Por Thais Souza,

Eu não consigo recordar exatamente quando ouvi falar sobre empoderamento feminino pela primeira vez. Mas, desde muito nova, consegui compreender o significado e foi através da maior inspiração que eu poderia ter: minha mãe. Ela trabalhou durante muitos anos, conseguiu educar duas filhas e é uma parceira incrível do meu pai. Ela, muitas vezes, desempenhou muitos papéis. Também tive como inspiração minhas duas avós, algumas tias, professoras, amigas e assim foi. Acredito que muitas de vocês que irão ler também vão se identificar com esses exemplos muito próximos e eu sou grata por isso!

Em 2011, decidi mudar para São Paulo sem trabalho, sem família, na cara e na coragem e foi lá que eu aprendi a me conhecer melhor e a tornar-me empoderada, já que saí da redoma que meus pais criaram pra mim. Claro que contei com ajuda de mulheres incríveis: Grace Kelly, Aline Toledo, Erika Dorta, Renata Santiago, Ana Amélia e Carolina Pio Pedro. Também conheci um projeto incrível chamado Cia TPM liderado pela Erika Digon uma das que passou por mim. Esse projeto inspirou o que está por vir, aguardem. Tem três anos que minha cachola vem desenvolvendo algo muito lindo que enfim gerou esse blog, meu primeiro passo.

Pois bem, o nome Voto da Minerva foi criado em uma fila, na companhia de Thamires Andrade, uma jornalista, assim como eu, e fotógrafa cheia de sonhos que convidei para fazer parte desse trabalho. E cá entre nós, é muito lindo!

Claro que preciso explicar para vocês mais sobre o nome, apresentar essa Deusa, a Minerva. Mas acompanhar o blog a cada atualização vai fazer com que entendam ainda melhor o nosso objetivo de escrever para vocês.

Meu lado espiritual não era muito trabalhado e desde que conheci Márcia Brandão, psicóloga transpessoal, uma pessoa iluminada, comecei a compreender melhor sobre meus pensamentos, o que eu sinto e que tudo que eu quero pode ser alcançado, inclusive esse blog.

Como pensar sobre o empoderamento feminino sem falar da construção, da formação e do desenvolvimento de futuras mulheres? Pensando nisso, Cindi Emanuele também fará parte dessa equipe. Uma professora empenhada em empoderar seus alunos com a proposta deles serem protagonistas das suas próprias vidas.

Também queremos deixar esse espaço aberto para que os homens falem, se manifestem e nos inspirem. Afinal acreditamos que os homens possuem o seu lado feminino (sim, eles têm esse lado e esse assunto pode ser mais uma pauta para discutirmos aqui) mesmo que adormecido e estaremos aqui para acordá-lo. Vale agradecer ao iBahia, especificamente, Rafael Sena, que acredita na ideia desse blog.

É isso, Minervas. Sejam bem vindas ao nosso espaço. Falaremos por aqui sobre empoderamento feminino, comportamento, estilo de vida e carreira. As nossas mentes estão cheias de ideias, com o coração aberto para ouvir vocês e as histórias que as inspiram.

Até mais!

 

Por Cindi Emanuele,

Titubear diante de novas propostas é uma reação bem comum ao ser humano. Aventurar-se a conhecer o novo, desvendar seus mistérios e desmistificar algumas ideologias são riscos quem nem todos querem correr, afinal carregar consigo “a lança” da sabedoria nem sempre é uma tarefa fácil. Na mitologia grega, a deusa Minerva, empunha a espada não como forma de guerra, mas como estratégia para vencer.

Ser uma Minerva significa se empoderar do seu papel enquanto mulher. É carregar a lança da sabedoria, da reflexão, da justiça e pensar em estratégias que a torne vitoriosa, não apenas para uma sociedade que se acomoda aos estereótipos que são propagados, mas para a própria mulher, que muitas vezes é levada numa enxurrada de míseras afirmações ao seu respeito e que por tantos anos vem lutando para que os discursos e comportamentos mudem.

A atriz hollywoodiana Viola Davis em seu discurso de vitória ao receber um Emmy usou belas palavras ao dizer que: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa, é a oportunidade.” Eu me ouso a parafrasear o discurso da atriz e com toda convicção eu afirmo que o que difere a mulher (no geral) de qualquer outra classe são as tais oportunidades.

Não tememos a luta e por isso buscamos o voto, a presidência, o bom salário, o divórcio, a carteira de motorista, o casamento ou o não casamento, a nossa individualidade… Não nos damos ao luxo de nos abatermos com o que a vida nos oferece. Fomos anunciadas ao mundo por um anjo esbelto, como lindamente refletiu a poetisa Adélia Prado e carregar bandeira é apenas um dos nossos atributos. (Ela aborda o cotidiano de maneira fantástica em seus poemas. A mulher também é tema em diversos dele. “Carregar bandeira” significa tomar posse do seu papel enquanto mulher no mundo; é viver as obrigações femininas sem se eximir de nenhuma delas, e acima de tudo, não enxergar o mundo com pessimismo. O poema “Com licença poética” de Adélia, intertextualiza com o “Poema de Sete de Faces” de Drummond e mostra a perspectiva de cada eu – lírico ao se deparar com o seu nascimento para o mundo.)

O que nós Minervas empunhamos vai além de uma espada que vem acompanhada de vitórias. Empunhamos um Blog que nos ajudará a descobrir como tantas mulheres têm se destacado no cenário do nosso universo. Empunhamos um Blog que nos lembrará diariamente o que Adélia um dia escreveu: “Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável”. Eu sou.

 

Por Thamires Andrade,

É difícil falar sobre um tema tão complexo quando este não é o objeto de estudo diário. Talvez os termos certos não sejam utilizados, talvez existam algumas contradições. Porém, diante de tantas incertezas, posso fazer três afirmações: estou aqui para aprender; estou aqui para discutir; estou aqui para pensar.

Eu sou mulher. E o simples fato de ter nascido com o cromossomo XX (como resume a ciência) já definiu a cor das minhas primeiras roupinhas e dos meus primeiros brinquedos. Definiu a forma como eu deveria me comportar, já que mocinha senta de perna fechada e que é melhor não usar vestido curto para não levar “dedada” na rua.

Nasci em um tempo que nós, mulheres, temos que tomar as devidas precauções para as possíveis agressões do sexo oposto – somos frequentemente culpabilizadas pelas agressões. Em 2016, sabemos que a situação é melhor do que muito antes, mas ainda não é a ideal.

Diante de tantas imposições, me sinto em uma luta. Quando acordo e saio do quarto, me transformo em fortaleza, pois, apesar de ter fraquezas, não admito ser vista como sexo frágil. Frágil? Peço licença para sustentar que quem criou esse mito tinha medo da força da Mulher. Não precisamos acreditar nisso.

Nós temos o poder de procriar e, por isso, sangramos todos os meses. É muito forte. Também podemos optar por não procriar nem sangrar todos os meses (e isso é lindo). Nos conectamos através do feminino e, juntas, temos mais segurança para enfrentar o mundo lá fora. É como “o despertar da força”: realizar o que oprime e discutir sobre isso para promover mudanças e prosseguirmos.

É por isso que aqui escrevo. Resgatando a energia da Minerva para olhar para dentro e para fora e usar de todos os outros sentidos para ir de encontro a esta (podemos chamar de louca?) lógica que não nos favorece nem um pouco – lógica também não favorece outros tantos homens que sofrem por não corresponderem a padrões pré-estabelecidos. Então, já deu, né? Vamos em frente.

 

Por Márcia Brandão,

Quando o convite para ser colaboradora do Blog Voto da Minerva, pela sua idealizadora Thais Souza, chegou para mim, senti-me honrada pela proposta a que se predispõe: partilhar o sentido feminino nos seus mais diversos e possíveis espaços de ações e decisões, consciência de existir e de ser.

Há algum tempo, precisamos nos reinventar, libertando-nos, tornando-nos independentes, livrando-nos da tutela de outrem; tudo isso dentro de um processo histórico denominado emancipação feminina. Seguindo a dinâmica natural de evolução, agora vivenciamos o empoderamento feminino, o qual engendra a realização das conquistas, é o fazer acontecer, é revitalizar sua singularidade.

Na abordagem sobre igualdade de gênero em âmbitos diversos e aspectos que emergem inevitavelmente nesta busca, que sejam mui bem-vindas todas as competências para esta construção contínua de estar e ser divindade feminina. Resgatar e reconhecer o valor intrínseco da essência Mulher em si e do valor desta concepção na forma de atuar no mundo é o que me instiga neste recurso e mecanismo de participar sonhos e realidades.

Thamires Andrade, Márcia Brandão, Thais Souza e Cindi Emanuele

 

 

 

 

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