‘Ex’ tem prazo de validade?

‘Ex’ tem prazo de validade?

No último final de semana, eu conversava com alguns amigos e, claro, surgiu o assunto ‘relacionamentos’. Tudo começou quando uma das amigas citou algo sobre seu ex namorado e um outro amigo perguntou:

– Tem quanto tempo que você terminou esse último namoro?

– Dez anos.

– DEZ??? Ah, fia… então nem cita porque esse namoro já prescreveu.

Todos rimos muito, mas depois percebemos que poucos estavam em situação melhor. O que tinha menos tempo de fim de namoro havia terminado há cinco anos. Caso, rolo, ficante, contatinho… todo mundo tinha, mas namoro, namoro meeeesmo, concluímos que estávamos todos defasados.

O tom da conversa era de brincadeira, mas não pude deixar de pensar sério sobre o assunto. A questão não é a neura por estarmos solteiros, mas com uma distância tão grande da última experiência de namoro, já não vale mais atribuir ao ex muitas questões, tipo culpar a pessoa pela depressão ou fase ruim que está vivendo afirmando ser sequela da decepção vivida nesse último namoro.

Se depois de cinco anos você não superou, refletiu, se auto avaliou, descobriu os erros que cometeu na época e ponderou as atitudes do outro, desculpa, mas há algo errado com você.

Após tanto tempo assim, se você ainda fala da criatura com rancor, mágoa e sentimento de vingança, seu caso é sério. Cultivar tudo isso faz um mal sem precedentes e você deve estar com o emocional bem complicado.

Obviamente, algumas experiências são bem negativas e marcam pra sempre mesmo, mas viver chorando em cima delas e maldizendo a vida por algo que aconteceu há muitos anos, seguramente está atrapalhando a sua vida e bloqueando as energias boas.

Mas e aí? Não se pode mais citar um ex se o relacionamento aconteceu há mais de cinco anos? Sim. Pode e deve. Só não vale falar da situação como se tivesse acontecido ontem, né? Como se aquela história ainda estivesse muito próxima e impactando na sua vida até os dias atuais.

Não é feio assumir que faz muito tempo que você não namora. Feio é achar que só pode ser feliz se estiver namorando.

Acabou antes de começar

Acabou antes de começar

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Grant Lee Phillips – Boys dont cry

 

Tem gente que entra na nossa vida, mas nunca sai.

Mesmo que tenha ido embora, mesmo que não esteja no campo de visão ou na lista de contatos, tá sempre ali. Nunca vai.

Isso acontece muito com aquelas histórias que começam sem tanta certeza e a gente fica reticente entre seguir ou mandar um ponto final. Tipo aqueles casos que aparecem entre uma relação e outra, sabe? Não se transformam em namoro, mas marcam.

No início parece que não vai dar em nada porque você ainda está emocionalmente envolvido com o fim da relação anterior ou até mesmo por não ter interesse na pessoa, depois aquilo vai crescendo e tomando uma proporção maior.

Mas começou sem credibilidade, sem segurança do que se queria. Por uma série de motivos o medo ronda e no benefício da dúvida você desiste antes mesmo de começar.

Depois que finaliza bate um certo arrependimento porque você percebe que houve algum efeito lá no fundinho do peito. Será que era pra ser? Será que foi uma grande merda cortar pela raiz? As perguntas ficam sobrevoando, mas você acha melhor nem pensar mais nisso e é aí que está o erro.

Talvez fosse a hora de correr em busca do que foi deixado e viver essa história que teve começo, mas não passou pelo meio, muito menos pelo fim. É mais ou menos como Romeu e Julieta que não viveram o que tinham para viver e por isso nunca vamos saber se seria para sempre ou até que a primeira pisada na bola acabasse com tudo.

É por isso que essas pessoas nunca vão embora de dentro de nós… por causa desse não saber como seria. Não vivemos o ciclo completo.

Então elas ficam ali encubadas em algum lugar do coração. Você pode passar dias e até meses sem lembrar, mas basta um sinal de fumaça, um post da pessoa que surge na timeline e então volta tudo. Parece um vírus incurável pronto para agravar os sintomas a qualquer instante.

A lembrança daquele sorriso vai voltar em algum momento fazendo você perder a respiração por alguns segundos e mais uma vez pensar: será que deveria ter sido?

Nunca saberemos.

Mas se ainda der tempo, vale a pena ir em busca dessa resposta. Corre.

Sendo muito clara

Sendo muito clara

Sem disfarces, máscaras ou historinhas bonitinhas para agradar ninguém.

Respondendo da forma mais direta possível perguntas que encurtam caminhos. Você mora sozinha? Sim. Que tal marcarmos um vinho na sua casa? Não. Se você quer beber vá até um bar, querido.

Muitos podem considerar grosseria, mas eu classifico como objetividade. Não quero tomar vinho e te dar sexo de brinde, meu amigo. O que eu quero não está acima do seu entendimento, mas você prefere ignorar. E eu decidi parar de apostar em qualquer história.

Se nas conversas iniciais você perguntou apenas sobre onde e com quem moro e passou todo o resto do tempo só falando de si, sinto muito, mas vamos parar por aqui mesmo. Simples, rápido e indolor!

Caso o seu objetivo seja só sexo, nada contra, mas eu quero MAIS.

Não preciso marcar vinho com desconhecidos para conseguir prazer, se eu quisesse só transar teria outras opções. Sabe o famoso “PA”? Pois é…

A vida vai ensinando e os bons alunos vão aprendendo. Foi assim que descobri, nas primeiras aulas sobre o amor, que quem se mostra egoísta no início não vai mudar depois que o tempo passar.

Quando me interesso pelo jeito e pela vida de alguém, também quero sentir que a minha vida interessa ao outro. A minha história, os meus detalhes, o que me faz sorrir…

Chega de superficialidade. Chega dessa tarefa extenuante de dar chances pra quem está em outra página do livro. A conta é simples: se a pessoa só quer sexo e você quer algo mais sério, o resultado não vai bater.

Tenho me sentido muito melhor e perdendo menos tempo depois dessa minha dissidência do grupo dos trouxas.

Muitos podem achar que isso é ir de encontro às leis do amor, que é preciso estar aberto a qualquer oportunidade mesmo que pareça despretensiosa, pois ali pode estar o início de um encontro bacana.

Talvez seja. É uma ideia romântica e bonita na qual já acreditei e apostei por muito tempo. Só que depois de algumas experiências recorrentes e frustrantes, você se especializa e o filtro fica muito mais apurado e sensível.

Deixar claro o que queremos sem ter medo, vergonha ou qualquer constrangimento em dizer “não” é simplesmente libertador.

Vou deixar na portaria

Vou deixar na portaria

Se você quiser pode ler o texto ouvindo Gavin James:

 

No fim de um relacionamento algumas frases doem muito ao ouvir, tipo: “você vai encontrar alguém que te faça feliz”, “o problema não é você sou eu” e dentre tantas outras que eu poderia citar aqui, concluo com uma que tem o mesmo poder de fazer a ferida sangrar: “vou deixar na portaria”.

Como machuca ouvir isso!

No meio da dor e de toda a pendência afetiva, dias depois do término sem ver ou ter notícia da pessoa, a mente é vasculhada tentando achar motivos para forçar algum contato ou encontro casual. Daí que você lembra que esqueceu algum objeto na casa da pessoa e liga ou manda uma mensagem cobrando como se aquilo fosse algo imprescindível para sua vida, quando na verdade nem se importa com a tal coisa, apenas com a remota possibilidade de uma reaproximação.

E é aí que você desce mais um pouquinho no fundo do poço ao ouvir do outro lado: “vou deixar na portaria”. Cortante e sem meias palavras.

Essa frase liquida qualquer esperança, aniquila as expectativas e causa aquele arrepio da morte que percorre a coluna. Quando alguém, que até dias atrás era íntimo, não quer mais te olhar nos olhos, significa que a partir daquele momento vocês não passam de meros conhecidos.

A resposta “vou deixar na portaria” não é só uma informação simples, significa não ter mais acesso ao território que um dia foi cenário do amor que existiu (e que no seu caso ainda existe), significa não saber mais sobre a vida daquela pessoa, não saber se os móveis vão continuar no mesmo lugar ou se a TV da sala foi trocada. Significa ruptura, quebra de vínculo, laço, proximidade. Significa distância.

Para quem fala é rápido, prático e sem dor. Para quem ouve é fim.

E só quando você chega na portaria do prédio que um dia foi tão lar quanto a sua casa, é que entende o quanto agora ela parece triste e desconhecida. Pega o que te pertence, oferece um sorriso amarelo ao porteiro que já viu os teus melhores sorrisos e vai embora. A cidade é grande e a tua felicidade deve estar em outro prédio, em outra varanda com vista pra lua, em outra cama, em outro coração… em outra portaria.

Esse caminho eu sei de cor

Esse caminho eu sei de cor

Se você quiser pode ler o texto ouvindo:

 

Mais uma vez tentei entender e resolver o dilema que está dentro de mim e não consegui. E então a mulher sempre segura do que quer, pareceu uma garota indecisa e nada assertiva. Claro que usei como desculpa o fato de você estar perto me tomando os sentidos, mas não sei se esse é o real motivo.

Acho mesmo que faltou foi coragem. O sentimento que tenho por você ainda pesa mais que todos os argumentos que tenho para te deixar.

Não sei ao certo o que me faz querer estar próxima de alguém que nem sempre demonstra o mesmo por mim. A verdade é que nunca gostei de situações indefinidas. Não, não consegui adotar a filosofia do deixa-ver-o-que-vai-acontecer. Não tenho mais paciência.

Me deixo levar pelos seus encantos e sempre perco a coragem de me afastar, mas não adianta perder tempo quando já sabemos o final da história. Não vai passar disso. Serão mais alguns dias de paixão enlouquecida, depois algumas lacunas enquanto voltamos às velhas crises de entendimento, depois a frieza da distância e por fim mais dias, semanas ou meses longe um do outro.

Como disse a filósofa: “todo esse caminho eu sei de cor”.

Racionalmente entendo tudo isso, mas cadê a coragem de falar e te mandar pra bem longe? Me sinto a mais fraca das pessoas por tremer só em ouvir tua voz. É como se você fosse uma Kryptonita que tirasse todas as minhas forças. De longe tudo é fácil, mas diante de você perco o meu pensamento crítico e sou levada a cometer sérios enganos.

Então vem aqui e me dá um último beijo… daqueles de tirar o fôlego. Daqueles que vou lembrar pra sempre todas as vezes que contar para alguém a nossa quase história de amor com um quase final feliz.

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