Crush e Contatinho

Crush e Contatinho

No mundo dos relacionamentos muita coisa continua igual, mas outras mudaram muito. Namoro, por exemplo, é algo quase em extinção, em contrapartida o povo tem inventado várias modalidades para se relacionar.

Enfim… não vou entrar nesse assunto agora. O que quero falar aqui é sobre as nomenclaturas usadas para identificar o alvo. Sim, o objeto de desejo, dos sonhos, da vontade… a pessoa que você está se encantando, apaixonando ou só com um pouco de interesse mesmo.

Outro dia eu conversava com uns colegas do trabalho e um deles perguntou a diferença entre “crush” e “contatinho”. Foi uma confusão até todo mundo entender as definições corretas. Depois começamos a falar do termo “ficantes” e por aí foi a conversa.

Muitos nomes já foram usados no universo do jogo da sedução. Certamente você vai lembrar de alguns como: paquera, peguete, bofe, ponta, boy, rolo, boy magya, frete… e outros.

contatinho3

Mas agora todo mundo tem que se atualizar, afinal estamos na era dos CRUSHS.

Caso alguém ainda não saiba o que é, explico: crush nada mais é que uma gíria em inglês que significa alguém por quem você tem uma “queda”, alguém por quem você seja apaixonado, ainda que não esteja pegando, entendeu? É por quem seu coração bate mais forte.

Só que mal acabamos de nos acostumar com esta expessão e eis que surge uma outra, o tal do CONTATINHO.

Mas o que vem a ser este ser?

Vamos lá:

Contatinho é quem você pega enquanto não consegue pegar o crush e tá sem fazer nada. O contatinho tá sempre disponível e o crush você ainda tem que conquistar. O crush você quer pra algo mais sério e o contatinho só pra “dar uns pega”.

Contatinho você pode ter vários, já o crush… também. Isso vale para os quem conseguem administrar muita gente ao mesmo tempo.

contatinho2

Contatinho é aquele que você pode encontrar na balada com outra pessoa do lado e tá tudo bem, o Crush se estiver acompanhado já te desestrutura. Contatinho é pra se divertir enquanto não chega o dia de ter o crush ao seu lado.

Crush pode ser platônico também… nem sempre é algo concreto, muitas vezes mora só no seu coração e no seu desejo.

É isso aí, gente! Vamos nos atualizando com os novos termos, apesar de que tem outros que nunca mudam, como é o caso dos “FICANTES”.

Particularmente, tenho horror à este termo, afinal essa pessoa tá sempre PASSANDO e nunca FICANDO de verdade. Existem até casos de ficantes que se tornaram namorados, mas a grande maioria só vem, passa alguns dias ou semanas e depois vai embora. Quando você não se apaixona até que não tem problema, mas do contrário segue colecionando o fim de pequenas paixões no coração.

A grande verdade é que as expressões vão se renovando, mas as situações já existem desde que o mundo é mundo, gente! E se existir dúvida na hora de medir o sentimento e saber quem importa mais, basta recorrer ao teste (também já existente) do frio na barriga.

A pessoa que causar este sintoma é a única que vai te fazer parar o baile.

Deu match

Deu match

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Ed Sheeran

 

Ele gostou dela mesmo depois dela dizer que não conhecia nada dos Beatles e que preferia os Rolling Stones.

Ela gostou dele mesmo depois de reparar naquela rabugice de reclamar de quase tudo.

Ele gostou dela mesmo percebendo que nela morava uma certa impaciência e alguns medos bobos.

Ela gostou dele mesmo depois que ele disse que toda essa história de combinações entre os signos não faz nenhum sentido.

Ele gostou dela mesmo não entendendo o motivo dos sorrisos fáceis que ela dava a todo momento.

Ela gostou dele mesmo vendo que aquela calça jeans não tinha nada a ver com o tênis.

Ele gostou dela mesmo não sendo romântico e vendo que ela era.

Ela gostou dele mesmo cansada de ouvir as mesmas conversas sobre “não sei se estou preparado para me envolver”.

Ele gostou dela mesmo depois dela dizer que não gostava de cozinhar.

Ela gostou dele mesmo quando percebeu que ele roía as unhas.

Ele gostou dela mesmo quando ela contou que está cada vez mais difícil confiar nos homens.

Ela gostou dele quando se despediram e ele pediu que ela mandasse uma mensagem quando chegasse em casa.

Ele gostou dela mesmo não sabendo se ela aceitaria um segundo encontro.

Ela gostou dele mesmo percebendo tanta coisa que a atraía e que a afastava em uma mesma pessoa.

Ele gostou dela sem saber muito por quais motivos e mesmo sem conhecer todos esses motivos sentiu vontade de tentar.

Ela gostou dele. Ele gostou dela.

E mesmo sem acreditarem muito que daria certo, resolveram apostar que daria.

 

 

‘Ex’ tem prazo de validade?

‘Ex’ tem prazo de validade?

No último final de semana, eu conversava com alguns amigos e, claro, surgiu o assunto ‘relacionamentos’. Tudo começou quando uma das amigas citou algo sobre seu ex namorado e um outro amigo perguntou:

– Tem quanto tempo que você terminou esse último namoro?

– Dez anos.

– DEZ??? Ah, fia… então nem cita porque esse namoro já prescreveu.

Todos rimos muito, mas depois percebemos que poucos estavam em situação melhor. O que tinha menos tempo de fim de namoro havia terminado há cinco anos. Caso, rolo, ficante, contatinho… todo mundo tinha, mas namoro, namoro meeeesmo, concluímos que estávamos todos defasados.

O tom da conversa era de brincadeira, mas não pude deixar de pensar sério sobre o assunto. A questão não é a neura por estarmos solteiros, mas com uma distância tão grande da última experiência de namoro, já não vale mais atribuir ao ex muitas questões, tipo culpar a pessoa pela depressão ou fase ruim que está vivendo afirmando ser sequela da decepção vivida nesse último namoro.

Se depois de cinco anos você não superou, refletiu, se auto avaliou, descobriu os erros que cometeu na época e ponderou as atitudes do outro, desculpa, mas há algo errado com você.

Após tanto tempo assim, se você ainda fala da criatura com rancor, mágoa e sentimento de vingança, seu caso é sério. Cultivar tudo isso faz um mal sem precedentes e você deve estar com o emocional bem complicado.

Obviamente, algumas experiências são bem negativas e marcam pra sempre mesmo, mas viver chorando em cima delas e maldizendo a vida por algo que aconteceu há muitos anos, seguramente está atrapalhando a sua vida e bloqueando as energias boas.

Mas e aí? Não se pode mais citar um ex se o relacionamento aconteceu há mais de cinco anos? Sim. Pode e deve. Só não vale falar da situação como se tivesse acontecido ontem, né? Como se aquela história ainda estivesse muito próxima e impactando na sua vida até os dias atuais.

Não é feio assumir que faz muito tempo que você não namora. Feio é achar que só pode ser feliz se estiver namorando.

Acabou antes de começar

Acabou antes de começar

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Grant Lee Phillips – Boys dont cry

 

Tem gente que entra na nossa vida, mas nunca sai.

Mesmo que tenha ido embora, mesmo que não esteja no campo de visão ou na lista de contatos, tá sempre ali. Nunca vai.

Isso acontece muito com aquelas histórias que começam sem tanta certeza e a gente fica reticente entre seguir ou mandar um ponto final. Tipo aqueles casos que aparecem entre uma relação e outra, sabe? Não se transformam em namoro, mas marcam.

No início parece que não vai dar em nada porque você ainda está emocionalmente envolvido com o fim da relação anterior ou até mesmo por não ter interesse na pessoa, depois aquilo vai crescendo e tomando uma proporção maior.

Mas começou sem credibilidade, sem segurança do que se queria. Por uma série de motivos o medo ronda e no benefício da dúvida você desiste antes mesmo de começar.

Depois que finaliza bate um certo arrependimento porque você percebe que houve algum efeito lá no fundinho do peito. Será que era pra ser? Será que foi uma grande merda cortar pela raiz? As perguntas ficam sobrevoando, mas você acha melhor nem pensar mais nisso e é aí que está o erro.

Talvez fosse a hora de correr em busca do que foi deixado e viver essa história que teve começo, mas não passou pelo meio, muito menos pelo fim. É mais ou menos como Romeu e Julieta que não viveram o que tinham para viver e por isso nunca vamos saber se seria para sempre ou até que a primeira pisada na bola acabasse com tudo.

É por isso que essas pessoas nunca vão embora de dentro de nós… por causa desse não saber como seria. Não vivemos o ciclo completo.

Então elas ficam ali encubadas em algum lugar do coração. Você pode passar dias e até meses sem lembrar, mas basta um sinal de fumaça, um post da pessoa que surge na timeline e então volta tudo. Parece um vírus incurável pronto para agravar os sintomas a qualquer instante.

A lembrança daquele sorriso vai voltar em algum momento fazendo você perder a respiração por alguns segundos e mais uma vez pensar: será que deveria ter sido?

Nunca saberemos.

Mas se ainda der tempo, vale a pena ir em busca dessa resposta. Corre.

Sendo muito clara

Sendo muito clara

Sem disfarces, máscaras ou historinhas bonitinhas para agradar ninguém.

Respondendo da forma mais direta possível perguntas que encurtam caminhos. Você mora sozinha? Sim. Que tal marcarmos um vinho na sua casa? Não. Se você quer beber vá até um bar, querido.

Muitos podem considerar grosseria, mas eu classifico como objetividade. Não quero tomar vinho e te dar sexo de brinde, meu amigo. O que eu quero não está acima do seu entendimento, mas você prefere ignorar. E eu decidi parar de apostar em qualquer história.

Se nas conversas iniciais você perguntou apenas sobre onde e com quem moro e passou todo o resto do tempo só falando de si, sinto muito, mas vamos parar por aqui mesmo. Simples, rápido e indolor!

Caso o seu objetivo seja só sexo, nada contra, mas eu quero MAIS.

Não preciso marcar vinho com desconhecidos para conseguir prazer, se eu quisesse só transar teria outras opções. Sabe o famoso “PA”? Pois é…

A vida vai ensinando e os bons alunos vão aprendendo. Foi assim que descobri, nas primeiras aulas sobre o amor, que quem se mostra egoísta no início não vai mudar depois que o tempo passar.

Quando me interesso pelo jeito e pela vida de alguém, também quero sentir que a minha vida interessa ao outro. A minha história, os meus detalhes, o que me faz sorrir…

Chega de superficialidade. Chega dessa tarefa extenuante de dar chances pra quem está em outra página do livro. A conta é simples: se a pessoa só quer sexo e você quer algo mais sério, o resultado não vai bater.

Tenho me sentido muito melhor e perdendo menos tempo depois dessa minha dissidência do grupo dos trouxas.

Muitos podem achar que isso é ir de encontro às leis do amor, que é preciso estar aberto a qualquer oportunidade mesmo que pareça despretensiosa, pois ali pode estar o início de um encontro bacana.

Talvez seja. É uma ideia romântica e bonita na qual já acreditei e apostei por muito tempo. Só que depois de algumas experiências recorrentes e frustrantes, você se especializa e o filtro fica muito mais apurado e sensível.

Deixar claro o que queremos sem ter medo, vergonha ou qualquer constrangimento em dizer “não” é simplesmente libertador.

Vou deixar na portaria

Vou deixar na portaria

Se você quiser pode ler o texto ouvindo Gavin James:

 

No fim de um relacionamento algumas frases doem muito ao ouvir, tipo: “você vai encontrar alguém que te faça feliz”, “o problema não é você sou eu” e dentre tantas outras que eu poderia citar aqui, concluo com uma que tem o mesmo poder de fazer a ferida sangrar: “vou deixar na portaria”.

Como machuca ouvir isso!

No meio da dor e de toda a pendência afetiva, dias depois do término sem ver ou ter notícia da pessoa, a mente é vasculhada tentando achar motivos para forçar algum contato ou encontro casual. Daí que você lembra que esqueceu algum objeto na casa da pessoa e liga ou manda uma mensagem cobrando como se aquilo fosse algo imprescindível para sua vida, quando na verdade nem se importa com a tal coisa, apenas com a remota possibilidade de uma reaproximação.

E é aí que você desce mais um pouquinho no fundo do poço ao ouvir do outro lado: “vou deixar na portaria”. Cortante e sem meias palavras.

Essa frase liquida qualquer esperança, aniquila as expectativas e causa aquele arrepio da morte que percorre a coluna. Quando alguém, que até dias atrás era íntimo, não quer mais te olhar nos olhos, significa que a partir daquele momento vocês não passam de meros conhecidos.

A resposta “vou deixar na portaria” não é só uma informação simples, significa não ter mais acesso ao território que um dia foi cenário do amor que existiu (e que no seu caso ainda existe), significa não saber mais sobre a vida daquela pessoa, não saber se os móveis vão continuar no mesmo lugar ou se a TV da sala foi trocada. Significa ruptura, quebra de vínculo, laço, proximidade. Significa distância.

Para quem fala é rápido, prático e sem dor. Para quem ouve é fim.

E só quando você chega na portaria do prédio que um dia foi tão lar quanto a sua casa, é que entende o quanto agora ela parece triste e desconhecida. Pega o que te pertence, oferece um sorriso amarelo ao porteiro que já viu os teus melhores sorrisos e vai embora. A cidade é grande e a tua felicidade deve estar em outro prédio, em outra varanda com vista pra lua, em outra cama, em outro coração… em outra portaria.

Pin It on Pinterest