Leitoras e Leitores,

Hoje o Blog Um Estilo de Vida lhes apresenta Sergio Pereira da Motta* que em seu estilo de vida saudável, adora o contato com natureza e o faz realizando trilhas mundo afora.

Vamos ao seu depoimento sobre um dos seus esportes favoritos:

“Aqui no Brasil costumamos chamar qualquer passeio no meio do mato de trilha, mas lá fora há uma distinção entre Trekking e Hiking, como me esclareceu Sérgio. Ambos tratam de caminhadas a pé, o sentido é quase o mesmo sendo hiking usado para trilhas mais leves e de apenas um dia, e Trekking para as mais longas.

Para a prática do Hiking recomendo o uso de alguns equipamentos. É importante calçar um tênis próprio para trilha, resistente a água e ao piso irregular e que não seja tão pesado. Os tênis para fitness ou corridas não são adequados, assim como uma basqueteira não é uma bota! Além disso, roupas que possibilitem a fácil troca de calor, frescas, uma camisa UV de manga longa e chapéu. A Mochila para uma caminhada de um dia deve ter capacidade entre 30 e 40 litros. Leve sempre uma lanterna, uma faca de trilha e uma pederneira.

Saber fazer um abrigo e fogo é sempre importante. Tenha um cantil de ao menos 500ml em mãos, se possível também um filtro para água, verifique se rio é limpo, mas seguro morreu de velho. Seja SEMPRE cauteloso, você não é super-herói e está ali para se divertir e não para salvar o mundo.

Feita essa introdução, vou contar como foi realizar a belíssima trilha do Yosemite Park, na Califórnia.

Yosemite Park – Califórnia

Como tenho a oportunidade de ir com regularidade à Califórnia fui conhecer o famoso Yosemite Park para também chegar ao topo do Half Dome (um paredão que após a escalada lhe propicia uma vista lindíssima).

Sérgio no Yosemite Park, a caminho do Half Dome. Foto: acervo pessoal.

Não é um simples passeio no parque. Do vale ao topo são, ida e volta, minimamente 10h de caminhada. Eu levei, da primeira vez (já fiz outras quatro) 14h e cheguei de volta ao vale A-R-R-E-B-E-N-T-A-D-O……

Uma das primeiras frases que me chamaram a atenção sobre essa trilha foi “você não pode morrer sem ter feito, mas pode morrer fazendo”! E é verdade, a trilha é lindíssima, com matas, rios, cachoeiras e uma vista incrível do vale em Yosemite. Mas é preciso cautela, cuidado e responsabilidade na hora de subir os cabos que levam ao Half Dome.

Começando a trilha, por ser longa, de elevado grau de exigência física e por segurança, a recomendação é a de sempre começar antes do dia nascer. Isso porque se você chegar na beira dos cabos já tarde não tem como descer no escuro. Tampouco conseguirá retornar pela trilha, já que serão 5 a 7 h para o retorno, já cansado. Então, chegue cedo, comece sua caminhada e comece com calma porque você vai subir e subir por horas a fio.

Depois de 30 a 40 minutos de caminhada você vai encontrar com uma casinha parecida com uma cabana, mas é um banheiro, onde ao lado existe o único ponto de água por bebedouro que você vai encontrar lá. Nesse ponto a trilha se bifurca e segue por dois caminhos diversos.

O da esquerda é a Mist Trail o da direita é a John Muir Trail que é mais agreste e longa que a Mist. Como já segui pelos dois caminhos eu recomendo para a primeira vez seguir pela Mist, pois é mais curta, mais fácil e leva você pela beira do rio e de cara para uma cachoeira enorme. Veja bem, essa escolha não significa que ela seja menos exigente. Você vai subir uma escadaria de granito enorme, com degraus altos e encharcados. É cerca de uma hora subindo até passar a cachoeira e chegar a um planalto onde você vai encontrar um rio (Merced River) onde recomendo descansar e se alimentar. Vai estar no inicio da manhã e provavelmente fará frio, talvez até com neblina. Desse ponto é seguir adiante, a trilha é bem visível, não é marcada, mas bastante intuitiva e não dá para se perder. Vai continuar sua subida, menos acentuada e exigente, sempre com locais de ótimas fotos. A trilha inteira é deslumbrante.

Após mais 3 horas de subida você chega ao primeiro desafio que é o Sub Dome, não tão íngreme quanto o Dome, mas tome cuidado onde pisa, relaxe antes de começar e preste atenção porque se cair a queda será feia. Daí serão mais 30 minutos subindo, você estará bem cansado nesse ponto.

O Half Dome. Quando cheguei lá de cara para a pedra e cheguei perto dos cabos eu dei uma enorme amarelada. Gente, deu medo mesmo, a parede é quase em pé, de um lado e do outro se cair é JÁ ERA… nele tem fixado uma guia com dois cabos de aço bem grossos onde você somente vai conseguir subir se for segurando. Uns 10 a 15 minutos de subida, eu segurei com tanta força nos cabos que a mão doía lá em cima.

 

Sergio e seu amigo e parceiro de aventuras, Newton "Baca" Pinto, no topo do Half Dome.

Vale a subida, a vista é linda, você fica com uma sensação de “eu consegui” bem legal. O local é grande com alguns pontos para você encostar na beira do precipício e ver a paisagem, eu não fui, nem cheguei perto porque tive medo. Aproveite para as fotos, descansar e tomar coragem para descer porque vai ser outro aperto olhar para baixo e ver a altura e as duas “quedas” de uma lado ou do outro. Eu desci de costas segurando os cabos, achei mais seguro.

O retorno: Essa é a parte fácil, afinal para baixo todo santo ajuda. Mas, são outras tantas horas descendo a montanha e você vai estar  cansado, o clima estará mais quente ou quente e abafado entre as árvores a depender da época do ano. Minha recomendação é a de voltar de forma tranquila, curtindo a paisagem do retorno que sofre a diferença da perspectiva da vista e da incidência de luz totalmente diferente da subida. Eu sempre faço uma parada naquele rio que falei acima para descansar, tomar um banho de água gelada (não tome banho no rio se ele estiver cheio) e recuperar as energias. De lá serão mais outras duas ou três horas descendo até o vale.

*Sergio Pereira da Motta é advogado, pai de Artur, praticante de tênis e musculação, adora o contato com a natureza e, por isso, sempre que pode foge da cidade grande e realiza trilhas. Recentemente, Sérgio iniciou-se na culinária e já prepara pratos suculentos para a família e amigos. Newton Pinto, o “Baca”, vive na Califórnia há 12 anos, faixa preta no Jiu-Jitsu, ciclista, praticamente de standup, ótimo cozinheiro, além de amante do hiking.

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