Em 1969 a construtora Norberto Odebrecht deu início à construção do terminal maritimo de Bom Despacho, como se observa na foto. Uma das prioridades era a construção de um quebra-mar para proteger os barcos de grandes temporais que os críticos do projeto anunciavam como inevitáveis no local. A suposta violência das águas, no entender de alguns “especialistas”, não seria empecilho se o terminal fosse construído em São João do Manguinho, local por eles recomendado.

Do outro lado da costa, simultaneamente, era construido nas proximidades de Àgua de Meninos, o terminal de São Joaquim. A obra completa, os dois terminais e um trecho da estrada, encomendada pelo Governo do Estado durante a gestão do governador Luis Vianna Filho, ficou a cargo das construtoras Norberto Odebrecht, Rodotec, Empate, Goes e Bardela & Companhia Brasileira de Dragagem, a um custo estimado de 37 milhões de cruzeiros. Obras concluidas em dezembro de 1970. Naquele tempo grandes projetos eram executados em tempo recorde, não se cogitava, nem se admitiam atrasos.

O sistema Ferry Boat nasceu de uma necessidade de integrar a Bahia de Todos os Santos, mas o discurso em que o governo se apoiou para realizar a obra era um tanto incongruente. O Governo afirmava que o sistema seria autosustentável, o que nunca ocorreu em toda a malograda trajetória do serviço e uma das balelas repercutidas na imprensa era a de que o serviço permitiria uma melhor exploração comercial e transporte das reservas de sal-gema da ilha. Isso nunca aconteceu.

Em todo caso a implantação do sistema Ferry Boat foi uma conquista para os ilhenhos e em especial para as cidades do recôncavo e do sudoeste que encurtaram o percurso para o transporte das safras de frutas e hortigranjeiros. E deu um impulso ao turismo com a entrada em operação de duas embarcações construídas num estaleiro de Porto Alegre (foto). A primeira denominada Agenor Gordilho, em homenagem ao empreendedor da  Fabrica de Tecidos São Benedito de Itaparica; a segunda com o nome de Juracy Magalhães, em homenagem ao ex-interventor e governador.

Com a implantação do sistema Ferry Boat a Companhia de Navegação Baiana que então tinha em operação dez linhas deficitárias deu início a um processo de extinção dos roteiros não rentáveis. O sistema Ferry Boat contou com um grupo de trabalho que incluia os têcnicos Freitas Santos Sousa, Alexei Belov, Silvio Vieira Regis, Renato Baiardo, Antônio Carlos Laranjeiras, André Negueiros Falcão e Luiz Leopoldo.

O sistema infelizmente nunca deu certo. Foi sempre deficitário na prestação de serviços, sob a gestão pública como na privada, porém é valido reconhecer que contribuiu para o progresso da Bahia e a integração do sudoeste com a capital. Mas, o sonho de um serviço eficiente de passageiros e de transporte de carga, mais de 40 anos transcorridos, ainda não foi realizado.

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