Tudo começou neste campo, então denominado de Ground da Praça dos Mártires, hoje conhecida como Campo da Pólvora, em 1903, quando os recêm formados times da cidade praticavam jogos amistosos que não existia ainda a Liga Baiana de Esportes Terrestres, criada em 1905. Então nasce o Campeonato Baiano de Futebol e o “Internacional”, um grupo formado basicamente por ingleses residentes na Bahia, sagrava-se campeão do tornéio. Stewart, Gleig, Mc Nair, Scharp e Hayne brilharam durante a partida, asim registrou a imprensa.

O Campo da Pólvora precisou ser nivelado para a bola rolar e ainda foi preciso negóciar com o Circo Luzitano, instalado no local, para abrir espaço e em troca ceder algumas cadeiras para as senhoras, como arquibancadas, que a torcida então apreciava os jogos em pé, ao lado da linha lateral divisória do campo.

Em 29 de maio de 1906, conforme revela a foto do jogo Santos Dumont e Bahiano, com score de 4 x 0, o Campo da Pólvora assistiu o último jogo do campeonato e já no ano seguinte a Liga transferia o certame para o Ground do Rio Vermelho, na Fonte do Boi, inaugurado em 2 de junho de 1907, com entradas pagas. Foi um Deus nos acuda para a população aceitar as novas regras: pagar para ver o jogo da bola. E muito trabalho para se deslocar de bonde, já que o lugar era bem distante do centro.

O campo do Rio Vermelho passou a ser o campo oficial e um dos cinco autorizados pela prefeitura para a prática do esporte. Os outros eram o da Pólvora, já referido, e os da Quinta da Barra, Largo do Barbalho e Largo do Papagaio. O campo do Rio Vermelho padecia dos mesmos problemas que o da Praça dos Mártires: as pessoas atravessavam o espaço em pleno jogo; sempre tinha alguem mais agitado que dava uns empurrões no juiz e não tinha onde sentar; quem queria conforto tinha de trazer a cadeira de casa, numa carroça de burro.

As pessoas enfrentavam a inclemência do sol com os chapéus, de hábito na indumentária dos baianos daquele tempo, e sombrinhas improvissadas em especial para as mulheres. Muitos anos depois, em 1919, os baianos teriam de fato um campo de qualidade. o “Stadium” da Graça, construido em terreno e por iniciativa do ex-jogador do Esporte Clube Vitória Arthur Moraes, mas isso já é outra história.

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