Leitoras e Leitores,

É com muito orgulho e prazer que o Blog Um Estilo de Vida traz uma linda entrevista inédita e muito alto astral com a triatleta, destaque em 2017 pela Federação Baiana de Triathlon, corredora, ciclista, nadadora, sempre alegre: Guza Reze.

Blog: Quando e como foi seu ingresso no esporte? Você já começou no Triathlon ou migrou de alguma das modalidades?

Guza: Desde criança fui estimulada pelos meus pais a praticar esporte, mas tinha problemas com a obesidade. Fui uma criança e uma adolescente obesa e o “basta” só veio com a cirurgia bariátrica aos 26 anos, pesando 105kg, ao escutar de uma amiga que havia operado “amiga, não há beleza que resista à gordura, você está jogando sua vida fora.” Abandonei uma vida inteira de farra, de amigos de balada, de bebida, de festa e “virei a chave”. Um mês após a cirurgia comecei a malhar e a “tentar” correr. Meu sonho era apenas correr 30 minutos sem andar… kkkk E fui devagar, sem querer ser “maratonista”, “corredora”, só queria poder viver sem fazer dieta e a corrida mantinha meu peso.

Meu progresso foi lento e em 10 anos de atividade física tive apenas uma lesão em 2012, quando ainda estava começando. Fui sempre bem orientada pelos treinadores e nutricionistas, nunca dei um passo além do que meu corpo obeso – ainda sem massa muscular – poderia aguentar. Em 2010, fui morar em São Paulo a trabalho e treinava meus longões na USP, ficava encantada com os pelotões de ciclistas e triatletas passando por mim, achava lindas aquelas roupinhas apertadas e coloridas! Foi o meu primeiro contato com o Tri.

Ao voltar para Salvador, em 2012, entrei no triathlon, pois estava saturada de apenas correr, mas não sabia nadar e aí começou o sofrimento, passei dois anos para vencer a fobia e os ataques de pânico no mar. Mas fui desenvolvendo à minha corrida com os treinos de maratona e ganhando força no pedal, no fundo eu sabia que a natação era só um detalhe psicológico e que eu não deveria dar tanta importância a ela, nem ficar frustrada. Contei com a ajuda de muitas pessoas, principalmente com a do meu namorado, Pedro, que sempre nadava comigo e é até hoje meu parceiro de tudo!

Blog: Quais as provas mais marcantes em sua carreira? E qual a que você mais sofreu?

Guza: Carreira é meio profissional, né não? Kkkkkk Acho que tenho somente uma trajetória legal, de amor e dedicação ao esporte. Vou listar somente duas provas, senão passaria o dia falando. Eu amo Maratona, é a prova da minha vida. A minha primeira Maratona do Rio em 2014 sem dúvida marcou muito, não esperava fazer sub4h logo na primeira, além disso fomos em uma turma de 15 pessoas, a maioria debutando na distância, o que ajudou muito durante os treinos.

Guza na Maratona do Rio. Foto: acervo pessoal.

Guza na Maratona do Rio. Foto: acervo pessoal.

Mas completar o meu primeiro IRONMAN full em Florianópolis 2017 foi o dia mais feliz da minha vida, como se tudo que eu treinei de 2009 até aquele dia fizesse sentido. É muito louco passar 11h02 em uma competição, eu tinha tanto medo de não conseguir nadar que já entrei na água chorando kkkk mas foi lindo! Emocionante e muito sofrido, eu treinei para fazer a prova da minha vida.

Ironman 2017. Foto: acervo pessoal.

Ironman 2017. Foto: acervo pessoal.

O Ironman é uma prova caríssima, exige um planejamento financeiro muito grande, abdicação de tudo e eu sou estilo neurótica se estou focada em uma prova-alvo. É muito sacrifício para chegar lá e ficar de mimimi, se é pra fazer, que seja dedicação total. Tanto que após o Iron eu não quis mais receber planilha de treino, as provas que fiz de Junho a Dezembro de 2017 fiz na “doida”, porque me pressionei demais durante os treinos do Iron e quis experimentar me desobrigar a treinar forte.

Blog: Você tem uma forma muito peculiar de comemorar a conclusão de uma prova, como foi que começou isso?

Guza: ROCCCCKKK! Eu treinava muito ouvindo música e fazia uns sets de rock e música eletrônica para suportar os longões. Não sei exatamente quando começou isso, mas considero provas longas muito rock n´roll! É pancada no juízo o tempo todo, respiração ofegante e coração na boca. Experimenta correr ouvindo No One Knows, do Queens of The Stone Age, com certeza o pace vai baixar 1 minuto a cada km. kkkkkkk

A tradicional comemoração de Guza. Foto: acervo pessoal.

A tradicional comemoração de Guza. Foto: acervo pessoal.

Blog: Como está a participação das mulheres no triathlon baiano? Nossas atletas conseguem competir no mesmo nível das atletas de outros centros do Brasil?

Guza: Em 2012, quando comecei no tri, éramos 20 meninas nas provas do baiano. O esporte deu um salto nos últimos anos e a internet ajudou a divulgar. Além do interesse pessoal de cada pessoa, as assessorias de corrida começaram a ver o potencial do triathlon e estimular os seus alunos a experimentar o esporte. Hoje temos muitas atletas de Salvador e do interior do Estado que sempre estão nos pódios nacionais e até internacionais.

As meninas muitas vezes treinam com homens (por falta de companhia feminina) e vejo nisso a evolução em cada prova. Temos Claudinha Lyra, a única baiana a ir para o Mundial do IRONMAN no Havai; Tici Amâncio, que acabou de voltar do Mundial da ITU na Holanda; temos Marcinha, representante de Feira de Santana; Manuela Elia, de Barreiras e a Ana Augusta. de Juazeiro, que vai comigo para o Mundial do Meio Ironman, na África do Sul, em Setembro.

No pedal. Foto: acervo pessoal.

No pedal. Foto: acervo pessoal.

Blog: Você é muito admirada pela intensidade com que se dedica aos treinos e à sua entrega nas provas. Como é a sensação de ser fonte de inspiração para tantas pessoas?

Guza: Sou? Kkkkk Meu Instagram era fechado até há pouco tempo, então eu comecei a receber mensagens inbox de pessoas pedindo para me adicionar justamente por causa do esporte e resolvi abri-lo. Nunca quis ser fonte de inspiração – tenho abuso de perfis forçados de lifestyle-coachs e bloguerismos artificiais – por isso evito postar minha rotina (imagine que chatice ser escrava disso?). Se ajudo ou estimulo pessoas que se encontram em situação de obesidade, de sedentarismo, ou que estão começando a praticar esporte já fico contente, pois é uma decisão solitária que só a gente pode tomar. E foi o caminho que escolhi.

Como disse anteriormente, eu sou neurótica quando estou focada em alguma coisa. É da minha personalidade, sou muito rígida e disciplinada, respeitando também aqueles momentos de “migué”. Não treino com dor, não passo por cima do meu limite, o esporte é para me trazer qualidade de vida. Eu faço ciclos de treinos, escolho no máximo 2 a 3 provas-alvo no ano e o restante dos meses entro no “modo migué” messssmo: continuo treinando, mas baixo a intensidade, não faço força e baixo os volumes para me recuperar. Assim, me mantenho ativa e sem engordar, por isso consegui fazer a Maratona de Salvador e o Meio Iron de Fortaleza treinando um mês, sem planilha, sem periodizar e me divertindo como nunca antes em uma prova, pois não me pressionei, não estava lá para “nada”, só estava para “ser feliz”. Essa é a minha entrega nas provas: me divertir e fazer força até onde der.

Guza correndo e sorrindo. Foto: acervo pessoal.

Guza correndo e sorrindo em Fortaleza. Foto: acervo pessoal.

Blog: Que mensagem você deixa para as mulheres que já praticam alguma das modalidades do triathlon e sentem vontade de praticá-lo, mas têm receio do esforço ou mesmo da disponibilidade de tempo para os treinos?

Guza: O triathlon não é um esporte para super-atletas. É uma atividade física como outra qualquer. Estou falando do ESPORTE TRIATHLON e não do IRONMAN. O tri é apaixonante, são três esportes em um só e sempre teremos dificuldade em alguma das três modalidades e a beleza está na busca desse equilíbrio. Eu tinha medo de nadar, entrei, parei, voltei e hoje não largo mais, pois me relaxa.Houve épocas que viciei no pedal, hoje peguei birra total e vou ficar uns meses sem pedalar até passar o “ranso” (risos). A corrida… é a corrida, né? O esporte mais prático de todos e o que realmente emagrece – não depende de lugar, de horário, de nada, de ninguém. O tri fica puxado quando treinamos para provas longas – Meio Iron ou Ironman – mas as provas curtas são tranquilas e não exige tanto tempo e sacrifícios. Temos de ter em mente “o que queremos do esporte?”, as respostas vão mudando a cada dia, lá em 2009 aos 91kg, eu só queria correr 30 minutos sem andar…

*Guza Reze é designer gráfica, freelancer, tem 35 anos, é corredora e triatleta amadora.

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