Vai um bate e volta no Pati?

Esse é o treininho básico de João do Capão…

Por Cinara Marback

Imagine você passar na rua e o cara te chamar para um treino no outro dia…  você até se empolga e pergunta: “Qual o roteiro”? Ele responde: “Vamos sair aqui da Vila do Capão, bater lá na igrejinha no Pati e voltar”. Ahahahah dizer o que?  Será que ele tá de brincadeira com minha cara? Com certeza não, esse é o João do Capão. Nas três provas de corrida que participou na Chapada, garantiu dois primeiros lugares na categoria e um primeiro lugar no geral. Será que ele corre mesmo?

João do Capão se preparando para mais um treino. Foto: acervo pessoal.

João do Capão se preparando para mais um treino e não, ele não é modelo, ainda. Foto: acervo pessoal.

Nascido e criado no Vale do Capão, João Eudes dos Santos Souza, aos 31 anos tomou gosto pelo trailrun e já tem planos e metas bem definidas para a primeira corrida do ano: brigar pelo primeiro lugar na corrida do Capão – 9 de abril e bater o recorde pessoal de tempo nos treinos – fazer 10km abaixo de 51 minutos. Além disso, vai correr a prova de Morro do Chapéu em junho e já começa a se preparar para fazer a ultra de Mucugê em novembro. Com sorriso fácil, conversa leve e aquela pitada especial de nativo do Capão, o corredor e também capoeirista começou a correr há cinco anos quando quebrou o braço e teve que achar algo que não o impedisse de se exercitar. Começou a caminhar e foi tomando gosto pela corrida, a ponto de fazer um bate e volta no Vale do Pati sozinho em dia normal de treino. Apesar de curtir provas curtas, devido à intensidade, ele diz que correr longas distâncias principalmente na Chapada é um presente de Deus: “me sinto um nada diante da imensidão da natureza, viajo mesmo na paisagem!”

Cissa dando uma voltinha de 10km com João do Capão. Foto: acervo pessoal.

Cissa dando uma voltinha de 10km com João do Capão. Foto: acervo pessoal.

Se depender de vontade e entusiasmo, João vai dar trabalho aos concorrentes esse ano. Como todo bom atleta, está focado na alimentação, treinos e disciplina. E ele ainda tem um grande diferencial que o ajuda muito, é filho de Dona Landinha, a criadora da melhor e mais antiga granola do Capão.  Ele afirma que a granola da mãe dele é caprichada na rapadura e côco, o que garante muita energia para aguentar a serra. Uma coisa é certa, a granola de Dona Landinha é a melhor que já comi. Como estou pensando em encarar essa prova do Capão, estou seguindo os passos de João e já abasteci a minha cozinha de granola. Vamos ver se me ajuda nos treinos e no dia da prova.  Além disso, como todo bom nativo, se vira em várias atividades para garantir a grana do mês. Eletricista, brigadista, artesão e cozinheiro, o atleta também está na corrida por uma nova meta, inaugurar a tapiocaria dele. O empreendimento já está quase pronto e a inauguração será em fevereiro.  Posso garantir que ele puxou o dom da mãe – além de correr muito, o cara cozinha bem pra caramba.

Olha o João no lugar mais alto do pódio. Foto: acervo pessoal.

Olha o João no lugar mais alto do pódio. Foto: acervo pessoal.

Enquanto a corrida do Capão não chega, vamos treinando com esses atletas raízes da serra, tentando aprender um pouquinho e levando pra vida frases como a que escutei hoje. Ao perguntar para João se quem nascia no Vale do Capão era caponês, escutei o seguinte: “Não, Cissa. Quem nasce no Vale é sortudo”!

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