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O Palácio restaurado com detalhe das varandas e jardins do lado do mar. Foto da revista Bahia Ilustrada.

Em 15 de novembro de 1919 o Palácio Rio Branco, restaurado ao custo de 1.582 contos de reis, foi oficialmente inaugurado e no mesmo dia e no dia seguinte franqueado à visitação do público. Centenas de baianos admiraram a nova fachada com cúpula, as obras de talha e escultura, a sala dos espelhos, afrescos e pinturas, o piso de mármore verona e carrara, os seis níveis do monumental terraço. Alguns, certamente, lembraram que sete anos e dez meses antes a sede do governo ardera em chamas após ser bombardeada por ordem de um juiz federal na manhã de 10/01/1912.

O bombardeio foi o desfecho das lutas políticas que levaram J.J Seabra ao poder, único governador eleito na história da Bahia que não teve concorrentes no pleito, quem ousaria depois da violência patrocinada pelo governo federal? Quando o cheiro das madeirames queimadas e das cinzas de milhares de livros e periódicos incinerados da Biblioteca Pública que funcionava no local, se dissipou; quando o novo governador tomava posse e os jornais de oposição empastelados, tentavam se recompor, começavam as obras de restauração física do prédio. Já a restauração da dignidade foi um processo mais doloroso.

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Detalhe do salão nobre após a restauração.

Os tiros de canhão provocaram um grande impacto nas finanças do Estado que despendeu uma alta soma na restauração que ocorria doze anos após o palácio bombardeado ter sido construído. O velho, obra do governador Francisco Barreto de Menezes em 1663, tinha sido demolido em 1890 e inaugurado em 1900. Colocando os pontos nos Is, entre 1890 e 1919 o tesouro arcou com as despesas da construção de dois palácios e como efeito colateral, a construção do Palácio da Aclamação nas imediações do Campo Grande.

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O Palácio durante as obras de restauração.

Em abril de 1912 J.J Seabra já despachava no imóvel, suponho eu que seu gabinete ficasse na lateral da Rua Chile, considerando que a ala voltada para o mar tinha sido destruída e a fachada também, modificada na restauração. Os governadores Seabra (1912-1916) e Antônio Muniz (1916-1920) recebiam autoridades federais, visitantes ilustres e promoviam eventos sociais, a exemplo da festa celebrada pelo aniversário do super secretário de governo e de obras Arlindo Fragoso. Promovia, ainda, exposições pontuais e permanentes como a de produtos agrícolas.

Algumas repartições públicas aos poucos, enquanto as obras avançavam, foram se instalando no imóvel, inclusive___ que ironia! ___ a Biblioteca Pública enquanto eram concluído o acabamento do prédio construído em frente ao Palácio, inaugurado em 28 de setembro de 1919.

O projeto do novo palácio envolveu três competentes profissionais italianos: o arquiteto Júlio Conti (projetista da nova Igreja da Ajuda e do Instituto Histórico), autor do projeto original; Felipe Santoro (projetista do velho Mercado Modelo, Quartel dos Bombeiros, Kursal/Cine Guarany, e da reforma do Teatro São João), responsável pela configuração interna do Palácio; Pasquale de Chirico (autor das esculturas da Faculdade de Medicina, estátuas do Barão do Rio Branco e Castro Alves, Cristo de Ondina/Barra…) escultor da estátua de Thomé de Souza nas escadarias e das esculturas das guardiãs, na fachada.

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O Palácio em 1627 segundo o desenho do cartógrafo holandês Hessel Guerritsz

Seis anos após a inauguração da nova sede do governo foi preciso uma ampla restauração do telhado, encontraram várias bolsas de cupim e “madeiras ardidas”. Como assim? Os restauradores de 1919 deixaram passar restos das vigas e madeirames incendiados em 1912? Vá saber o que ocorreu! Em obras desse vulto, longe da fiscalização dos arquitetos e engenheiros, que não subiam nos andaimes, tudo pode acontecer. (Nelson Cadena)

Publicado no jornal Correio * em 08 de novembro de 2019

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