Mergulhos rasos

Mergulhos rasos

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Fall – Ed Sheeran

 

Todo mundo sabe que para mergulhar precisa de profundidade, mas vez ou outra a gente se pega indo de cabeça em direção a águas rasas. O mar parece encantador, cristalino, hipnotizante e sem pensar a gente se joga, embora saiba que vai se machucar na areia.

Eu poderia estar falando do mar mesmo, mas estou falando é de sentimentos.

As vezes a certeza de que não vai dar em nada é tão grande que não dá pra entender pra que tanta empolgação, tanta energia canalizada para alguém que está só passando. É confuso, angustiante, mas ao mesmo tempo é como voltar à tona e respirar de uma maneira diferente, são sensações tão boas que fica difícil levar a sério teorias, tratados, presságios e tudo mais.

E mesmo sabendo que as águas são rasas a gente mergulha!

Não tem explicação ou lógica. Não tem como justificar atitudes que, racionalmente, nós sabemos que estão longe do bom senso ou da razão.

Ilusão? Também não. Ninguém pode dizer que foi iludido conhecendo o terreno que está pisando. É claro que o coração não é de gelo e pode ser tocado, sim, mas aí é uma consequência para quem solta a mão da razão e abraça a felicidade… faz parte do jogo.

É natural e já aconteceu com quase todo mundo. Quem nunca?

O pior de tudo (ou seria o melhor de tudo?) é quando a pessoa que você está mergulhando raso faz cada momento valer a pena, cada segundo. Parece que leu o seu manual de instruções e sabe tudo que pode te arrancar sorrisos, sabe a palavra certa para cada situação, sabe até te deixar vermelha com os elogios.

Você pode achar que é crueldade tanta doçura quando está claro que tudo vai se dissipar na cronologia estabelecida pelas relações passageiras. Obviamente, não dá pra ficar ileso ou insensível quando esse alguém vai embora de uma hora para a outra, da mesma forma que veio.

Então você tem que aprender a administrar a perda daquilo que, de fato, nunca te pertenceu. E os mergulhos rasos acabam servindo também para nos ensinar sobre a vida, afinal os quase amores, aqueles que não chegaram a ser, são os que mais ensinam.

Agora é tarde

Agora é tarde

Se você quiser pode ler o texto ouvindo:

 

Aí você ressurgiu no último dia do ano. Assim… do nada.

Quando a mensagem chegou e vi a notificação na tela do celular levei alguns minutos para ligar o nome à pessoa.

Estava ali. Aquele nome que tantas vezes saiu da minha boca, aquele nome que fazia o meu dia mudar para melhor todas as vezes que aparecia no whatsapp.

Não era uma mensagem dessas coletivas que se dispara para a agenda inteira.

Era especificamente pra mim:

“Sinto sua falta. O meu pedido de ano novo é ter você de volta. Ainda te amo”.

Linda mensagem… se não fosse enviada tão tarde, aliás depois de muitas horas e muitos meses de quando eu esperei que ela chegasse.

Respondo um “feliz ano novo” simples, direto e finalizador, mas você não se contenta.

Quer saber se o meu coração está ocupado, se tenho ficado com alguém. Quer saber da minha vida, quem são os novos amigos que apareceram nas minhas últimas postagens do instagram, se ainda vou na mesma praia… se ainda penso em você.

Não posso evitar que a ironia tome conta das minhas palavras e finalizo a conversa com “acho um pouco tarde pra todas essas perguntas”.

Mas você insiste e diz que quer pelo menos uma chance de me ver de novo, que precisa de uma última conversa me olhando nos olhos de novo.

Eu deixo sem resposta, mas me pergunto em que mundo você vive. Deve ser algum lugar onde seja normal esnobar o sentimento alheio, desvalorizar, achar que pode tratar de qualquer maneira, ir embora sem se importar com a dor que deixou no coração do outro e depois voltar como se nada tivesse acontecido, retomando de algum ponto que já foi apagado da (minha) história.

Que pena! Não de você, mas de mim por ter percebido tão tarde o tipo de pessoa que estava ao meu lado.

Para todas as suas perguntas… uma única resposta: estou feliz e deixando você no passado junto com o ano que acabou de ir embora e que com certeza não volta mais, assim como espero que seja o seu caso.

Suas mentiras sinceras

Suas mentiras sinceras

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Sam Smith

 

Você vive dizendo que pensa em mim

Que repara quando mudo o cabelo e ainda diz como prefere

Curte todas as minhas fotos e manda mensagem comentando

Diz que gosta do meu jeito mesmo sem me conhecer muito bem

Elogia a minha roupa, o meu perfume…

Presta atenção em tudo o que falo e lembra os detalhes depois

Fala que sente vontade de me ver, que sente falta dos nossos papos…

Confesso que tudo isso me perturba um pouco

Chego bem perto de acreditar e então olho pra você e digo:

“Para de mentir”

Você sorri e me diz:

“Para de não acreditar”

O problema é que eu quero muito acreditar, mas você chegou depois que o meu estoque de confiança passou por muitos desfalques.

Já ouvi palavras e promessas bem parecidas com as suas e que não passaram de ilusões

Mas devo admitir que das outras vezes nenhum olhar me abalou tanto quanto o seu

Nenhuma mentira veio acompanhada de um sorriso leve como o seu

Ninguém me enganou com esse tom de voz que você tem

Eu nunca tive tanta vontade que tudo fosse verdade como tenho agora

Você segue tentando me fazer acreditar

E eu sigo tentando não me encantar com as suas mentiras sinceras… e desejando que elas sejam verdades

Sobre a paixão

Sobre a paixão

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Begin Again

 

Dizem que amar é feito andar de ônibus. Vez ou outra a gente precisa tomar uns solavancos para não dormir o percurso inteiro e perder a beleza da paisagem.

Pensando assim eu diria então que a paixão é um caminho inteiro de trilhas íngremes e perigosas. A adrenalina não passa.

Se apaixonar é estar com o coração na boca a todo instante ao imaginar o próximo encontro, a próxima mensagem ou o próximo olhar.

É tremer o corpo só em saber da presença, é quando até o sorriso da pessoa te faz esquecer o final da frase que estava falando.

É uma expectativa eterna para o primeiro beijo, o primeiro toque, a primeira vez.

Se apaixonar é se tornar a mais corajosa das pessoas e a mais covarde também.

É conseguir falar para centenas de pessoas e mal sustentar o olhar ao cumprimentar quem te desperta essa paixão.

É acordar se sentindo diferente e não saber explicar bem o motivo.

É manter um sorriso idiota nos lábios quando lembra da pessoa.

Se apaixonar é um presente.

Dá vontade de agradecer por todas as sensações deliciosas.

E mesmo quando essa paixão não se concretiza, quando é platônica, impossível, improvável… de qualquer forma é muito bom poder sentir tudo isso.

É feliz quem sabe viver esse momento sem se preocupar ou planejar muito.

É sábio quem entende que a alma se renova e o coração pulsa mais forte com a paixão e que tudo isso já é motivo suficiente para estar feliz e recomeçar.

Aplicativos de paquera – Parte II

Aplicativos de paquera – Parte II

No último post escrevi sobre os aplicativos de paquera, mas me pediram para falar de forma mais detalhada sobre o comportamento de alguns rapazes por lá. Então aqui vai o complemento.

Aproveito pra dizer que os meninos podem (e devem) deixar suas observações nos comentários. Eu não conheço os perfis femininos, nem as experiências de vocês, então me contem.

Enquanto isso do lado de cá…

Moços seguem postando fotos exibindo copos de cerveja como se isso significasse charme ou um elemento infalível para atrair uma curtida.

As descrições no perfil são ótimas quando tem sinceridade e deixa claro o que o cara quer. Porém… as outras com informações do tipo: “Se quiser ser feliz venha descobrir quem sou. Eu deixo”… Estas são dispensáveis, tá? Parece até chamada para conhecer um resort.

É feio também os que descrevem o tipo de mulher que querem: “Em busca de uma mulher inteligente e sem frescuras”… como se fossem tão maravilhosos a ponto de exigir alguma coisa.

Alguns caras são péssimos na abordagem. Tem os que já começam te chamando de “meu bem”, outros que ficam interrogando como se você estivesse naquela sala com espelhos da delegacia: “mora onde?”, “faz o que?”. Eu, hein! Normal perguntar essas coisas, mas saibam inserir no meio do papo e não nesse tom de pesquisa do IBGE.

Existem aqueles que estão até hoje nos anos 90, época em que sala de bate-papo fazia sucesso e por isso continuam com uma linguagem que se usava por lá: “De onde teclas?” (não tenho força pra responder isso, gente… deixo no vácuo).

Tem aqueles que puxam papo e a conversa tá super fluindo… daí somem. Você fica sem saber se morreu ou entrou para alguma seita. Então do nada voltam renascidos das cinzas e alegam que os dias estavam tumultuados (Amor, eu sei que você estava atacando em outras frentes e agora voltou pra falar comigo. Bobinho… tsc, tsc).

Os mais novos são um capítulo à parte. Eles são preparadíssimos. Sabem o que dizer e se você tenta argumentar algo sobre a idade, vai receber uma bela lição de que deveria ser uma mulher mais confiante na sua beleza e no seu poder de sedução. Que você é linda e que idade não tem nada a ver. E esse é só um exemplo, pois eles vão muito além. Pense num povo que sabe usar as frases certas. São perigosíssimos!

Não vou me estender muito para não ficar parecendo uma chatinha que reclama de tudo. Na verdade, são só constatações. Sou muito observadora e na maioria das vezes me divirto com estas situações.

Lá tem perfis bacanas e já conheci pessoas bem legais. Não tive nenhuma experiência de envolvimento, mas já me contaram várias histórias de namoros que começaram por lá.

No outro post falei muito sobre “buscar algo sério” no aplicativo, mas isso não tem nada a ver com desespero. Para engatar um namoro é preciso conhecer, descobrir afinidades, diferenças, um pouco da personalidade e toda essa fase inicial que vocês bem conhecem.

Apenas não tenho paciência para a frivolidade de certos homens que usam o aplicativo como cardápio para escolher o prato do dia.

Por hoje é só, pessoal!

Aplicativos de Paquera – Parte I

Aplicativos de Paquera – Parte I

O papo hoje é sobre aplicativos de paquera. Sim, já falei sobre esse assunto algumas vezes aqui, mas volto a falar por motivos de: deu vontade. E esse post será dividido em duas partes.

Vamos lá! Depois de um longo e gostoso inverno, resolvi baixar de novo um desses aplicativos (e só para esclarecer não foi o demônio do Tinder… foi o Happn).

Sabe como é… cansada dessas baladas onde os homens parecem uns caçadores disputando quem pega mais. Aí você pode dizer: “Mas na balada, Liz? Lá você não vai achar ninguém que queira algo sério”. Pois é, mas em outros lugares também não tem não. Nos cinemas, teatros, cafés, museus e afins, só aparecem homens acompanhados. Os solteiros ou são gays ou foram encontrar alguém… por isso resolvi voltar para aquele recinto.

Confesso que dá uma certa preguiça daquele ritual que acontece cada vez que aparece alguém interessante e tem aquela troca de informações: profissão, o que gosta de fazer pra se divertir, onde mora, se bebe, se fuma, qual o signo, etc, etc… mas tem que ser por aí mesmo, né? O bom é que a maioria você já descarta pela forma que se descreve no perfil. Tem de tudo, minha gente! Noivo, casado, casais que querem uma terceira pessoa para fazer umas brincadeiras e os caras que querem só sexo.

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Quando me perguntam o que estou fazendo por lá, digo logo que não estou procurando sexo. Claro que isso será uma consequência, mas não o único objetivo. Porém alguns nem perguntam nada e já vão mostrando o que querem. Vejam esta delicadeza (só que não) de conversa com um cara que me abordou outro dia:

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Notaram o “em sua casa”? A minha resposta:

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E os que acham que pelo fato de escrever sobre sexo estou lá procurando cobaias:

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Até que pesquiso mesmo e isso é involuntário já que tenho esse blog, mas juro que nunca fiz teste do sofá com nenhum.

Só pra deixar claro, estas considerações que estou fazendo são minhas e não pretendo definir nada. É apenas o que percebo no funcionamento da paquera nesse mundo virtual.

Vale lembrar que muita gente adora esta forma de se relacionar. É fácil perceber que os tímidos se sentem muito confortáveis nesse ambiente. Para estas pessoas, no aplicativo tudo funciona de forma menos tensa. Quando o perfil é curtido, só pelas fotos, já se tem uma prévia aprovação então dá pra perder o medo da rejeição e ir à luta. Mas aí é que mora o perigo! A autoestima se eleva e o cara passa a se achar o “pica das galáxias”. O aplicativo lhe dá uma segurança imaginária e então o moço acredita que tá bombando e começa a bagunçar.

A grande verdade é que esses aplicativos ajudam, mas há riscos. Seu uso excessivo pode gerar um ego gigantesco e sem freios. Estar neste tipo de ambiente de paquera sem respeitar limites pode iludir os dois lados. Os homens seguirão achando que podem ter todas as mulheres que desejarem e as mulheres seguirão sem saber com quantas outras estão “disputando” o cara.

É lógico que existem (raríssimas) exceções por lá e é possível encontrar alguns caras que queiram mesmo algo sério, que tenham vontade de conhecer uma mulher “de cada vez” e até se envolvam de forma séria. Assim como também existem algumas mulheres que não estão em busca de algo tão sério assim:

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Enquanto alguns acham que deveria existir mais seriedade, outros adoram é a zoeira mesmo.

Como eu disse, não estou aqui para estabelecer verdades absolutas e respeito as diversas formas de pensamentos. Mas cheguei à conclusão que gosto mesmo é da paquera que começa com olhares, sorrisos, que dá frio na barriga só de passar perto e falar um “Oi, fulano”. Mas como tá difícil esta possibilidade no mundo real, vamos seguindo com as oportunidades do mundo virtual mesmo. É o que tem pra hoje!

 

Os prints das conversas com os moços são do meu aplicativo. O print do perfil da moça foi encaminhado por um moço que me deu algumas contribuições para o texto. As demais imagens foram encontradas no Google sem créditos.  

 

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