Em 28 de janeiro de 1915 descendentes de alemães e simpatizantes fundaram na Bahia um semanário com o sugestivo título de “A Guerra” e o intuito declarado de influenciar a opinião pública e contrabalançar o noticiário favorável aos aliados na grande mídia : “Veio-nos a ideia de fundar o jornal A Guerra a fim de demonstrar ao povo desta gloriosa terra, de um passado altaneiro, a verdadeira grandeza da Alemanha, o seu alto grau de civilização, os motivos que a levaram a coparticipar no conflito europeu…rebatendo assim, à luz da verdade, a campanha de difamação de seus inimigos”.

Era a guerra propriedade de Antônio Tourinho, editado na tipografia de C. Tourinho & Companhia, à venda no Elevador Lacerda e no Charriot do Elevador do Taboão, além da distribuição em residências pelo precário sistema de assinaturas da época. Editoriais de Laert Costa e Edvaldo Pithon defendiam a causa Alemã com severas críticas aos franceses e ingleses. “A Guerra” argumentava que o mundo invejava “o progresso físico, moral e intelectual” dos alemães e minimizava as vitorias navais dos ingleses que a grande imprensa destacava nas suas manchetes de dez colunas.

“A Guerra” ainda circulava em 1917, então com impressão em papel colorido e já tinha um jornal que lhe fazia o contraponto: “A Conflagração”, com noticiário favorável aos aliados, propriedade e direção de Magalhães & Filho. O grande escritor e historiador baiano Affonso Ruy colaborava nos dois.

“A Guerra” teve vários endereços, foi melhorando o seu parque gráfico, chegou a imprimir a cores lavadas, e sempre priorizou a fotografia (clichés de Lindemann e outros fornecidos pelo consulado alemão) para compor uma primeira página mais atrativa para o leitor. Num tempo em que jornal com fotos era raridade.

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