Escola de Samba Juventude do Garcia

Durante quase uma década, entre 1963 e 1972, as Escolas de Samba reinaram absolutas no Carnaval da Bahia e eram elas que a mídia destacava nas suas manchetes de primeira página com muitas fotos; aos trios elétricos era reservado apenas um espaço acanhado, em geral nas páginas internas, com menos presença inclusive do que os bailes de Carnaval dos clubes Bahiano de Tênis, Associação Atlética, Iate, Português, Palmeiras e outros. Três escolas de samba reinavam na Avenida: Filhos do Tororó, Juventude do Garcia e Diplomatas de Amaralina, dentre mais de 20 que desfilavam no trecho entre a Praça Castro Alves e a Praça Municipal.

As Escolas de Samba surgem no Carnaval da Bahia a partir dos chamados cordões e batucadas, que desfilavam com um porta estandarte e um mestre sala, a bateria e elementos coreográficos de evolução. Eram, contudo, grupos homogêneos nos figurinos. O que faltava de fato para serem caracterizadas como Escolas era o número e diversidade de alas. Os sambistas baianos consideram a Preguiça o berço do samba no Carnaval, a partir do surgimento da batucada Ritmistas do Samba que teria sido a primeira a formar alas e ter sido o berçário-escolinha dos integrantes das três grandes Escolas acima referidas.

Na cronologia o registro mais antigo de uma pretensa Escola de Samba é da batucada Embaixada Terror do Samba que desfilou em 1941, se a memória não me falha, oriunda da Liberdade. Mas é na década de 50 que surgem as Escolas de fato, quase isso, ainda com poucos integrantes, com Filhos do Tororó e Filhos do Nordeste (53) ano este em que a Escola Estrelas do Mar do Rio de Janeiro fez uma exibição na Rua Chile para os baianos; Escravos do Oriente (54); Filhos do Morro e Filhos do Garcia (56); Ritmistas do Samba, Mocidade e Mangueira, (57); Acadêmicos do Samba e Filhos da Liberdade (58); Acadêmicos do Morro e Juventude do Garcia (59); Embaixada União, Filhos dos Pirineus e Filhos do Ritmo (1960).

Escola de samba na Sé

Com o surgimento dos Diplomatas de Amaralina (66) se estabelece uma forte concorrência entre as três Escolas referidas no início deste artigo, sem desconsiderar o Bafo de Onça (64) que também veio para disputar títulos. Então, as Escolas de Samba da Bahia desfilavam com até 2.000 integrantes, baterias de 100/150 músicos, e em média de 20 a 25 alas. Filhos do Tororó contava originalmente com um elenco de compositores onde se destacavam Ederaldo Gentil e Nelson Rufino; Juventude do Garcia agregou mais tarde Nelson Rufino e Walmir Lima e já contava com João Barroso e Reginaldo Luz, dentre outros.

A luta pelo título inflacionou os custos das agremiações. Surgem cachês impagáveis e já se insinua uma crise financeira que seria uma das causas para o enfraquecimento das Escolas e a sua decadência. As grandes saíram de cena antes da humilhação definitiva quando o poder público se omitiu e permitiu que os trios elétricos atropelassem as Escolas, a partir de 1973. Antes disso o governo já se empenhava em acabar com as entidades, aderindo ao inconveniente discurso de Haroldo Barbosa, o criador da Escolinha do Professor Raymundo na TV, que convidado para participar do júri na Bahia, declarou que as nossas Escolas eram apenas imitação das do Rio e deveriam acabar para dar espaço aos afoxês,esses, sim, grupos de raízes, autênticos representantes de nossa cultura ancestral.

Era uma meia verdade que a Sutursa por conveniência e má vontade, expressa pelo diretor em declarações aos jornais, transformou numa verdade inteira. Doravante as Escolas seriam feridas por um regulamento que, a pretexto de segurança, limitava o número de alas e integrantes e encaradas pelos organizadores da festa como uma incômoda tradição. (Nelson Cadena)

Escola de Samba na Sé

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