Eu mereço mais

Eu mereço mais

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Justin Timberlake & Anna Kendrick – True Colors

 

O peito aperta, a vontade de chorar aparece a cada pensamento ameaçador, a ansiedade se espalha, o corpo perde a força e o ânimo resolve se esconder. Tudo isso acontece quando se está vivendo em uma montanha russa emocional.

Hoje, promessas, afagos, presença, declarações de amor e muitos planos. No dia seguinte, mentiras, desculpas esfarrapadas, mentiras, distância, mentiras, frieza, mentiras, mentiras e mentiras.

Não há nada que machuque mais o amor do que as mentiras. As vezes toscas e ridículas, em outras tão bem elaboradas e defendidas que chegam a se confundir com uma realidade paralela e doentia.

Não se sabe se é mais cruel descobrir o mentiroso ou ser subestimado por ele.

Analisamos a situação, percebemos tudo de errado que há nela e mesmo assim não conseguimos nos afastar. Esta fraqueza tem justificativa no amor porque ele é um sentimento tão nobre, limpo e leve que consegue ser maior que os atos mesquinhos, então muitas vezes tudo é relevado como se ainda restasse alguma esperança, afinal é dela que o amor enche o coração.

Mas depois de subir, descer, passar por loopings que quase arranca o coração pela boca, você percebe que é hora de descer dessa montanha russa.

Exatamente por ter tanto amor no peito, percebemos que não dá para se contentar com tão pouco. Essa conversa de que não existe nada perfeito e que sempre teremos defeitos para aceitar no outro é verdadeira até a página cinco. Depois disso passa a ser justificativa para aceitar quem não vale a pena.

E é nesse momento que a ficha cai, que a realidade vem à tona como se estivesse sedenta para ser percebida e que finalmente paramos diante do espelho, encaramos os nossos olhos e solitariamente, mas com muita certeza, dizemos: eu mereço mais!

Mereço mais que esse sentimento pequeno e dividido que estão querendo me oferecer como se fosse grande coisa, mereço mais que um cara pela metade, mereço mais que poucas verdades.

Eu mereço mais. Mereço ser feliz.

A bagunça que você fez

A bagunça que você fez

Se você quiser pode ler o texto ouvindo:

 

Quem te autorizou a entrar na minha vida e desorganizar o que eu levei anos para desacreditar?

Como é que você pode me olhar desse jeito, me amar desse jeito e dizer que me quer na sua vida? Eu já tinha estabelecido que tudo isso era ilusão.

Que olhar é esse que faz parecer que sou única e perfeita? Isso é golpe baixo.

Como é possível você reparar em todos os detalhes e sentir até a diferença entre o cheiro do meu perfume e do meu shampoo?

Que química é essa que faz tua mão queimar a minha pele e me acender inteira?

Como lidar com essa sua doçura de querer aprender e melhorar sempre que falo sobre alguma coisa que você faz e eu não gosto?

Qual a intenção de ficar olhando e elogiando o meu corpo, mesmo eu dizendo que tem um monte de coisa errada nele?

Quais os motivos que fazem você enxergar em mim qualidades que eu nem sabia que eram qualidades?

Você chegou e bagunçou tudo!

Eu já tinha desistido de viver um amor assim. Achei que esse tipo de romance só estava lá nos meus sonhos de menina romântica.

Bloqueei em mim qualquer tipo de esperança em encontrar alguém como você… carinhoso, companheiro, atencioso, romântico e com os olhos ardendo de desejo.

Eu já nem sabia o que era ter alguém “inteiro” ao meu lado.

E agora você jogou por terra o muro enorme que construí em volta do meu coração. Procuro por todos os lados e não encontro as minhas paredes de segurança, os meus velhos medos, os traumas cultivados e assim me sinto perdida como se tudo isso me protegesse para não amar de novo.

Mas aí você me beija… e é no teu beijo que eu, verdadeiramente, me encontro e esqueço todo o resto.

Tá escrito mesmo?

Tá escrito mesmo?

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Out of Reach – Gabrielle

 

Depois de muitas desilusões amorosas, é comum pensar que já estamos prontos para a próxima decepção e que nada nos abalará como antes. Que grande engano!

Mais uma vez aconteceu e ignorando toda vã filosofia de explicar as sensações, resumo a história dizendo que estou aqui naquele velho e conhecido fundo do poço. O lugar é familiar, mas nem por isso a dor fica menor.

Olho ao redor e percebo que um romance curto e instantâneo foi tão devastador quanto os que duraram muito tempo. Veio como uma avalanche de alegria, paixão e encantamento e pouco tempo depois me tirou o chão.

Parecia perfeito, da forma que eu sempre esperei, do jeito que um amor verdadeiro tem que ser, só que nesse caso veio carregado de mentiras.

A história se repetiu, mas dessa vez doeu mais porque o sentimento foi maior. Foi amor real antes mesmo de acabar a paixão. Foi tão intenso que tudo se misturou… bocas, corpos, sorrisos, palavras, afetos, desejos e uma infinidade de arrepios.

Foi forte e me fez forte. Precisou terminar e me fez frágil.

É assim que me sinto: frágil. Estou cansada de tantos fins e querendo perguntar ao universo se em alguma página dele está escrito que vou conseguir viver um amor tranquilo e sem sustos ou se isso é só uma intuição boba.

Será que está escrito mesmo? Será que vale a pena acreditar nisso ou é melhor nunca mais apostar em nenhuma relação e continuar vivendo só de momentos? Eu gosto da minha companhia, da minha solidão bem resolvida, mas não há nada como amar e ser amada.

E mesmo passando por mais uma história curta, mesmo sendo mais um amor que nasceu e virou poesia, agradeço cada segundo de felicidade que me trouxe.

Vai passar, como todos passaram, mas por enquanto não sei dizer onde dói e me sinto incapaz de esquecer o rosto de quem me fez feliz.

Onde mora a saudade?

Onde mora a saudade?

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Mary J. Blige / Missing you

 

Saudade mora no peito e você leva para qualquer lugar. Quando se está perto de quem ama ela fica adormecida, mas basta o outro se afastar um pouquinho e a danada já volta para te lembrar que está ali.

Então você quer falar o tempo inteiro com a pessoa, pensa o tempo inteiro nela, quer rever o mais rápido possível e acha que o tempo juntos ainda é pouco. A impressão é que você leva muito mais tempo sentindo saudade do que acabando com ela.

Saudade também mora naquele abraço apertado. Mora na agonia de olhar de longe e nem sempre poder chegar perto.

A saudade mora na vontade de falar várias vezes ao dia que sente saudade, como se isso pudesse aliviar um pouco o coração. Mora na criatividade de inventar motivos para ouvir a voz, para ter notícia e para armar encontros “casuais”.

Saudade mora no cheiro, no beijo, no toque das mãos, no desenho dos lábios, em cada sinalzinho do corpo… na lembrança de uma pele tocando a outra.

Saudade é espaçosa e toma todos os cantos. Quando ela chega fica difícil ter lugar para outros sentimentos. Absorve de uma tal forma que todo o seu foco é para tentar amenizar o estrago que ela causa.

Mesmo nos tomando por completo e as vezes até atrapalhando a concentração, não tem nada mais gostoso de sentir quando sabemos que do outro lado também tem uma saudade nos esperando e que a expectativa do próximo encontro faz tudo valer a pena.

A saudade mora aqui e aí. Mora em você e mora em mim.

Mergulhos rasos

Mergulhos rasos

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Fall – Ed Sheeran

 

Todo mundo sabe que para mergulhar precisa de profundidade, mas vez ou outra a gente se pega indo de cabeça em direção a águas rasas. O mar parece encantador, cristalino, hipnotizante e sem pensar a gente se joga, embora saiba que vai se machucar na areia.

Eu poderia estar falando do mar mesmo, mas estou falando é de sentimentos.

As vezes a certeza de que não vai dar em nada é tão grande que não dá pra entender pra que tanta empolgação, tanta energia canalizada para alguém que está só passando. É confuso, angustiante, mas ao mesmo tempo é como voltar à tona e respirar de uma maneira diferente, são sensações tão boas que fica difícil levar a sério teorias, tratados, presságios e tudo mais.

E mesmo sabendo que as águas são rasas a gente mergulha!

Não tem explicação ou lógica. Não tem como justificar atitudes que, racionalmente, nós sabemos que estão longe do bom senso ou da razão.

Ilusão? Também não. Ninguém pode dizer que foi iludido conhecendo o terreno que está pisando. É claro que o coração não é de gelo e pode ser tocado, sim, mas aí é uma consequência para quem solta a mão da razão e abraça a felicidade… faz parte do jogo.

É natural e já aconteceu com quase todo mundo. Quem nunca?

O pior de tudo (ou seria o melhor de tudo?) é quando a pessoa que você está mergulhando raso faz cada momento valer a pena, cada segundo. Parece que leu o seu manual de instruções e sabe tudo que pode te arrancar sorrisos, sabe a palavra certa para cada situação, sabe até te deixar vermelha com os elogios.

Você pode achar que é crueldade tanta doçura quando está claro que tudo vai se dissipar na cronologia estabelecida pelas relações passageiras. Obviamente, não dá pra ficar ileso ou insensível quando esse alguém vai embora de uma hora para a outra, da mesma forma que veio.

Então você tem que aprender a administrar a perda daquilo que, de fato, nunca te pertenceu. E os mergulhos rasos acabam servindo também para nos ensinar sobre a vida, afinal os quase amores, aqueles que não chegaram a ser, são os que mais ensinam.

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