Um comentário do Diário de Viagem do célebre naturalista Carlos Frederico Philippe Von Martius, que visitou nosso país entre 1817 e 1820, aprofunda as dúvidas em torno do jornalista Diogo Soares da Silva e Bivar que então estava preso em Salvador pagando pena alternativa; condenado tinha sido originalmente a degredo em Moçambique.

Von Martius cita o Sr Bivar que deve ser o próprio como “o único dos nossos conhecidos que fizera  observações metereológicas… firmou-nos poder calcular a temperatura ao pôr do sol, durantes os meses ùmidos de março a setembro…”. Significa que o Sr Bivar, que estava preso, era também um especialista em metereologia, dentre outros talentos já conhecidos, e mais uma vez nos induz a pensar que Bivar não era um preso comum e tinha muitos privilégios.

É que Diogo Soares da Silva e Bivar enquanto esteve preso teve uma filha; redigiu a primeira revista editada no Brasil com o título de “Variedades” (1812), iniciativa da Tipografia de Silva Serva; organizou o segundo almanaque do país, minuciosa copilação de dados, com o título: “Almanaque Para a Cidade da Bahia. Ano de 1812”;escreveu artigos que requeriam ampla pesquisa e consulta às fontes e ainda, sabemos agora, fazia previsões climáticas com base em certas tabelas que Von Martius cita no seu texto.

São indícios que nos levam a pensar que Bivar tinha de alguma forma a proteção do governador Conde dos Arcos e sugere que se de fato dormia na cadeia, segundo requerimentos de sua autoria onde pede banhos de sol e outras regalias, tinha alguma licença para sair das masmorras do Forte de São Pedro em determinadas ou recorrentes ocasiões.

A vida de Bivar é um mistério que se aprofunda na medida em que surgem novos indícios sobre seus talentos e atuação, mesmo na condição de preso político, nos bastidores do então conturbado cenário da Bahia pre-independência.

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