenda de uma vez por todas que ele não gira ao redor do seu próprio umbigo.

Procura-se!

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