A Cegonha estreou no mercado editorial baiano em 18 de julho de 1917, então produzida na tipografia da Imprensa Nova, na rua do Silva, 3, Barbalho, com excelente qualidade de impressão, a maioria das edições em papel couché, adquirido da Casa Melington & Cia, o mesmo fornecedor das revistas Fon-Fon e Selecta do Rio de Janeiro. Quando a remessa do papel atrasava era impressa em papel acetinado, sempre preservando a qualidade para realçar a grande quantidade de fotografias, uma de suas características e diferenciais.

Era propriedade, na sua etapa inicial, de Amado Coutinho, Antônio de Carvalho Coelho e Altamirando Requião que logo deixou a direção para manter apenas o vínculo de colaborador, provavelmente por conta de seus compromissos no Diário de Noticias, do qual era diretor-proprietário. Afonso Carlos de Amorim e Fausto Fernandes eram os redatores. Tinha a revista as seções fixas do Folhetim, Ironias e Indiscrições, Correspondências, Esphincainas e de poesia, nesta colaboravam Requião e o poeta Arthur de Salles, dentre outros. Em 1918 Cyro Rodrigues Filho era o administrador.

A direção artística era de Raimundo Aguiar, ilustrador e caricaturista português, a pena mais requerida na imprensa baiana naquele tempo, colaborador de pelo menos trinta publicações, entre jornais e magazines, na sua brilhante carreira. E era justamente de Aguiar uma das seções de maior recall na revista:uma tirinha humorística onde explorava temas mundanos como o namoro, mania de festas, carnaval, tipos humanos, costumes soteropolitanos.

Mas, Aguiar não era o único ilustrador. A Cegonha contava também com o lapiz de Álvaro de Barros, talentoso desenhista, conhecido como Alba, que enviava as suas capas do Rio de Janeiro onde residia; desconfio que seja dele a magnífica capa da edição inaugural da publicação aqui reproduzida.

Era uma revista de variedades e isso incluia um generoso espaço ao esporte baiano. Tinha o dedo de Amado Coutinho que era rubro-negro e muito ligado às entidades esportivas. A revista que tinha periodicade mensal  criou a figura do redator de anúncios, um diferencial mercadológico, que chamava de redator comercial, cargo exercido por Paulo José Esteves. Tinha a função de auxiliar os anunciantes na confecção de seus reclames, suprindo a falta das agências de publicidade e de especialistas no assunto, estes na sua maioria empregados dos serviços de propaganda do bonde, sem tempo extra para um frela.

Não sei quanto tempo A Cegonha exibiu o seu bico, mas incomodou muita gente. O último exemplar que eu conheço é de setembro de 1918, quando a sua redação e oficinas já funcionavam na Conselheiro Saraiva, 23; antes disso funcionara na Ladeira da Misericórdia. Incomodava e muito os políticos com a suas charges. Mais de uma vez desculpou-se por isso. Amado Coutinho dizia ser ele o único responsável, livrando a cara da equipe e colaboradores.

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