Os europeus já tinham uma vaga noção do que era o gelo, acostumados com os blocos de granizo do inverno, mas os baianos conheciam a sua existência apenas de ouvir falar. Na década de 30 do século XIX o produto começou a ser distribuido regularmente no Brasil; há o registro da chegada do návio americano Madagascar, proveniente de Boston, aportando no Rio de Janeiro com 260 toneladas do produto, em 1834.

Pela mesma época o gelo chega em Salvador, à venda no Trapiche Barnabé, imediações do Mercado do Ouro, anunciado para os baianos como um grande tônico “que é muito proveitoso para as doenças do estómago tão intensas nesta província” assim como para outras enfermidades e outros usos fora da medicina, inclusive o de refrescar as bebidas, ou seja sucos e vinhos, possivelmente garapas, que não existiam ainda as gasosas.

O gelo era muito caro, produto raro pelos altos custos de transporte e manutenção. E para sua conservação, por longos períodos, era enterrado envolto em serragem, podendo durar até cinco meses. Uma técnica que sobreviveu às invenções das caixas de esfriar e às geladeiras a querosene e eletricidade. Ainda hoje utilizada em alguns lugares do mundo. Não se enterra mais o gelo, mas, se coloca em caixas de isopor com a dita serragem.

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