Não tenho a menor ideia de quando e quem utilizou a mídia, pela primeira vez, ou fez uso de ações promocionais, corpo a corpo com o eleitor, para conquistar votos numa disputa eleitoral, que isso configuraria o que hoje entendemos como marketing político. O mais antigo registro que conheço é o do conselheiro Cornélio Ferreira França que em 1856, em anúncio publicado nos jornais, declarava-se candidato a uma vaga de senador pela Provincia da Bahia.

Anúncios como o aqui referido eram a traço e diferenciavam-se do conteudo editorial através de uma vinheta, semelhante ao do candidato Miguel Calmon Du Pin e Almeida, originalmente veiculado na primeira página dos jornais baianos em 1911. Calmon pleiteava uma vaga de deputado federal.

Com o advento da zincografia no ínicio do século XX e a possibilidade de transpor a imagem para o papel com razoável nitidez as campanhas políticas ganharam elementos gráficos que destacavam o candidato. Leitor de jornal, naquele tempo, era público alvo de fato, pois nem todas as pessoas podiam votar, mulheres nem pensar, pobres e analfabetos muito menos. Mas esse público perifêrico que não votava também tinha a sua influência, era plateia. E daí as campanhas dos candidatos se valerem de ações promocionais de grande impacto como mostra a foto do arco triunfal com o nome do postulante, montado pelos eleitores de Nazaré das Farinhas para a apoteótica campanha de Ruy Barbosa, candidato derrotado à Presidência da República em 1919.

A campanha de Otávio Mangabeira ao Governo da Bahia em 1947, anos depois, já usou elementos de marketing político mais incisivos. Desconstruía as realizações dos governos da revolução, sob a ditadura Vargas, através de um magnífico cartaz, que virou anúncio, ilustrado pelo caricaturista português Raimundo Aguiar. A campanha de Antônio Balbino, que o sucedeu no governo, avançou mais ainda, foi uma campanha planejada na comunicação com muitas ações promocionais nos comícios, a força de um jingle criado por Percy Cardoso e Wilson Sampaio e um slogan inteligente e convincente “Um homem de bem para o bem da Bahia”.

Doravante o marketing político tornava-se fundamental para eleger um candidato, até porque aumentara o número de eleitores, mulheres inclusive, diminuira as possibilidades de fraude e acabara em definitivo o absurdo modelo que permitia às assembléias legislativas revisarem a votação, ou seja, podia-se empossar, e foi assim por décadas, um candidato que não fosse o mais votado.

Para ilustrar e concluir este post trouxemos o anúncio da campanha de Lauro Farani Pedreira de Freitas, candidato favorito ao governo, nas eleições de 1950, morto tragicamente em acidente aéreo em Bom Jesus da Lapa, meses antes do pléito. Outros tempos em que inteligência era argumento para seduzir o eleitorado.

Pin It on Pinterest

Share This
Leia o post anterior:
As figurinhas de jogadores de futebol numa revista baiana

Em 1920, "Renascença", editada desde 1916 pela Foto Lindemann de Costa e Gramacho, lançou um expediente muito utilizado no sul...

Fechar