Rio Vermelho decada de 70;

O entretenimento não faltou nas festas populares quando os organizadores entenderam a importância de criar uma infraestrutura para atender as necessidades de fiéis e romeiros, estes vinham de longe, pernoitavam próximos às igrejas, traziam suas famílias. Quando as festas dos arrabaldes (Rio Vermelho, Barra e Itapagipe) passaram a ter mais recursos e demandas, a partir da contribuição dos veranistas, o entretenimento tornou-se essencial. E assim surgiram as cavalhadas, concursos de rainhas, pau-de-sebo, quebra-potes, fogos de planta e artificio, quermesses e grupos musicais: ranchos e ternos, filarmônicas, cantores de modinhas e bandas militares.

No início do século XX o entretenimento agregou o esporte, em especial nas festas do Rio Vermelho, influenciado pelo efeito multiplicador na mídia das Olimpíadas de Atenas, em 1896. O esporte tornou-se um modismo em todo o mundo ocidental; na Bahia evoluíam e se popularizavam as competições de remo, surgia ainda o futebol, a partir de 1901, quando Zuza Ferreira trouxe da Inglaterra a primeira bola e com ela os regulamentos.

O Rio Vermelho tornou-se o cenário ideal para o esporte como atração da Festa de Nossa Senhora de Sant’Ana, cujo ponto culminante ocorria em 02 de fevereiro, ou em data próxima. Em 1907 o arrabalde ganhou um campo de futebol onde foram realizados durante longos 12 anos os jogos oficiais do Campeonato Baiano. No Ground eram realizadas também corridas de cavalos e logo mais tornou-se uma arena multiuso para a prática do ciclismo, pedestrianismo, corridas de patins e lutas.

Ground do Rio Vermelho

Em 02 de fevereiro de 1907 a grande atração da festa foi o “match” entre o Esporte Clube Vitória e São Salvador. Tanto o futebol cresceu em prestígio junto à elite baiana que no final da primeira década do século XX, símbolos da modalidade e jogadores foram incorporados ao Bando Anunciador. O arauto divulgava a Liga Baiana de Esportes Terrestres, no carro alegórico, enfeitado com bolas, senhoritas da alta sociedade portavam as bandeiras dos clubes, a guarda de honra do préstito era formada por jogadores.

E assim o Bando que costumava sair da praia da Paciência adotou o Coliseu do Rio Vermelho como ponto de concentração. Os esportes aquáticos foram incorporados à festa, primeiro, com a transformação da Romaria dos Jangadeiros numa corrida de jangadas. E após com os torneios de natação, no estilo águas abertas, em percurso de 500 metros, nas categorias amador e profissional, nesta, o destaque era o superatleta__ remador e nadador__ Raul Drumond, homenageado com o nome de uma rua, na Barra.

Outro evento esportivo das festas era a corrida de flâmulas: atletas corriam em volta do bairro portando pequenas bandeiras e, a partir da década de 1920, as corridas de bicicletas e torneios de natação infantil. Os vencedores de qualquer uma das modalidades desfilavam à noite e recebiam medalhas no palanque oficial onde animada filarmônica atraia o público. Quando as festas do Rio Vermelho se confundiam com o Carnaval, na confluência de datas, o esporte cedia espaço para o desfile de carros alegóricos e pranchas de bondes enfeitadas, sobre os trilhos, que logo mais estariam se apresentando na Rua Chile.(Nelson Cadena)

Publicado também no jornal Correio* em 31/01/2020

 

 

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