Existiu em Salvador em inícios do século XX um modelo de relações trabalhistas entre patrão e empregado, então revolucionário, sem precedentes no Brasil, iniciativa do empresário Luis Tarquínio; modelo este implantado na sua fabrica de tecidos “Companhia Empório Industrial do Norte”.

Naquele tempo sequer se cogitava na possibilidade de oferecer qualquer benefício ao trabalhador que não fosse o salário combinado. Predominavam relações de mando e submissão, legado de mais de quatro séculos de escravidão. Luis Tarquínio, ele próprio filho de uma lavadeira, descendente de escravos, mudou esse quadro estabelecendo uma fábrica modelo que reuniu em torno de 1.500 operários.

Tarquínio foi um visionário na compreensão de que um trabalhador bem tratado e satisfeito revertia numa maior produtividade da fábrica e consequentemente no lucro. E foi com essa convicção que o empresário construiu para seus empregados um bairro denominado Vila Operária com oito avenidas e caprichosa urbanização, incluindo belos jardins. Além da Vila de  258 casas os trabalhadores gozavam do beneficio de assistência médica, escola e creche para seus filhos, salão de esportes e armazém.

Água e luz eram gratuitos e conta Eliana Dumet, bisneta do empreendedor, que no tempo da seca e da farinha pela hora da morte, no armazém da vila o produto podia ser adquirido por preço inferior, franqueando a compra também aos vizinhos.

É claro que essa proposta reformadora provocou reações entre o empresariado e mesmo entre os acionistas da fábrica. Tarquínio não se deixou intimidar, prosseguiu no seu propósito de estabelecer relações trabalhistas diferenciadas e realizou uma obra que o torna uma referência de visão empresarial. Por isso quando você passar por uma das ruas Luis Tarquínio lembre-se que homenageiam um dos maiores baianos de todos os tempos. Um homem visionário, reformador, para além de seu tempo.

As fotos que ilustram este post são da coleção de Ewald Hackler, produzidas em 1907 e 1908 respectivamente.

 

 

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