Em 1920 a Bahia perdeu num incêndio o seu maior acervo fotográfico: milhares de negativos e copias de praças, ruas, edifícios, obras em construção, interiores de residências, paços e templos, familias baianas, competições esportivas, inauguração de obras, trechos da cidade com aspecto ainda rural, praias, vultos ilustres do período do Império e da República, paisagens de cidades do interior. As chamas apagaram os registros de mais de meio século da história da Bahia clicados pelo alemão Rodolfo Lindemann, profissional de muitos talentos. A fotografia era a sua arte e paixão, mas também foi cineasta, paisagista, retratista e pioneiro no dominio da técnica da zincografia para a impressão de imagens.

O incêndio começou as 15 horas, durante o expediente do edificio da Photo-Lindemann na então Praça 13 de Maio (Piedade) localizado bem em frente à igreja, então propriedade do cineasta e proprietário de uma tipografia e editor de revistas Diomedes Gramacho. As chamas consumiram negativos, clichés e rolos inteiros de filmes, películas que reproduziam antigos carnavais, a exposição da borracha, ocorrências da cidade, acervo que estava em negociação para ser exposto na grande Exposição Comemorativa do Centenário da Independência a ser realizada no Rio de Janeiro, capital da República, em 1922.

Uma fagulha de um engomador trazida pelo vento foi a causa segundo apurou a perícia, provocando combustão nos celuloides. O fogo se alastrou rapidamente as labaredas consumindo quase tudo, dominadas mais de meia hora depois pelo corpo de bombeiros e a ação de funcionários e populares com baldes de água. Não se sabe se esse acervo incluia negativos de Guilherme Gaensley de quem Lindemann fora discípulo e sócio por quase vinte anos, um dos monstros sagrados da fotografia no Brasil.

Conta-se que Diomedes Gramacho, discipulo de Lindemann na arte cinematográfica, abalado com o incêndio teria se desfeito de outros milhares de metros de película de sua autoria, jogando-os no fundo do mar, segundo depoimento seu, já octogenário. Significa que a Bahia perdeu os seus mais valiosos registros em fotografia e película entre o fogo e a água.

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