Um novo começo

 

Texto: Pedro Cordier

 

De: Ele [ele.comercial@empresa.com.br]

Enviada em: Quinta-feira, 1º de agosto de 2013 04:52

Para: Ela [ela.marketing@empresa.com.br]

Assunto: Um novo começo…

Oi L…

Nesse momento, enquanto escrevo esse email, vejo seu corpo nu, em minha
cama, banhado pela luz da lua que invade meu quarto, nesses últimos vestígios de
madrugada…
Vendo você dormir assim, com um semblante tão doce e sereno, até pra mim é
difícil acreditar em tudo o que aconteceu… Que noite!!

Cheguei no escritório após uma reunião fora e, ao acessar minha caixa de entrada,
me deparei com seu email, intitulado “Eu obedeço…”

Não me causou nenhuma surpresa esse seu jeito selvagem e livre de ser. Pelo
contrário, isso foi uma das coisas que mais mexeu com meus instintos…

Quando cheguei na sala de reunião, a primeira coisa que fiz foi ocupar o lugar bem
defronte à porta, para poder me deliciar com a sua chegada… Logo que você entrou
na sala, nossos olhares se cruzaram e eu pude sentir a sua excitação em estar ali…
Não na empresa ou na sala de reunião, mas, ali, comigo…

Você deu bom dia a todos e sentou-se ao meu lado. “Safada…”, pensei…

Quando a reunião começou, encostei minha perna na sua, sem tirar os olhos da
tela… Percebi o seu esforço em manter a concentração nos números que estavam
sendo apresentados… Foi um esforço louvável… Durou até o momento em que
baixei o meu braço e toquei a sua coxa, por cima da saia vermelha que você
usava…

Você se ajeitou na cadeira e deu um leve suspiro… Eu sorri, discretamente,
e fui deslizando minha mão, agora tocando a sua pele e sentindo o quanto a
situação estava esquentando… Adivinhação não é comigo… E, nesse caso, foi uma
delícia sentir que eu estava certo quanto à peça da lingerie que você não estava
usando… Para não fazê-la cometer nenhuma loucura, parei por ali e levantei a mão,
abruptamente, fazendo uma pergunta sobre a apresentação, o que deixou você
gelada, pela mudança repentina de clima.

Quando a reunião terminou, saquei o celular, fingi estar recebendo uma ligação e
saí sem, sequer, olhar pra trás…

No final do expediente, mandei uma mensagem no whatsApp: “Daqui a 1 hora,
me espere no Cafélier. A mesa com a melhor vista da Baía de Todos os Santos está
reservada”.

Quando cheguei no local combinado, entrei e, antes de me aproximar da mesa,
fiquei te observando… Você estava, absolutamente, linda… À meia luz de velas, você
admirava aquela vista maravilhosa, enquanto degustava uma taça do Maculan
Fratta 2006
que mandei reservar pra gente…

Fui recebido com um sorriso repleto de confidências, o qual foi retribuído com
um longo e suave beijo… Eu já gostava daquele vinho, mas, na sua boca, ele estava
ainda mais gostoso…

Jantamos, conversamos um pouco, rimos bastante dos “nosso detalhes” dentro da
reunião… Até que eu me aproximei e falei  no seu ouvido: “Vamos continuar a noite
em outro lugar…”

Ao chegarmos em minha casa, abri a porta e não acendi a luz. Te convidei pra
entrar, estendendo minha mão para guiá-la no escuro. Mandei você parar e fui
pegar uma venda preta, de seda. Coloquei nos seus olhos, peguei na sua mão e
voltei a conduzí-la. Desta vez, escada acima, até o meu quarto…

Quando nos aproximamos da minha cama, você exclamou: “Que cheiro gostoso de
rosas!!” – O quarto e a cama estavam cobertas por centenas de pétalas…
Sem falar, absolutamente, nada, abri a sua blusa, tirei o soutien, abaixei a sua saia
e te joguei na cama… Amarrei suas mãos na cabeceira e comecei a explorar cada
centímetro do seu corpo, com beijos e carícias que resultavam em sussurros e
gemidos, cada vez mais intensos…

Não sei quantas e quais palavras seriam necessárias para descrever o que
transcorreu a partir dali…

“Sei que os olhos se fecham
e as palavras cessam
quando a língua lasciva
sorve a tua saliva
e entorpece o teu ventre
deslizando acima
em cima
entre…

Quero quebrantar o sem nexo
e penetrar no teu sexo
para sentir o teu eu
sentindo o que é teu
e te amar plenamente
amar a tua alma
corpo
e mente…”

Os minutos deram lugar às horas, repletas de momentos de prazer… Tão gostosos.

Tão nossos… Até você adormecer em meu peito…

Não tenho a menor pressa que a madrugada termine… Quero ficar aqui, olhando
você dormir, já relembrando com saudade, tudo que vivemos e aprendemos, um
com o outro, essa noite…

O que se iniciou como um jogo com regras e regulamentos definidos por mim,
agora ganha ares de uma página em branco, pronto para começar a ser preenchida
a quatro mãos…

P.

(Acabou de escrever o email, postou e foi se deitar. Quando ela se aninhou no seu
peito, sentiu que poderia, enfim, descansar, sem a menor preocupação em “ter que”,
absolutamente nada… Mesmo acompanhado, sentiu uma estranha sensação de
liberdade… )

 

Acompanhe aqui, a história completa:

Desejo incontrolável

O jogo está apenas começando

Aceito as regras do jogo

Aceito as regras do jogo

De: Ela [ela.marketing@empresa.com.br]

Enviada em: Quarta-feira, 31 de julho de 2013 08:52

Para: Ele [ele.comercial@empresa.com.br]

Assunto: Eu obedeço…

 

Oi P…

O seu email me desconcentrou… e a cada lembrança, desconcentra ainda mais. Claro que eu estava torcendo para que você não concordasse com o pedido de nos afastarmos… eu não gosto de deixar as coisas pela metade, mas a forma controladora das suas palavras, causou um efeito avassalador nos meus sentimentos.

Sou sempre dona das minhas vontades… acostumada a decidir tudo e até sou admirada por isso, mas o que ninguém sabe é que eu não resisto quando sou dominada… quando SABEM como me dominar.

“Diz pra eu ficar muda, faz cara de mistério… tira essa bermuda, que eu quero você sério”

Você me deixou, completamente, louca… acho que nunca recebi  “ordens” tão excitantes.

“Solos de guitarra não vão me conquistar…”

Mas aviso que sou meio selvagem… acostumada a ser livre… então, mesmo em situações mais íntimas, também gosto de dar as cartas. Não vai ser tão fácil me manter sob controle.

“Eu quero você, como eu quero…”

Eu quero você de uma forma insana e inexplicável. Eu quero a sua boca, o seu cheiro, o seu corpo inteiro, a sua voz sussurrando no meu ouvido, os seus dentes na minha pele… eu quero te ver fechando os olhos e me implorando que continue a te enlouquecer… eu quero sentir você!

“Vou transformar o seu rascunho em arte final…”

Vou fazer você sentir arrepios que nunca sentiu e querer me retribuir cada um deles.

“Agora não tem jeito… cê tá numa cilada…”

Estou aqui na minha sala, usando a lingerie que você MANDOU… é linda! Mas uso apenas uma das peças… achei meio difícil vestir as duas sozinha, sabe? Espero que mais tarde, você tenha um tempinho livre para me ajudar a vestir o que falta… ou tirar tudo, talvez.

“É cada um por si, você por mim e mais nada…”

Já que você disse que conduzirá a nossa relação profissional, espero que se controle na reunião das 16h e não fique tentando adivinhar qual a peça que “não estou usando”. Confio no seu equilíbrio emocional 😉

“Longe do meu domínio, cê vai de mal a pior, vem que eu te ensino como ser bem melhor…”

Eu sei, exatamente, tudo o que quero fazer com você… todos os detalhes… eu sei como fazer você sorrir e gritar de prazer, eu sei que nós dois queremos… e eu sei que vai acontecer o que não terminamos naquele dia.

O jogo começou e eu mal posso esperar o final da primeira partida! Nessa disputa, eu não vou me importar em perder.

“Eu quero você… como eu quero… como eu quero!!!!!”

Estou aqui… esperando as próximas ordens!

Beijos,

L.

(Cada vez que pensava ou falava o nome dele, o corpo inteiro sentia… não tinha outra explicação, era desejo! O dia seria interminável… mal conseguiria esperar o momento de se entregar à ele)

Acompanhe aqui, como começou a história:

Desejo incontrolável

O jogo está apenas começando

 

O jogo está apenas começando…

Texto: Pedro Cordier


De: Ele [ele.comercial@empresa.com.br]
Enviada em: Terça-feira, 30 de julho de 2013 12:12
Para: Ela [ela.marketing@empresa.com.br]
Assunto: Isso foi só o começo


Oi, L…
Vou antecipar o final do email e deixar claro que isso foi apenas o começo de
tantas outras loucuras que tenho em mente para você. Para nós…

Quando estávamos fazendo a seleção para a vaga, fiquei muito admirado
com o seu currículo. Os cursos, as viagens, o domínio de vários idiomas e,
principalmente, a experiência profissional, faziam de você uma candidata perfeita.
Entrei nas redes sociais para conhecer um pouco mais sobre o seu perfil e…
Que grata surpresa! Me deparei com uma mulher que, além de todas aquelas
qualidades, era, incrivelmente, sexy sem ter, sequer, uma foto de biquinho, de
biquini ou qualquer coisa parecida… Seu sorriso, com covinhas, era sensual, seu
olhar, era sensual, suas fotos de viagens eram, pra mim, incrivelmente atraentes…
Fiquei me imaginando com você e pensando em tudo aquilo que poderíamos ter
feito, juntos, em cada um daqueles lugares: Paris, Roma, Istambul…

Agora você sabe que essa atração começou, antes mesmo de você começar a
trabalhar aqui. Antes mesmo de trocarmos aquele primeiro olhar, que, pra mim,
foi a prova de que eu estava certo: você é uma mulher que merecia ser tratada de
uma forma especial…

Vou também avisando uma coisa… Não tem como você “se controlar”. Esqueça
essa possibilidade, pois, EU ESTOU NO CONTROLE!

Nas reuniões, no café, nos elevadores ou no estacionamento, sempre que nos
encontrarmos, seu corpo vai dar sinais de que você me quer, de que você me
deseja. Muito…

Antes de sair de casa, penso em cada detalhe que possa deixar você ainda mais
desconcertada com a minha presença: o perfume, a barba muito bem feita, os
ternos, impecavelmente, bem cortados, as gravatas importadas…

Isso não significa que eu não te deseje. Muito pelo contrário. Você desperta
em mim, um desejo como há muito tempo eu não sentia. Se é que já senti algo
assim… Um desejo de tê-la comigo, à disposição, para que eu possa fazer você
sentir prazer de tantas formas que você nem tem ideia de que seja possível…

Ontem, quando a porta do elevador se abriu e eu vi o seu olhar, tão assustado
quanto deslumbrado, fiquei louco de tesão e decidi iniciar o jogo. A partir daquele
momento, você iria experimentar as mais diferentes formas de amar. Iria, a partir
dali e a cada novo encontro, deixar aflorar, para mim, e somente para mim, a
mulher mais safada que existe em você… Não ontem, não aquela hora, naquele
elevador, mas, sim, foi um encontro planejado…

Devo confessar que deixei escapar aquela respiração. Aquilo, sim, não estava
nos meus planos, mas, o desejo de possuí-la falou mais alto e, a partir daquele
momento, eu só pensava em tê-la nos meus braços.

Imaginei as possibilidades: “Parar o elevador, saltar em um andar vazio, levá-la
para as escadas…” Sim!! As escadas!!!!!

Peguei a sua mão e passei a segurança necessária para que você parasse de
pensar e se entregasse ao desejo… E A MIM!!

Naquele momento, eu só queria deixar os instintos falarem mais alto, pois, os
cheiros que nossos corpos exalavam eram inebriantes… Te encostei na parede,
e comecei a te beijar com sofreguidão, ao memso tempo em que nos livrávamos
de tudo aquilo que estivesse no caminho de nossos corpos, pasta, papéis, roupas,
inseguranças, medos… Minha boca buscava cada ponto de prazer no seu corpo…
seu pescoço, seu colo, seus seios…

A maciez e a brancura da sua pele, aumentavam, ainda mais, o meu prazer em
estar ali… A sua respiração, ansiosa, no meu ouvido, mostrava que o nosso
momento estava próximo e que tudo teria início ali, naquelas escadas… Quando
você disse que me queria, parei de beijá-la, por alguns segundos, fitei-a nos olhos,
para que você guardasse aquela imagem… Voltei a beijá-la, com sofreguidão, e
comecei a deslizar a minha língua na direção ao seu ventre…

E foi nesse instante que ouvimos passos, vozes…

Meu objetivo era tê-la de uma maneira, absolutamente, especial… Sensual,
lasciva, entregue… Mas, única e exclusivamente, PRA MIM!! O jogo era secreto e
a sua idoneidade e respeito deveriam ficar intactos!!!

Levantei, num sobressalto, e comecei a me vestir e a olhar você, assustada,
tentar se recompor… Não sabendo você, que você jamais seria a mesma depois
daquele primeiro encontro… Assim que estávamos em condições de sair, disse no
seu ouvido: “Respire fundo, levante a cabeça e saia sem olhar para trás!”

Quando você colocou a mão na maçaneta, selei aquele encontro com um beijo
rápido, mas, deliciosamente, molhado…

Vi que você me fez inúmeras perguntas no seu email, mas, não irei responder
NENHUMA!! Apenas deixarei claro que você, SIM, irá se tornar uma viciada
em meu corpo, mas, não se preocupe, pois, EU IREI CONDUZIR nossa vida
profissional.

Basta que você, a partir de agora, siga, exatamente, aquilo que eu disser, e tudo
ficará bem… E cada dia, ainda melhor…

Amanhã, quero que você venha para a empresa vestida com uma lingerie
vermelha. Não qualquer lingerie. Passe na loja especializada do Shopping aqui do
prédio e pegue a encomenda que comprei e deixei reservada para “L”. Vista cada
peça e aguarde novas instruções, pois, o jogo está apenas começando…

Beijos
P.

(acabou de escrever com um leve sorriso no canto dos lábios. Aquela mulher
incrível, não fazia ideia do que estava por vir…)

Início da história (o email dela)

Desejo incontrolável

De: Ela [ela.marketing@empresa.com.br]

Enviada em: Terça-feira, 30 de julho de 2013 07:40

Para: Ele [ele.comercial@empresa.com.br

Assunto: Sobre ontem a noite

 

Bom dia, P…

Estou meio sem graça e ainda me recuperando daquela loucura de ontem.

Não é nenhum segredo a atração física que sempre rolou entre nós… desde que eu comecei a trabalhar aqui, sua presença sempre me causou arrepios e calor.

Não sei nada sobre a sua vida fora da empresa e não tenho a menor intenção de saber. O que existe entre nós, não é amor… é desejo.

Me controlo o máximo que posso, para que as pessoas não percebam… inclusive, nas reuniões que você senta ao meu lado e fica o tempo todo roçando o braço no meu e encostando a perna na minha, faço um esforço sobre-humano para disfarçar o rubor do meu rosto.

É incontrolável… você se aproxima e o meu corpo responde imediatamente… se chegamos muito perto um do outro e eu sinto o seu perfume, o meu coração acelera.

Mesmo sentindo tudo isso, sempre me mantive distante, afinal o meu comprometimento profissional é maior que qualquer affair no ambiente de trabalho.

Até ontem…

Nunca imaginei que você estivesse na empresa até aquela hora… já era tarde… e quando eu estava no meu andar esperando o elevador, mal pude acreditar em você lá dentro quando a porta se abriu… se você não trabalhasse no andar de cima, ia jurar que foi um encontro planejado.

Nos cumprimentamos como sempre e eu já sentindo que ficaria com as pernas trêmulas, evitei o seu olhar… mas eram 15 andares até a garagem e naquele espaço pequeno, era impossível não sentir o calor do seu corpo.

A tensão sexual que nos rondava naquele momento, era evidente… sensível até à câmera que nos observava. A gota d’água foi quando você respirou fundo… aquela típica respiração que escapa quando já não dominamos o desejo.

A partir daí, eu só pensava como seria estar nos seus braços.

Quando, finalmente, chegamos à garagem e a porta do elevador abriu… você, de forma ágil e sensual, pegou a minha mão e me puxou direto para a escada de incêndio… fechou a porta e naquela luz meio fraca, pude ver os seus olhos incendiando.

Me encostou na parede, jogou tudo que tínhamos nas mãos no chão e começou a me beijar… nos beijávamos desesperadamente, como se tivéssemos esperado a vida inteira por aquele momento.

Senti a sua boca deslizando para o meu pescoço e em seguida para o decote da minha blusa. Suas mãos desciam das minhas costas para a cintura e apertava o meu quadril.

Nunca vi alguém manipular botões de forma tão ágil… quando percebi, a minha blusa já estava, completamente, aberta.

Tirei a sua camisa o mais rápido que pude, imaginei mil vezes como seria encostar no seu peito nu e a hora tinha chegado. Quando vi a sua tatuagem, que eu nem imaginava que existia, fiquei ainda mais atraída pela sua pele… apertei os seus braços, senti a musculatura das suas costas, beijei e mordi levemente o seu pescoço…

Não nos dominávamos mais… quem ditava as regras era o desejo… perdemos o senso do perigo… não havia troca de frases ou palavras, não sei se pelo fato de serem dispensáveis ou por não termos força para falar.

Mas eu falei… precisava falar… e então encostei a boca no seu ouvido e disse: “quero você”.

Foi o suficiente para acender ainda mais o seu fogo…

E quando tudo começava a ir por um caminho delicioso e perigoso, ouvimos vozes e passos na garagem, vindo em nossa direção.

Assustados, trôpegos e quase inconscientes, nos afastamos e nos recompomos o mais rápido que conseguimos… combinamos que eu sairia primeiro e depois você… quando eu ia abrir a porta, você me puxou e me deu aquele último beijo…

Não sei como consegui chegar até em casa, mas fui direto para um banho gelado e depois tentei dormir… foi uma noite difícil!

Estou relatando tudo isso que você já sabe, para te fazer entender o quanto esse desejo me toma e o quanto esse encontro mexeu comigo.

Apesar de ter sido uma prévia maravilhosa, mesmo sem chegarmos ao ponto que queríamos, acho que isso não deve acontecer de novo.

Sei lá… e se eu me tornar uma viciada em seu corpo? Como vou conduzir a nossa relação profissional?

É… isso não pode acontecer de novo… ou talvez, sim… uma vez mais… em um lugar onde não haja interrupções e a gente possa concluir o que começou e…

Não, não, não… melhor não!

Vamos nos manter afastados! Por favor, evite me olhar daquele jeito que faz com que eu me sinta nua e não me direcione aquele seu sorriso sensual. Não chegue muito perto… é melhor para a nossa integridade física.

Então é isso… vamos esquecer, certo?

Você concorda comigo, não é? Tenho certeza que sim…

Vamos fazer de conta que aquele episódio da escada, nunca aconteceu… e se você conseguir esquecer, me ensine como!

Beijos

L.

(terminou o email com o mesmo frio na barriga que sentia todas as vezes que pensava ou encontrava com ele. ELA sabia que não conseguiria recusar uma nova investida dele. Enviou e voltou a se concentrar no trabalho… ou, pelo menos, tentou se concentrar e esquecer aquela boca, aqueles braços, aquelas mãos….)


 

Novos caminhos

Texto: Pedro Cordier


De: Ele
Enviada em: Terça, 23 de julho de 2013 23:13
Para: Ela
Assunto: Novos Caminhos

Oi, L…

Nem acredito que passei tanto tempo sem percebê-la. Depois do nosso encontro na cafeteria, sinto como se já te conhecesse há tempos (quem sabe de outras vidas?).

Ainda bem que acredito no Senhor do Bonfim, pois, o começo foi bem conturbado, hein? :))

Não me considero uma pessoa insegura. Pelo contrário. Sou um homem bastante decidido nas minhas escolhas… Mas, quem disse que era o homem que estava no controle? Com certeza, o meu eu adolescente assumiu o comando e, portanto, havia uma grande ansiedade no ar…

No dia do nosso encontro, voltei do trabalho mais cedo, tomei um banho bem gostoso e fui fazer a barba, quando lembrei do seu email e deixei a barba por fazer, emoldurando um leve sorriso no canto da boca…

Cheguei no meu closet, ainda de toalha, e não tive dúvidas na hora de escolher o que usar: jeans e camiseta!!

Cheguei, pontualmente, no horário e me sentei no local combinado. Pedi um suco de abacaxi com hortelã e fiquei ali, olhando para a entrada da cafeteria, imaginando você chegar…

Imaginei você das mais diversas formas possíveis, mas, nenhuma dessas possibilidades conseguiu superar o momento em que você entrou… Não contive o meu sorriso ao ver aquela possibilidade se materializar diante dos meus olhos…

Aquele seu ar meio tímido ao se aproximar, me deixou encantado e bastante feliz por ter escolhido estar ali, naquele instante… Com você.

A conversa iniciou num ritmo bem suave e continuou fluindo melhor do que qualquer roteiro, possível de ser escrito, pudesse prever. À medida em que você falava, eu sorvia cada palavra com deleite. “Como é gostoso estar ao lado de alguém que se expressa bem, de uma maneira leve e natural…”

À medida que o tempo passava, eu me sentia mais próximo de você. E me sentia bem com isso… Naquele momento, eu não só escutava o que você dizia, como percebia detalhes no seu rosto, e me apaixonava por cada um deles…

Até na hora que falamos de nossos relacionamentos a conversa fluiu, naturalmente. Foi tão bom falar sobre a minha ex com você… Cada vez que eu repetia o nome dela, aquele som me parecia cada vez mais distante…

Tomamos suco, café, e dividimos aquele pedaço de torta, já sem nenhuma vontade de esconder o quanto estávamos curtindo aquilo tudo…

Na hora que saímos do café, te acompanhei até o seu carro…

Fomos conversando durante o caminho, mas, o tom da nossa voz e a nossa respiração estavam diferentes… Quando você chegou, ficamos em silêncio por alguns segundos… Foi o suficiente para que eu pudesse tocar os seus cabelos, o seu rosto e selar aquele encontro com um beijo… Um beijo tão gostoso que, assim que terminamos, pensei: “Todo o restante, das coisas do mundo, é irrelevante…”

Gostaria muito de vê-la novamente. E novamente. E novamente…

Um grande beijo, pois, “beijar você é tudo que quero…”

P.

(enviou aquele email sem fazer qualquer revisão, pois, tinha certeza do sentimento que havia em cada uma daquelas palavras)


Acompanhe toda a história:

O email dela para o desconhecido

O email do desconhecido para ela

O que ela achou do encontro

 

O encontro na cafeteria

De: Ela

Enviada em: Sexta-feira, 22 de julho de 2013 23:58

Para: Ele

Assunto: Enfim você

Oi…

Agora que já nos conhecemos, tudo parece mais próximo… e até engraçado.

Engraçado porque quando mandei o email e você não respondeu, fiquei alguns dias sem ir ao Café… não por ter ficado chateada ou triste, mas quis deixar as coisas esfriarem… a sua falta de resposta foi entendida como uma recusa ou falta de interesse, então dei um tempo para que tudo voltasse a ser como antes: eu, a anônima e você, o alvo de um desejo secreto.

Mas uma semana depois, quando eu não esperava mais qualquer sinal seu e respondia aos meus últimos emails pessoais… finalmente, a sua resposta chegou… quando acabei de ler, não sabia se ria, se ficava nervosa, se fugia para o Cazaquistão ou se ia até o meu armário escolher uma roupa linda para te encontrar.

Como é possível tantos sentimentos juntos por uma pessoa que eu sequer conhecia? E aqui recorro ao que você disse no email… conexão intensa! Não tem outra explicação.

Passados os momentos de pânico e os dias intermináveis que me distanciavam da quinta-feira, finalmente chegou a hora. Eu, sempre tão segura e firme nas minhas ações, não me reconhecia dentro daquele corpo trêmulo… tinha um coração descompassado e descompensado, que não parecia meu, batendo tão alto que tive medo de você ouvir.

É normal uma mulher se sentir assim quando está atraída por alguém, mas no meu caso, isso não acontecia há muito tempo… por isso a sensação era imensamente melhor.

Entrei no Café e te vi sentado… lindo, sorrindo… e daquela vez, o sorriso era para mim. Me aproximei, meio sem graça, mas sabendo o que queria… e então toda a tensão foi quebrada com uma conversa deliciosamente interessante. Falávamos como se já fôssemos velhos conhecidos… descobrimos muitas coisas em comum e rimos de várias outras.

Em meio às nossas primeiras confissões, pudemos entender um pouco dos nossos últimos relacionamentos. Sobre a sua EX que “não aceita” a ideia do término… só posso te dizer que relacionamentos acabam com ponto. Não com reticências…

Somos nós, que abrimos ou não os precedentes… alguém já escreveu que “alguns fins são como calda puxa”… eu prefiro os fins que terminam (com redundância mesmo)… mas entendo o seu lado e respeito esse seu momento de reconstrução.

Por outro lado, não deixo de alimentar os meus desejos… este é um direito que me cabe 🙂

Preciso mencionar a nossa despedida naquele dia… quando saímos do Café, não esperava nada além de um beijo no rosto… juro! (embora eu quisesse muito mais que isso).

Foi então que vi você se aproximando, se aproximando, se aproximando… tocou os meus cabelos, depois o meu rosto… e encostou os seus lábios nos meus… e depois… depois eu não pensei mais em nada, só em me entregar àquele instante.

O seu beijo foi sem dúvida, a melhor coisa do dia…

Não sei se vai acontecer de novo… não sei quando ou se as circunstâncias permitirão, mas sei que por alguns segundos, você foi inteiramente meu… e isso me faz sorrir!

Beijos… de quem não é mais uma desconhecida,

L.

Acompanhe a história inteira:

O email dela para o desconhecido

O email do desconhecido para ela

 


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