Os baianos já curtiam um lança perfume no Carnaval, em inícios do século XX, mas não é nada do que você está pensando. Não passava pela cabeça de ninguem cheirar esse negócio. Lança perfume era um produto, então fabricado pela Rhodia, desodorizante com aroma semelhante ao L’Air dus Temps de Nina Ricci, produto fino para incrementar a paquera: jogava-se um cheirinho no cangote ou na orelha, assim meio distraído para disfarçar, mas nem tanto que deixasse passar desapercebida a intenção.

Os lança perfumes da Rhodia, chamados de Rodo, vinham embalados em vidro, em caixas contendo três unidades, e eram vendidos nos melhores magazines e armazéns da cidade. A propaganda caprichava nos apelos de venda estimulando o flertre como no anúncio do lança perfume Alice com o Pierró cortejando a Colombina publicado na revista Unica em Salvador.

Os lança perfumes da Bayer disputavam-lhe espaço nas vitrines das lojas e nas páginas de propaganda das revistas. As marcas nais conceituadas eram Rodó, Alice, Flirt, Rigoletto e a substância era cloreto de etila.

Um dia alguem resolveu cheirar o produto, os fabricantes acrecentaram-lhe eter aos poucos e então o governo por decreto de Jânio Quadros e pressão do apresentador de TV Flávio Cavalcanti, proibiu em 1961 o seu uso. O lança perfume entrou na clandestinidade, deixou de ser fabricado por marcas tradicionais e passou a ser produzido no fundo de quintal e no Paraguay. E o decreto é obvio proibiu também a propaganda.

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