O Inimigo do Rei foi um jornal baiano anarquista que desprezava os intelectuais “hoje muito anarquistas para nosso gosto” dentro de uma proposta de um coletivo de participação intelectual que incluía todas as etapas de produção do jornal: quem escreve faz, divulga e distribui também. Jornalista tinha que ser jornaleiro e isso o alternativo chamava de autogestão com o que pretendia se diferenciar de outros jornais supostamente do gênero.

Nasceu em 1977 entre estudantes de filosofia da Universidade Federal da Bahia, em plena ditadura militar. Sobreviveu onze anos entre altos e baixos, circulação quando possível com intervalos de mais de seis meses como ocorreu entre o primeiro e o segundo números. O slogan “um jornal antimonarquista” definia um propósito contra o poder único e arbitrário, naquele momento representado pelo governo de farda e tinha tudo a ver também contra a ditadura dos diretórios acadêmicos da universidade, aparelhados por grupos.

A sua proposta editorial era irreverente, articulada com grupos anarquistas de outros estados e tocava em temas polêmicos, tabus que os jornais alternativos de esquerda ignoravam. Teve vários formatos e diferentes identidades visuais, inclusive o padrão rubro negro como o da capa do exemplar aqui postado.

As suas bandeiras eram liberdade sexual, desobediência civil, pluralismo sindical, antimilitarismo, fim do voto compulsório e brincava, já no clima de anarquia “sorvete de mangaba”. Ricardo Liper e Tony Pacheco que hoje assinam o blog que se reporta ao título do nanico junto com Alex Ferraz, foram dos mais atuantes redatores do O Inimigo do Rei no seu propósito de reviver o anarquismo dos anos 20, menos engajado no padrão de luta operária e mais libertário.

 

 

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