É amor ou posse?

É amor ou posse?

Nós fomos programados para amar. Aprendemos desde cedo o poder deste sentimento e ainda fomos enredados pelos contos de fadas nos ensinando que as histórias sempre têm finais felizes.

Mas esqueceram de nos preparar para as separações e por isso não sabemos lidar com elas. Entendemos separações como caos, fundo de poço, incompetência, incapacidade ou qualquer coisa que nos coloque bem para baixo.

Rejeição? Pior ainda. Basta que a pessoa nos rejeite e por mais que a gente não queira mais o relacionamento, a criatura passa a ser especial, atraente e desejada só por ter ameaçado ir embora. Grande e estúpido engano.

Temos um despreparo emocional para entender que separações podem ser sofridas, porém significam recomeços. Mas o perigo maior durante esse processo, é confundir amor com possessividade.

O sentimento de posse é capaz de paralisar a vida de qualquer um e confundir muitas decisões. Você não ama mais a pessoa, não sente falta da companhia, a voz cansa, o toque não arrepia, o tesão já arrumou as malas faz tempo, a conversa é chata, não existe nem sombra de romantismo. Todas as pessoas que te cercam já perceberam que você perdeu o brilho no olhar, até o cara da padaria já sabe que a relação acabou, mas você ainda não informou a pessoa. Ninguém aguenta mais ouvir as suas reclamações sobre infelicidade conjugal e ainda assim você continua lá ao lado da criatura.

E qual seria o motivo? Amor? Pena? Culpa? Você se pergunta, mas sequer cogita assumir o real sentido de tudo: a possessividade.

É aquela famosa máxima: “não quero pra mim, mas não quero que ninguém pegue”. Então você vai retardando a separação, vai distribuindo sofrimento por todos os cantinhos da alma, vai perdendo oportunidades e pessoas que poderiam te fazer bem mais feliz só porque não quer largar a entidade. Fica ali, sem tomar iniciativa, sem assumir que não ama mais, sem seguir em frente apenas pelo fato de não querer que a pessoa também siga.

Que morte horrível, hein?

Eu já falei algumas vezes aqui que separar é para os fortes! Fracos e covardes não se separam, preferem ficar ao lado do encosto a saber que alguém vai ficar com ele.

Sim, é difícil! Separação envolve dor, ressentimentos e ruptura de laços, mas adiamentos e meias verdades só nos fazem mal e não levam a lugar nenhum. Apesar do que ouvimos na infância, nem sempre as histórias são eternas. Acabar é tão natural como começar.

Não existem culpados. Não existem privilégios. A dor da separação é universal e igual para todo mundo. A diferença está apenas nos caminhos escolhidos.

O caminho dos que, mesmo com medo e o coração sofrido, optam pela liberdade de poder ser feliz sem culpas e o caminho dos que por egoísmo, posse e comodismo seguem sendo infelizes, traindo e enganando.

Cada um com suas escolhas e consequências. Mas que fique claro que dependência emocional e amor são coisas bem diferentes.

Namorar: como é isso?

Namorar: como é isso?

Parece estranho e pouco provável, mas tenho a dolorosa missão de confessar aqui que não sei mais atuar no papel de namorada. Sim, meus amigos, eu sei que isso é triste e me deixa com a sensação de incapacidade, mas o que posso fazer? Tanto tempo sem ter um namorado (no sentido mais real da palavra) que perdi o jeito e a habilidade.

A gente vai encontrando tanto embuste nessa vida de solteira que acaba por entrar nos moldes deles: mandar mensagem demais é grude, falar que tá com saudade é carência, falar “eu te amo” é botar o cabra pra correr, pedir pra dormir de conchinha é exagero, dizer pra onde vai é submissão, perguntar onde o outro está é ciúmes, se preocupar com o outro é desnecessário, se o cara sumir tem que agir com naturalidade, se demorar de responder as mensagens… também, sumir nos finais de semana deve ser encarado com normalidade, voltar dois dias depois com desculpas esfarrapadas… idem. Afffff!

Se encaixar nesse formato logo depois de um longo relacionamento é bastante complicado e sofrido porque você entende que está apenas ficando, mas o coração burro se apaixona e quer entrar no mesmo formato da relação de namoro. O problema é que quando demora para começar um novo relacionamento sério, como no meu caso, as coisas vão caminhando dessa forma descomprometida e o que passa a ser estranho é o compromisso sério do namoro.

Pense numa complicação! E você pode estar pensando: quanto tempo essa criatura ficou sozinha? Veja bem, companhias a gente sempre tem, claro! Mas companheiro, também conhecido como namorado, faz um bom tempo.

Eu já não sei mais como agir tendo alguém que faz questão de compartilhar as coisas, alguém que faz questão da minha presença e das minhas mensagens, alguém que quer fazer planos, que quer me ajudar a resolver os meus problemas, que me ouve, que sente falta do meu abraço e dos meus carinhos. Gente, eu não sei mais nem dividir a cama e passo a noite inteira acordada porque tem um ser ao meu lado. Socorro! São anos dormindo com vários travesseiros e agora tem ali na cama um corpo quente, musculoso, cheiroso e eu fico só olhando e achando que Sílvio Santos vai entrar a qualquer momento dizendo que é uma pegadinha.

Depois de muito tempo sem namorar, criamos hábitos específicos de independência. Não estou dizendo aqui que namorar é perder a individualidade, mas é inegável que é um processo de compartilhamento e trocas. E se você for o tipo que gosta da sua própria companhia é ainda mais difícil voltar a conviver com humanos invadindo sua casa, seu espaço, sua cama.

Brincadeiras à parte, eu sei que é só uma questão de tempo até que a “readaptação” aconteça, mas vale deixar um apelo aqui:

Que a gente não permita que corações frios e vazios nos contamine, que a gente saiba preservar a nossa essência, independente do tipo da relação do momento e que a gente nunca se sinta culpado por saber amar e dar carinho.

O mundo dos relacionamentos anda chato. É muita frivolidade e falta de respeito com os sentimentos alheios. Se a gente começar a economizar amor aí vai piorar tudo.

Pequenas doses de amor

Pequenas doses de amor

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: 

 

Seu amor é a coisa mais bonita que já me aconteceu.

E o que mais me encanta é que consigo perceber a verdade desse sentimento.

Me faz muito bem.

Me causa arrepios, coração disparado e sensações que há muito tempo não sentia.

Mas esse amor pode me fazer mal.

Não quero perde-lo, não quero abrir mão de sequer um pedacinho dele.

Mas você precisa saber como me amar.

Faça em doses homeopáticas, não me entregue tudo de vez.

A diferença entre o veneno e o remédio é a quantidade.

Me entregar todo esse sentimento de uma só vez, pode me deixar feliz por alguns minutos e sufocada pelo resto do tempo.

Não seja frio, mas não me mergulhe em uma intensidade que não posso administrar.

Vez ou outra me faça sentir falta.

Eu fui acostumada a lutar por tudo que quero e nada nunca veio fácil.

Talvez por isso seja difícil lidar com a chegada desse amor só pra mim, sem que eu viva desconfiada da verdade dele, sem que eu me sinta andando numa corda bamba.

Eu acho tão lindo e ao mesmo tempo tão inacreditável ser olhada como se eu fosse a única e mais interessante mulher desse mundo.

Mas por mais que você me elogie e diga que sou maravilhosa, eu sempre vou dizer que é gentileza sua e que não sou nada disso. Ignore, continue sendo doce e elogiando.

Sou assim mesmo. Me boicoto, entende?

Mas insista. Não desista de mim.

Eu quero todo esse amor e posso te dar o meu que é tão grande quanto.

Mas dê em gotas para não me afogar.

Talvez porque eu precise continuar com os meus espaços ou talvez porque quero economizar para que ele nunca acabe.

Não me ame menos, mas me ame com cuidado. Me prenda pra sempre, mas sempre me deixando livre.

Eu mereço mais

Eu mereço mais

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Justin Timberlake & Anna Kendrick – True Colors

 

O peito aperta, a vontade de chorar aparece a cada pensamento ameaçador, a ansiedade se espalha, o corpo perde a força e o ânimo resolve se esconder. Tudo isso acontece quando se está vivendo em uma montanha russa emocional.

Hoje, promessas, afagos, presença, declarações de amor e muitos planos. No dia seguinte, mentiras, desculpas esfarrapadas, mentiras, distância, mentiras, frieza, mentiras, mentiras e mentiras.

Não há nada que machuque mais o amor do que as mentiras. As vezes toscas e ridículas, em outras tão bem elaboradas e defendidas que chegam a se confundir com uma realidade paralela e doentia.

Não se sabe se é mais cruel descobrir o mentiroso ou ser subestimado por ele.

Analisamos a situação, percebemos tudo de errado que há nela e mesmo assim não conseguimos nos afastar. Esta fraqueza tem justificativa no amor porque ele é um sentimento tão nobre, limpo e leve que consegue ser maior que os atos mesquinhos, então muitas vezes tudo é relevado como se ainda restasse alguma esperança, afinal é dela que o amor enche o coração.

Mas depois de subir, descer, passar por loopings que quase arranca o coração pela boca, você percebe que é hora de descer dessa montanha russa.

Exatamente por ter tanto amor no peito, percebemos que não dá para se contentar com tão pouco. Essa conversa de que não existe nada perfeito e que sempre teremos defeitos para aceitar no outro é verdadeira até a página cinco. Depois disso passa a ser justificativa para aceitar quem não vale a pena.

E é nesse momento que a ficha cai, que a realidade vem à tona como se estivesse sedenta para ser percebida e que finalmente paramos diante do espelho, encaramos os nossos olhos e solitariamente, mas com muita certeza, dizemos: eu mereço mais!

Mereço mais que esse sentimento pequeno e dividido que estão querendo me oferecer como se fosse grande coisa, mereço mais que um cara pela metade, mereço mais que poucas verdades.

Eu mereço mais. Mereço ser feliz.

A bagunça que você fez

A bagunça que você fez

Se você quiser pode ler o texto ouvindo:

 

Quem te autorizou a entrar na minha vida e desorganizar o que eu levei anos para desacreditar?

Como é que você pode me olhar desse jeito, me amar desse jeito e dizer que me quer na sua vida? Eu já tinha estabelecido que tudo isso era ilusão.

Que olhar é esse que faz parecer que sou única e perfeita? Isso é golpe baixo.

Como é possível você reparar em todos os detalhes e sentir até a diferença entre o cheiro do meu perfume e do meu shampoo?

Que química é essa que faz tua mão queimar a minha pele e me acender inteira?

Como lidar com essa sua doçura de querer aprender e melhorar sempre que falo sobre alguma coisa que você faz e eu não gosto?

Qual a intenção de ficar olhando e elogiando o meu corpo, mesmo eu dizendo que tem um monte de coisa errada nele?

Quais os motivos que fazem você enxergar em mim qualidades que eu nem sabia que eram qualidades?

Você chegou e bagunçou tudo!

Eu já tinha desistido de viver um amor assim. Achei que esse tipo de romance só estava lá nos meus sonhos de menina romântica.

Bloqueei em mim qualquer tipo de esperança em encontrar alguém como você… carinhoso, companheiro, atencioso, romântico e com os olhos ardendo de desejo.

Eu já nem sabia o que era ter alguém “inteiro” ao meu lado.

E agora você jogou por terra o muro enorme que construí em volta do meu coração. Procuro por todos os lados e não encontro as minhas paredes de segurança, os meus velhos medos, os traumas cultivados e assim me sinto perdida como se tudo isso me protegesse para não amar de novo.

Mas aí você me beija… e é no teu beijo que eu, verdadeiramente, me encontro e esqueço todo o resto.

Tá escrito mesmo?

Tá escrito mesmo?

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Out of Reach – Gabrielle

 

Depois de muitas desilusões amorosas, é comum pensar que já estamos prontos para a próxima decepção e que nada nos abalará como antes. Que grande engano!

Mais uma vez aconteceu e ignorando toda vã filosofia de explicar as sensações, resumo a história dizendo que estou aqui naquele velho e conhecido fundo do poço. O lugar é familiar, mas nem por isso a dor fica menor.

Olho ao redor e percebo que um romance curto e instantâneo foi tão devastador quanto os que duraram muito tempo. Veio como uma avalanche de alegria, paixão e encantamento e pouco tempo depois me tirou o chão.

Parecia perfeito, da forma que eu sempre esperei, do jeito que um amor verdadeiro tem que ser, só que nesse caso veio carregado de mentiras.

A história se repetiu, mas dessa vez doeu mais porque o sentimento foi maior. Foi amor real antes mesmo de acabar a paixão. Foi tão intenso que tudo se misturou… bocas, corpos, sorrisos, palavras, afetos, desejos e uma infinidade de arrepios.

Foi forte e me fez forte. Precisou terminar e me fez frágil.

É assim que me sinto: frágil. Estou cansada de tantos fins e querendo perguntar ao universo se em alguma página dele está escrito que vou conseguir viver um amor tranquilo e sem sustos ou se isso é só uma intuição boba.

Será que está escrito mesmo? Será que vale a pena acreditar nisso ou é melhor nunca mais apostar em nenhuma relação e continuar vivendo só de momentos? Eu gosto da minha companhia, da minha solidão bem resolvida, mas não há nada como amar e ser amada.

E mesmo passando por mais uma história curta, mesmo sendo mais um amor que nasceu e virou poesia, agradeço cada segundo de felicidade que me trouxe.

Vai passar, como todos passaram, mas por enquanto não sei dizer onde dói e me sinto incapaz de esquecer o rosto de quem me fez feliz.

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