Condições

Condições

Ele não faz meu tipo. Ela fala muito alto. Ele não tem carro. Ela não tem seios grandes. Ele não sabe se vestir. Ela é pobre. Ele não gosta de cinema. Ela é gordinha. Ele é feio.

E assim caminha a geração que impõe condições para se relacionar. Será?

Há uma enxurrada de posts nas redes sociais propagando que não tá fácil pra ninguém, que as pessoas não querem nada sério e muitos memes que trollam a condição dos solteiros.

Dizem que se organizar direitinho todo mundo transa e eu vou além disso afirmando que se organizar direitinho todo mundo pode ter o relacionamento sério que tanto diz que quer ter.

Tenho conversado com muitas pessoas que se queixam de estarem bastante tempo sozinhas e da dificuldade que é engatar um relacionamento. Eu, realmente, acredito que estamos em uma fase onde o hedonismo e a superficialidade tomaram grandes proporções e já não há muito interesse em viver histórias de amor, mas isso não quer dizer que elas não possam acontecer.

Veja bem, concordo e faço parte da religião dos que não querem se submeter a qualquer coisa apenas para estar acompanhado. Saber viver sozinho com especialização em curtir a própria companhia é a melhor graduação que alguém pode ter.

Acontece que as pessoas estão indo além ou talvez ficando exigentes demais e valorizando mais o que não tem do que aquilo que está ao seu alcance. Explico:

É perfeitamente compreensível evitar um relacionamento com alguém que só queira te explorar financeiramente, mas descartar quem gosta de você (e até te atraiu) só pelo fato da criatura ser pobre, já é interesse e não necessidade de viver um amor. Não curtir hábitos que não sejam saudáveis dispensa explicações, mas avaliar alguém pelo tipo do corpo mostra que é mais uma seleção de quem só está interessado na aparência.

O que mais tenho reparado nessas pessoas que se dizem tão injustiçadamente sozinhas é o nível de exigência de cada uma delas. Uma amiga reconsiderou um relacionamento que estava começando porque o cara era mais velho e ela disse que teria vergonha de apresentar aos amigos. Outro amigo me confessou que tem sérios problemas para ficar com mulheres de cabelo curto e que isso faz ele perder todo o interesse.

Esses foram só alguns exemplos, mas eu poderia listar uma infinidade de questões que incluem até pessoas que não admitem conviver com alguém que discordem das suas opiniões. Pessoas que ainda idealizam relacionamentos perfeitos, sem divergências.

Cada um sabe de si e deve mesmo seguir o que o coração pede, mas acho que estamos julgando demais pela aparência e perdendo boas oportunidades e pessoas interessantes. Será mesmo que está difícil encontrar um relacionamento ou estamos mais preocupados com a foto que vamos postar no instagram e mostrar ao mundo do que com o que vamos viver na relação?

 

É amor ou posse?

É amor ou posse?

Nós fomos programados para amar. Aprendemos desde cedo o poder deste sentimento e ainda fomos enredados pelos contos de fadas nos ensinando que as histórias sempre têm finais felizes.

Mas esqueceram de nos preparar para as separações e por isso não sabemos lidar com elas. Entendemos separações como caos, fundo de poço, incompetência, incapacidade ou qualquer coisa que nos coloque bem para baixo.

Rejeição? Pior ainda. Basta que a pessoa nos rejeite e por mais que a gente não queira mais o relacionamento, a criatura passa a ser especial, atraente e desejada só por ter ameaçado ir embora. Grande e estúpido engano.

Temos um despreparo emocional para entender que separações podem ser sofridas, porém significam recomeços. Mas o perigo maior durante esse processo, é confundir amor com possessividade.

O sentimento de posse é capaz de paralisar a vida de qualquer um e confundir muitas decisões. Você não ama mais a pessoa, não sente falta da companhia, a voz cansa, o toque não arrepia, o tesão já arrumou as malas faz tempo, a conversa é chata, não existe nem sombra de romantismo. Todas as pessoas que te cercam já perceberam que você perdeu o brilho no olhar, até o cara da padaria já sabe que a relação acabou, mas você ainda não informou a pessoa. Ninguém aguenta mais ouvir as suas reclamações sobre infelicidade conjugal e ainda assim você continua lá ao lado da criatura.

E qual seria o motivo? Amor? Pena? Culpa? Você se pergunta, mas sequer cogita assumir o real sentido de tudo: a possessividade.

É aquela famosa máxima: “não quero pra mim, mas não quero que ninguém pegue”. Então você vai retardando a separação, vai distribuindo sofrimento por todos os cantinhos da alma, vai perdendo oportunidades e pessoas que poderiam te fazer bem mais feliz só porque não quer largar a entidade. Fica ali, sem tomar iniciativa, sem assumir que não ama mais, sem seguir em frente apenas pelo fato de não querer que a pessoa também siga.

Que morte horrível, hein?

Eu já falei algumas vezes aqui que separar é para os fortes! Fracos e covardes não se separam, preferem ficar ao lado do encosto a saber que alguém vai ficar com ele.

Sim, é difícil! Separação envolve dor, ressentimentos e ruptura de laços, mas adiamentos e meias verdades só nos fazem mal e não levam a lugar nenhum. Apesar do que ouvimos na infância, nem sempre as histórias são eternas. Acabar é tão natural como começar.

Não existem culpados. Não existem privilégios. A dor da separação é universal e igual para todo mundo. A diferença está apenas nos caminhos escolhidos.

O caminho dos que, mesmo com medo e o coração sofrido, optam pela liberdade de poder ser feliz sem culpas e o caminho dos que por egoísmo, posse e comodismo seguem sendo infelizes, traindo e enganando.

Cada um com suas escolhas e consequências. Mas que fique claro que dependência emocional e amor são coisas bem diferentes.

Namorar: como é isso?

Namorar: como é isso?

Parece estranho e pouco provável, mas tenho a dolorosa missão de confessar aqui que não sei mais atuar no papel de namorada. Sim, meus amigos, eu sei que isso é triste e me deixa com a sensação de incapacidade, mas o que posso fazer? Tanto tempo sem ter um namorado (no sentido mais real da palavra) que perdi o jeito e a habilidade.

A gente vai encontrando tanto embuste nessa vida de solteira que acaba por entrar nos moldes deles: mandar mensagem demais é grude, falar que tá com saudade é carência, falar “eu te amo” é botar o cabra pra correr, pedir pra dormir de conchinha é exagero, dizer pra onde vai é submissão, perguntar onde o outro está é ciúmes, se preocupar com o outro é desnecessário, se o cara sumir tem que agir com naturalidade, se demorar de responder as mensagens… também, sumir nos finais de semana deve ser encarado com normalidade, voltar dois dias depois com desculpas esfarrapadas… idem. Afffff!

Se encaixar nesse formato logo depois de um longo relacionamento é bastante complicado e sofrido porque você entende que está apenas ficando, mas o coração burro se apaixona e quer entrar no mesmo formato da relação de namoro. O problema é que quando demora para começar um novo relacionamento sério, como no meu caso, as coisas vão caminhando dessa forma descomprometida e o que passa a ser estranho é o compromisso sério do namoro.

Pense numa complicação! E você pode estar pensando: quanto tempo essa criatura ficou sozinha? Veja bem, companhias a gente sempre tem, claro! Mas companheiro, também conhecido como namorado, faz um bom tempo.

Eu já não sei mais como agir tendo alguém que faz questão de compartilhar as coisas, alguém que faz questão da minha presença e das minhas mensagens, alguém que quer fazer planos, que quer me ajudar a resolver os meus problemas, que me ouve, que sente falta do meu abraço e dos meus carinhos. Gente, eu não sei mais nem dividir a cama e passo a noite inteira acordada porque tem um ser ao meu lado. Socorro! São anos dormindo com vários travesseiros e agora tem ali na cama um corpo quente, musculoso, cheiroso e eu fico só olhando e achando que Sílvio Santos vai entrar a qualquer momento dizendo que é uma pegadinha.

Depois de muito tempo sem namorar, criamos hábitos específicos de independência. Não estou dizendo aqui que namorar é perder a individualidade, mas é inegável que é um processo de compartilhamento e trocas. E se você for o tipo que gosta da sua própria companhia é ainda mais difícil voltar a conviver com humanos invadindo sua casa, seu espaço, sua cama.

Brincadeiras à parte, eu sei que é só uma questão de tempo até que a “readaptação” aconteça, mas vale deixar um apelo aqui:

Que a gente não permita que corações frios e vazios nos contamine, que a gente saiba preservar a nossa essência, independente do tipo da relação do momento e que a gente nunca se sinta culpado por saber amar e dar carinho.

O mundo dos relacionamentos anda chato. É muita frivolidade e falta de respeito com os sentimentos alheios. Se a gente começar a economizar amor aí vai piorar tudo.

Pequenas doses de amor

Pequenas doses de amor

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: 

 

Seu amor é a coisa mais bonita que já me aconteceu.

E o que mais me encanta é que consigo perceber a verdade desse sentimento.

Me faz muito bem.

Me causa arrepios, coração disparado e sensações que há muito tempo não sentia.

Mas esse amor pode me fazer mal.

Não quero perde-lo, não quero abrir mão de sequer um pedacinho dele.

Mas você precisa saber como me amar.

Faça em doses homeopáticas, não me entregue tudo de vez.

A diferença entre o veneno e o remédio é a quantidade.

Me entregar todo esse sentimento de uma só vez, pode me deixar feliz por alguns minutos e sufocada pelo resto do tempo.

Não seja frio, mas não me mergulhe em uma intensidade que não posso administrar.

Vez ou outra me faça sentir falta.

Eu fui acostumada a lutar por tudo que quero e nada nunca veio fácil.

Talvez por isso seja difícil lidar com a chegada desse amor só pra mim, sem que eu viva desconfiada da verdade dele, sem que eu me sinta andando numa corda bamba.

Eu acho tão lindo e ao mesmo tempo tão inacreditável ser olhada como se eu fosse a única e mais interessante mulher desse mundo.

Mas por mais que você me elogie e diga que sou maravilhosa, eu sempre vou dizer que é gentileza sua e que não sou nada disso. Ignore, continue sendo doce e elogiando.

Sou assim mesmo. Me boicoto, entende?

Mas insista. Não desista de mim.

Eu quero todo esse amor e posso te dar o meu que é tão grande quanto.

Mas dê em gotas para não me afogar.

Talvez porque eu precise continuar com os meus espaços ou talvez porque quero economizar para que ele nunca acabe.

Não me ame menos, mas me ame com cuidado. Me prenda pra sempre, mas sempre me deixando livre.

Eu mereço mais

Eu mereço mais

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Justin Timberlake & Anna Kendrick – True Colors

 

O peito aperta, a vontade de chorar aparece a cada pensamento ameaçador, a ansiedade se espalha, o corpo perde a força e o ânimo resolve se esconder. Tudo isso acontece quando se está vivendo em uma montanha russa emocional.

Hoje, promessas, afagos, presença, declarações de amor e muitos planos. No dia seguinte, mentiras, desculpas esfarrapadas, mentiras, distância, mentiras, frieza, mentiras, mentiras e mentiras.

Não há nada que machuque mais o amor do que as mentiras. As vezes toscas e ridículas, em outras tão bem elaboradas e defendidas que chegam a se confundir com uma realidade paralela e doentia.

Não se sabe se é mais cruel descobrir o mentiroso ou ser subestimado por ele.

Analisamos a situação, percebemos tudo de errado que há nela e mesmo assim não conseguimos nos afastar. Esta fraqueza tem justificativa no amor porque ele é um sentimento tão nobre, limpo e leve que consegue ser maior que os atos mesquinhos, então muitas vezes tudo é relevado como se ainda restasse alguma esperança, afinal é dela que o amor enche o coração.

Mas depois de subir, descer, passar por loopings que quase arranca o coração pela boca, você percebe que é hora de descer dessa montanha russa.

Exatamente por ter tanto amor no peito, percebemos que não dá para se contentar com tão pouco. Essa conversa de que não existe nada perfeito e que sempre teremos defeitos para aceitar no outro é verdadeira até a página cinco. Depois disso passa a ser justificativa para aceitar quem não vale a pena.

E é nesse momento que a ficha cai, que a realidade vem à tona como se estivesse sedenta para ser percebida e que finalmente paramos diante do espelho, encaramos os nossos olhos e solitariamente, mas com muita certeza, dizemos: eu mereço mais!

Mereço mais que esse sentimento pequeno e dividido que estão querendo me oferecer como se fosse grande coisa, mereço mais que um cara pela metade, mereço mais que poucas verdades.

Eu mereço mais. Mereço ser feliz.

A bagunça que você fez

A bagunça que você fez

Se você quiser pode ler o texto ouvindo:

 

Quem te autorizou a entrar na minha vida e desorganizar o que eu levei anos para desacreditar?

Como é que você pode me olhar desse jeito, me amar desse jeito e dizer que me quer na sua vida? Eu já tinha estabelecido que tudo isso era ilusão.

Que olhar é esse que faz parecer que sou única e perfeita? Isso é golpe baixo.

Como é possível você reparar em todos os detalhes e sentir até a diferença entre o cheiro do meu perfume e do meu shampoo?

Que química é essa que faz tua mão queimar a minha pele e me acender inteira?

Como lidar com essa sua doçura de querer aprender e melhorar sempre que falo sobre alguma coisa que você faz e eu não gosto?

Qual a intenção de ficar olhando e elogiando o meu corpo, mesmo eu dizendo que tem um monte de coisa errada nele?

Quais os motivos que fazem você enxergar em mim qualidades que eu nem sabia que eram qualidades?

Você chegou e bagunçou tudo!

Eu já tinha desistido de viver um amor assim. Achei que esse tipo de romance só estava lá nos meus sonhos de menina romântica.

Bloqueei em mim qualquer tipo de esperança em encontrar alguém como você… carinhoso, companheiro, atencioso, romântico e com os olhos ardendo de desejo.

Eu já nem sabia o que era ter alguém “inteiro” ao meu lado.

E agora você jogou por terra o muro enorme que construí em volta do meu coração. Procuro por todos os lados e não encontro as minhas paredes de segurança, os meus velhos medos, os traumas cultivados e assim me sinto perdida como se tudo isso me protegesse para não amar de novo.

Mas aí você me beija… e é no teu beijo que eu, verdadeiramente, me encontro e esqueço todo o resto.

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