Lançada em março de 2004, Rosetta leva uma sonda menor chamada Philae, que deve pousar na superfície do cometa nessa quarta-feira, 12 de novembro

Concepção artística da nave Rosetta enviando sinal para a Terra depois de 31 meses em hibernação no espaço profundo. O sinal foi recebido às 18:18 GMT / 19:18 CET pelas estações terrestres de Goldstone e Canberra, ambas da Nasa. Blog O Guardador de Estrelas.

Concepção artística da nave Rosetta enviando sinal para a Terra depois de 31 meses viajando pelo espaço em modo de hibernação. O sinal foi recebido em janeiro deste ano pelas estações terrestres de Goldstone e Canberra, ambas da Nasa. Blog O Guardador de Estrelas.

Em março de 2004, a Agência Espacial Europeia – ESA lançou da base espacial de Kourou, na Guiana Francesa, vizinha ao Brasil, a sonda Rosetta, com o incrível objetivo de fazê-la entrar em órbita de um cometa e nele descer uma sonda menor, capaz de coletar material para análise química a bordo.

Depois de 957 dias viajando em modo de espera, numa hibernação que foi a mais longa realizada em viagens espaciais até hoje, Rosetta foi reativada em janeiro de 2014.

Em 06 de agosto deste ano a sonda finalmente alcançou e entrou em órbita do cometa periódico 67P Churyumov-Gerasimenko, que leva o nome dos dois astrônomos ucranianos que o descobriram em 1969. Trata-se de um bloco muito antigo de rocha e gelo com cerca de 4 km de diâmetro e que possui grande interesse científico.

Nesse 12 de novembro acontece um dos momentos mais críticos da missão: a manobra de pouso no cometa. A sonda Rosetta se constitui de um veículo orbitador e um veículo pousador. Este último, chama-se Philae e se desacoplará do orbitador para pousar e se fixar (com parafusos de gelo) na superfície do cometa. As chances de algo dar errado são grandes, mas a missão não tripulada já representa uma conquista histórica para a astronáutica. Aliás, dá pra imaginar o tamanho do desafio? Lançar da Guiana Francesa um artefato, em 2004, para acertar uma pedrinha de gelo em um determinado ponto do espaço em 2014 é algo difícil de imaginar, não é mesmo? Acertar a Lua é bem mais fácil.

Os cometas possuem grande interesse para o estudo da biologia, e se a missão Rosetta conseguir realizar essa etapa com sucesso, poderemos ter avanços significativos em relação a uma das questões mais elementares da astronomia: a origem da vida no planeta Terra.

O projeto é da Agência Espacial Europeia – ESA, e conta com parceria da NASA na tecnologia embarcada.

O que são cometas?

Cometas são corpos sólidos formados por gelo sujo e rocha, que se mantém em órbita do Sol. A grande maioria dos cometas possuem órbitas excêntricas, ou seja, perfazem órbitas acentuadamente elípticas. Em teoria, os cometas remontam a um período primitivo da formação do Sistema Solar. No periélio, momento de sua órbita em que mais se aproximam do Sol, costumam apresentar a chamada coma, ou cabeleira, gerada pelo material volatizado do núcleo, e cauda, formada pelo material desprendido do cometa, soprado pelo vento solar.

Superfície do Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko. Imagem: Rosetta / NASA / ESA. Blog O Guardador de Estrelas.

Superfície do Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko. Imagem: Rosetta / NASA / ESA. Blog O Guardador de Estrelas.

O Projeto Rosetta

O nome Rosetta é uma alusão à famosa Pedra de Roseta, um bloco de pedra polida encontrada em 1799 pelo exército de Napoleão, enterrada nas areias do Egito. A pedra continha um mesmo texto, de 196 a. C. em diferentes línguas: hieróglifa egípcia antiga, demótico, e grego antigo. Sua origem é tão remota que as línguas que traz gravadas estão extintas, mas, por meio do grego antigo, sábios linguistas, com destaque para o francês François Champollion, conseguiram decifrar a escrita hieróglifa, suas características distintas e mudanças ao longo dos séculos.

E é o que esperam os cientistas da missão Rosetta, ao analisar corpos tão antigos como são os cometas: decifrar as condições químicas primordiais de uma época antiga da formação do Sistema Solar.

O pouso da Missão Rosetta será transmitido ao vivo por alguns canais da internet, e diversos veículos especializados trarão matérias a respeito nos próximos dias. Mesmo que o pouso da Philae não obtenha sucesso, o orbitador Rosetta continuará acompanhando e coletando dados do cometa até 2015. Caso tudo corra bem, será uma alegria!

Os cientistas, em qualquer caso, ainda levarão algum tempo analisando os resultados, e não se espera nenhuma resposta definitiva para a questão da origem da vida, apesar de haver alguma expectativa de se encontrar elementos que corroborem, ou contradigam, as atuais teorias.

Iremos acompanhar.  Abraço a todos!

 

Assista ao vídeo (em inglês), apresentado pelo astronauta da ESA Alexander Gerst, da Estação Espacial Internacional, com o passo a passo da missão:

www.youtube.com/watch?v=0iAaMyWq5T4&index=12&list=PLbyvawxScNbtAhH8vHAYl-pyEirPi-4Ad

 

Share This
Leia o post anterior:
Aspecto leste (L) do céu da Bahia ao nascer do sol em 11 de novembro e o aspecto mitológico das constelações. stellarium.org. Blog O Guardador de Estrelas.
Efemérides astronômicas: de 11 a 20 de novembro de 2014

Acompanhe os astros e estrelas que se apresentam no céu da sua cidade Olá, amigos! Sejamos todos bem vindos ao...

Fechar