Há em Cachoeira uma máquina impressora, a da foto, um prelo apontado pelos especialistas como o mais antigo equipamento do gênero existente no Brasil. Há divergências quanto a isso, nenhuma prova consistente de que de fato seja o prelo mais antigo, em todo caso é uma peça magnífica, infelizmente não disponível para apreciação do público; encontra-se hoje guardada num comodo de um sobrado antigo do município. Há dez anos atrás ainda funcionava, eu mesmo tive a oportunidade de ver em operação.

O prelo em questão é uma peça de ferro maciça de fabricação francesa, marca Alauzet, com uma inscrição fundida com o numerário 1747, se a memória não me falha, e é essa inscrição que fez respeitados especialistas apontarem o equipamento como o mais antigo do gênero no Brasil, na suposição do que o numerário se refere ao ano de fabricação. Esta tese foi aceita sem controvérsias na bibliografia sobre a história das artes gráficas no Brasil, mas vista com ressalvas por pesquisadores baianos, o autor deste blog incluído.

Tudo que se sabe sobre os prelos Alauzet é que pertencem à terceira geração das máquinas impressoras, ainda de operação manual, mas já com o diferencial dos cilindros, um avanço nas técnicas de impressão que é comprovadamente do século XIX e isso torna de fato improvável a data de fabricação que os historiadores pretendem aludir ao prelo cachoeirense. A propósito é bom lembrar que o Idade D’Ouro do Brasil, primeiro jornal baiano, foi impresso em 1811, num prelo de madeira e não há qualquer registro nas duas décadas seguintes da existência de prelos de ferro entre nós, hoje se sabe, fabricados na Europa desde 1795 e nos Estados Unidos desde 1797.

As máquinas Alauzet foram muito populares no Brasil, na segunda metade do século XIX, antes de serem substituídas pelas Marinonis. O próprio Estadão, então denominado de “A Província de São Paulo” foi impresso em 1875 numa máquina da marca, movida por escravos libertos contratados.

O prelo de Cachoeira onde durante anos foi impresso o jornal A Cachoeira é um belo exemplar da espécie, das primeiras e mais antigas impressoras do país. Já foi o prelo mais antigo de fato em funcionamento. O numerário da controvérsia deve ser um registro de série e não um ano cronológico de fabricação. Hoje, fora de operação, é uma peça de museu que estaria a merecer um nobre lugar para exposição e instrução às novas gerações e em especial para apreciação pelos interessados nas artes gráficas, nas técnicas de impressão e na história da mídia.

 

 

 

 

 

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