Préstito Carnavalesco com merchandising

Carnaval da Bahia, 1909

Em 1.889 a firma Pacheco & Companhia compareceu na repartição estadual para registrar os cigarros Cruz Vermelha e Fantoches, marcas que buscavam fidelizar consumidores através de suas redes de relacionamento. Cruz Vermelha e Fantoches eram na época as duas maiores agremiações carnavalescas, ambos desfilaram pela primeira vez em 1.884. A ação mercadológica visava, não apenas os associados dos clubes, também, os simpatizantes, a torcida. Fazia sentido. O Carnaval nasceu do interesse de comerciantes e indústrias que identificaram nele um filão de negócios, a oportunidade de ganhar dinheiro divertindo-se.

No primeiro ano do Carnaval oficial (1884) não houve tempo, ou motivação, para introduzir o merchandising, ou ações de propaganda no evento. Porém, no ano seguinte, a Casa Mathias fez um reclame dirigido explicitamente aos associados dos dois clubes aqui referidos, anunciava “caixinhas com bengalas pirotécnicas. Lindo fogo ainda não visto nesta cidade”. No final da década, o Bazar 65 oferecia alfinetes de lapela americanos, dourados e esmaltados com o emblema dos Fantoches e Cruz Vermelha, ainda, lenços com os escudos e distintivos de lapela.

Já no início do século XX, em 1901, o carro alegórico reclame do laboratório Silva Lima surgiu na Praça Castro Alves, exibindo uma bela pintura do Vinho de Kola Phosphatado; um mascarado desceu do veículo para distribuir espelhos e brindes. E no mesmo ano a Casa Maia & Maltez enfeitou a sua vitrine com lanternas de cristal ostentando emblemas dos blocos. E em 1904 o carro reclame de Borel & Cia entrou na avenida distribuindo milhares de amostras de cigarros e charutos.

Prancha de bonde um

Carnaval da Bahia, 1919

No Carnaval de 1907, entre um e outro préstito dos grandes clubes, desfilaram os carros-reclame do Atelier Matheus, do Lombrigol e da Drogaria Brasil, este último de grande porte. Dois anos depois, em 1909, o senhor Kastrup, representante dos laboratórios Viera Junior montou um verdadeiro cortejo, um bloco, com muitos figurantes que adentrou na Praça Castro Alves, vindo da Barroquinha, exibindo alegorias de seus produtos. Exibiu estandartes e displays para cada marca e ele próprio montando em um touro manso liderava o inusitado cortejo que incluía equinos puxando carroças.

No ano seguinte, o destaque foi da Fábrica Havaneza que levou às ruas um carro alegórico com merchandising e distribuição de charutos, puxado por bois. Pela mesma época o propagandista do laboratório Daut & Oliveira, o gaúcho João Lyra, aportou em Salvador e montou um grande carro reclame para divulgar o produto A Saúde da Mulher e distribuir amostras para o público feminino que assistia os desfiles.

Outros carros-reclame aguardados com expectativa pelo público nas duas primeiras décadas do século XX eram o dos Cigarros Leite & Alves que chegou a distribuir 15 mil cigarros da marca Stanley; o do Café Leal com o seu chamativo “tímpano elétrico”, uma engenhoca que atraia os foliões para distribuir entre eles amostras do produto. As Casas Stella, Casa Pax e a Pasta Odol preferiam ações mais simples, muito bem acolhidas, como a distribuição de ventarolas promocionais para os foliões aliviarem o calor.  (Nelson Cadena)

Artigo de minha autoria publicado no Correio * em 27 de fevereiro de 2020

 

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