Em 27 de setembro haverá super-lua e eclipse lunar total visível de todo Brasil

Durante o eclipse lunar total, a Lua passa pela umbra da Terra, quando costuma apresentar uma coloração castanha ou avermelhada. Imagem: reprodução. Blog O Guardador de Estrelas.

Durante o eclipse lunar total, ao passar pela umbra (parte escura da sombra) da Terra, a Lua tende a apresentar uma coloração castanha ou avermelhada, a depender das condições atmosféricas.

Olá, pessoal!

Um dos fenômenos mais esperados do ano pelos amantes do céu, no Brasil, acontecerá na próxima Lua cheia, em 27 de setembro, quando poderemos assistir a um eclipse lunar total. Será uma noite muito especial, pois além do eclipse, a Lua estará com um aspecto maior do que em qualquer outra noite do ano, já que este mês o plenilúnio e o perigeu acontecerão com apenas uma hora de diferença.

Mas, o que é plenilúnio? E perigeu?

Plenilúnio é o ápice da fase cheia da Lua, momento em que o disco lunar fica completamente iluminado pelo Sol. É o oposto do novilúnio, ápice da fase nova.

Perigeu é o momento da translação lunar em que a Lua mais se aproxima da Terra, a cerca de 360 mil quilômetros de distância. É o contrário de apogeu, quando a Lua se afasta até cerca de 420 mil quilômetros da Terra.

Tanto o plenilúnio, quanto o perigeu, acontecem todos os meses, mas quando coincide de ocorrerem ambos no mesmo dia, ou muito próximos, a Lua ganha um aspecto sensivelmente maior. No final de agosto passado, plenilúnio e perigeu aconteceram com um dia de diferença, e já foi o suficiente para emprestar um aspecto maior ao disco lunar. No próximo dia 27 o fenômeno será ainda mais evidente, com plenilúnio e perigeu ocorrendo praticamente ao mesmo tempo. Será uma super-lua, termo cunhado pelo astrônomo Richard Nolle em 1979 para se referir a fase cheia ou nova da Lua que acontece no perigeu, ou 90% próxima a este ponto.

E os eclipses, solares e lunares, como acontecem?

Um eclipse solar acontece quando, da perspectiva de um observador na Terra, a Lua passa exatamente na frente do Sol, ocultando-o. Quase todos os anos acontecem eclipses solares, e na maioria dos anos acontecem dois, mas como a Lua é bem menor do que a Terra, durante um eclipse solar sua sombra incide em apenas uma pequena área da superfície terrestre, restringindo a observação àquela região, e demorando longo período de tempo para se repetir nos mesmos lugares. Por isso é bem mais raro observarmos eclipses solares, e isso leva os estudiosos, astrofotógrafos e aficionados em eclipses solares a ter que viajar para lugares diferentes todos os anos, em busca da sombra da Lua. O famoso eclipse solar total de 1919, observado e fotografado por astrônomos ingleses desde a Ilha de Príncipe, na África, e de Sobral, no Ceará, que forneceu a primeira comprovação direta da Teoria da Relatividade Geral, de Einstein, é um exemplo marcante da poesia, do sonho e da aventura que a astronomia enseja.

Os eclipses lunares, por sua vez, acontecem quando a Terra passa em frente ao Sol, alinhada de tal forma que sua sombra incide na Lua, eclipsando-a, e o fenômeno pode ser visto em todos os lugares da Terra onde a Lua estiver acima do horizonte, como acontecerá no próximo dia 27.

Portanto, eclipses solares acontecem na fase nova da Lua, e podem ocorrer de forma parcial, total, anular ou híbrida. E eclipses lunares acontecem na fase cheia da Lua, podendo ser do tipo penumbral parcial, penumbral total, umbral parcial, ou umbral total.

Mas, se a Lua apresenta fase cheia e fase nova a cada translação em torno da Terra, por que os eclipses não acontecem todos os meses?

Porque o plano orbital da Lua é inclinado em mais de 5° em relação ao plano orbital da Terra, de forma que os eclipses só acontecem quando a Lua ocupa um dos pontos de interseção entre ambos os planos.

Eclipses acontecem a Lua alcança o ponto de interseção de seu plano orbital com o plano orbital da Terra, representado pela linha da eclíptica. Imagem: Stellarium.org. Blog O Guardador de Estrelas.

Eclipses acontecem quando a Lua, em fase nova ou cheia, alcança um dos pontos de interseção de seu plano orbital com o plano orbital da Terra, representado na esfera celeste pela linha da eclíptica (onde ocorrem os eclipses).

Na ilustração feita pela NASA a parte clara do mapa indica as regiões do planeta onde o eclipse poderá ser observado em sua totalidade (todo o Brasil). O tempo é considerado em UTC, por isso aparece como sendo dia 28, mas no Brasil ainda será dia 27. Imagem: NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Na ilustração da NASA o tempo é considerado em UTC, por isso aparece como sendo dia 28, mas no Brasil ainda será dia 27. Blog O Guardador de Estrelas.

Na tradicional ilustração de eclipses feita pela NASA (acima), o círculo vermelho na parte superior representa a região de umbra, onde ocorre o eclipse total. Na parte inferior, as áreas claras do mapa indicam regiões do planeta onde o eclipse poderá ser observado em sua totalidade (todo o Brasil). Detalhe é que o tempo está considerado em UTC, por isso aparece como sendo dia 28, mas no Brasil o eclipse alcançará sua totalidade por volta de 23h45 no horário de Brasília, portanto, ainda será dia 27.

Eclipse lunar - ilustração. Imagem reprodução. Blog O Guardador de Estrelas.

Ilustração da Lua passando da penumbra para a umbra da sombra da Terra.

Horário do eclipse de 27 de setembro:

O eclipse lunar do próximo dia 27 começará com a Lua entrando na penumbra da Terra às 21h12 (horário de Brasília). Durante a travessia da região de penumbra, apenas olhares mais experientes ou acurados percebem a diferença de luminosidade. Mas a partir de 22h07 a Lua começará a entrar na umbra, como mostra a ilustração acima, e então, o fenômeno passa a ser bastante evidente, e emocionante.

O máximo do eclipse deve acontecer às 23h47. Se programe para assistir, avise sua rede de contatos, será um bom momento para reunir seus amigos e familiares, confraternizar e observar o céu. E, claro, uivar bem forte pra Lua!

Aquele abraço!

 


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