A Nebulosa do Caranguejo foi observada a olho nu e registrada por chineses e árabes, no ano de 1054 d. C. É o objeto número 1 do catálogo de Charles Messier (1730 - 1817). Imagem: HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

A Nebulosa do Caranguejo (SN 1054) foi observada a olho nu e registrada por chineses e árabes, no ano de 1054 d. C. Também conhecida como M1 (objeto número 1 do catálogo de Charles Messier 1730 - 1817), ou como NGC 1952 (objeto 1952 no Novo Catálogo Geral), foi o primeiro objeto a ser relacionado à explosão de uma estrela. Passados alguns dias, semanas ou meses após surgirem no céu, as supernovas tendem a perder magnitude. Nesta imagem do Telescópio Hubble, o remanescente da explosão da SN 1054 tem o aspecto nebular (daí o nome nebulosa). Está localizada na constelação do Touro. Imagem: HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Olá, amigos!

No final de janeiro, foi bastante divulgada a notícia sobre a supernova descoberta por um grupo de estudantes de astronomia e seu professor, trabalhando com o telescópio do observatório de sua universidade. A história é bem interessante, de um modo casual, aqueles astrônomos amadores foram os primeiros a perceberem um brilho inédito na galáxia do Charuto, localizada na constelação da Ursa Maior, e a descoberta repercutiu bastante na mídia por se tratar de uma explosão relativamente próxima e intensa o suficiente para ser observada com telescópios amadores. Esse tipo de descoberta, geralmente é feita a partir da comparação de imagens recém tomadas, com imagens anteriores feitas do mesmo objeto. No caso, naquele dia, um pouco em função das nuvens, outro tanto pela capacidade de improviso do professor, os alunos elegeram a galáxia M82 como alvo para suas observações.

Que bom haver essa repercussão. Sinal de que as pessoas estão cada vez mais interessadas no assunto.

Mas, o que é uma “supernova”? A que distância elas estão e com que frequência acontecem? E, principalmente, elas representam algum perigo para a vida na Terra?

Bem, o termo estrela “nova”, foi cunhado no século 16 por Tycho Brahe, antes de o assunto ser melhor compreendido. Na verdade, não são estrelas novas de fato, são estrelas de grande massa em estágios avançados de sua evolução, quando, ao explodirem, em alguns casos podem produzir mais brilho do que toda a galáxia a que pertencem. As novas mais massivas são chamadas de “supernovas”, e em alguns casos, muito raros, quando pertencem à nossa galáxia ou à alguma galáxia vizinha, seu brilho pode ser visto a olho nu ou com o auxílio de instrumentos modestos, como se fosse uma nova estrela surgida no céu. Daí a origem de seu nome.

As novas, as supernovas, e também as hipernovas, possuem subclasses. O assunto é muito rico e interessante, com um vasto repertório de fontes para consulta. E o mais interessante é que, segundo as teorias bem embasadas da cosmologia moderna, todos os elementos da tabela periódica, mais pesados que o hidrogênio e o hélio, inclusive o carbono, que forma nosso corpo, são sintetizados e formados com a energia alcançada por estas explosões de supernovas.

Ao mesmo tempo que estão entre as forças mais catastróficas conhecidas no universo observável, são a origem primária dos elementos químicos que constituem planetas de ferro e níquel, como a Terra, e seres de carbono, como os humanos.

As explosões observadas de supernovas, acontecem muito distantes do nosso sistema solar. Se uma explosão de supernova ocorresse próxima, seria um evento catastrófico para a vida na Terra, dada a energia liberada e a poderosa emissão de raios gama, entre outras consequências. A depender da proximidade de um fenômeno destes, após sua ocorrência não haveria ninguém para registrar o boletim.

A explosão de estrelas ocorre por diferentes motivos e de diferentes formas, a depender de diversos fatores envolvidos, como a massa da estrela e a presença de uma ou mais estrelas envolvidas. E também vale lembrar que nem todas as estrelas passam por este fenômeno.

Historicamente, foram observadas algumas supernovas (SN) a olho nu, como a famosa SN 1572, observada por Tycho Brahe, na constelação da Cassiopéia, ou a SN 1604, observada pelo astrônomo e matemático auxiliar de Brahe, Johannes Kepler, na constelação da Serpente.

Em 1987, Ian Shelton foi o primeiro a observar a SN 1987 A, que atingiu magnitude aparente 3, na Grande Nuvem de Magalhães. Foi a primeira supernova visível a olho nu desde 1604, e foi observada e registrada por um grande número de astrônomos profissionais e amadores.

Hoje sabemos que novas e supernovas são os estágios finais de algumas estrelas que, a depender de um conjunto de fatores, podem evoluir para estrelas de neutrões e daí para o que os cosmólogos chamam de “singularidades”, do tipo buraco negro, onde o campo gravitacional se torna tão denso, que nem a luz consegue atingir a velocidade de escape para deixá-lo.

Embora sejam fenômenos raramente observados em nossa galáxia, com o advento dos grandes telescópios ao longo do século 20 até os dias de hoje, os astrônomos observam pelo menos uma supernova por mês, em diferentes galáxias, e as do tipo SN 1a possuem um interessante comportamento padrão, que atualmente é usado para medir distâncias no universo observável; é o que os astrônomos chamam de “vela padrão”.

Por ser um fenômeno raro de se observar com telescópios caseiros, a SN 2014 J ganhou o status de a estrela supernova do momento! – risos.

E certamente será super observada e super estudada pelos especialistas.

Galáxia do Charuto (M81). Note a direita de seu bojo central, um brilho mais forte em destaque. É a SN2014J, descoberta no final de janeiro por um grupo de estudantes e seu professor, da University College de Londres (UCL). Imagem/divulgação: UCL. Blog O Guardador de Estrelas.

Galáxia do Charuto (M82). Note à direita do bojo central avermelhado, um brilho mais forte em destaque. É a SN 2014J, descoberta no final de janeiro por um grupo de estudantes e seu professor, da University College of London (UCL). O endereço da SN 2014J é: ascensão reta 9h 55m 42s; declinação +69º 40' 25". Está a 21" ao sul e 52" a oeste do núcleo de M82. Imagem/divulgação: UCL. Blog O Guardador de Estrelas.

Visite:

http://www.youtube.com/watch?v=3kHspJluBBg

Abraço a todos!

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