Em 1917 o jornalista Arthur Ferreira mudou-se do Rio de janeiro para Salvador com o objetivo de fundar “A Hora” e fazer oposição ao governador do Estado Antônio Moniz e ao prefeito de Salvador tentente João Propício Carneiro de Fontoura. A virulência dos editoriais de “A Hora” contra as autoridades contribuiram para aumentar as tenções em torno da sucessão de Propício e tinha o objetivo ainda de pavimentar a volta de J.J Seabra ao governo, de quem era amigo e correligionário. O jornalista insinuava que o prefeito e o governador eram alcoolatras e afirmava com todas as letras: “parceiros nas roubalheiras”.

A virulência de “A Hora” resultou no empastelamento do jornal, supostamente por ordem do governador, após a publicação de uma charge de Raimundo Aguiar onde o rosto de Moniz, numa metamorfose gráfica, se transformava numa bunda. “A Hora” voltou a circular, redobrou os seus ataques, passou dos límites na linguagem e nas insinuações e entrou num conflito sem volta com Propício que não era mais Prefeito de Salvador. Até chegar às vias de fato.

Em 27 de junho de 1918 o ex-prefeito e o jornalista encontraram-se no bar “Gastronome”, ponto de encontro de políticos e jornalistas, localizado na cidade baixa. Propício tinha a intenção declarada de surrar Arthur Ferreira com uma bengala e ao avançar sobre o diretor de “A Hora” foi alvejado por um tiro na testa. Morreu a caminho do hospital. No dia seguinte o assunto repercutiu no Congresso e na opinião pública, com os governistas acusando A Tarde e o Diário da Bahia como cumplices no assasinato do ex-prefeito.

A mãe do falecido escreveu um telegrama ao diretor de A Tarde dizendo que perdoaria os agravos do jornal a seu filho, desde que desmentise os ataques contra a sua honra. Simões Filho respondeu que os ataques tinham sido baseados em documentos que recebera do atual prefeito Rocha Leal. O Diário da Bahia também se eximiu da acusação de ter estimulado a violência. O crime do “Gastronome” ficou impune. Arthur Ferreira foi preso e solto duas semanas depois para responder o processo em liberdade, sem mais nenhuma consequência para sua pessoa.

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