Cindi Emanuele,

Há três ou quatro dias os sites tem noticiado o estupro coletivo sofrido por uma menina de 16 anos: Beatriz. Mais algumas horas e o noticiário atualizou o número de 30 para 33. Afinal, foram 30 ou 33? Esse número realmente não importa. Lá, estiveram todos os homens que acham que uma roupa curta pode justificar tal atitude. Estiveram todas as famílias que acham que baile funk é uma liberação expressa para que crimes hediondos como esse aconteçam. Estiveram todas as “colegas de gênero” que propagam por aí que ela já sabia o tipo de namorado que tinha. Estiveram lá todas as mentes pensantes e seres racionais que propagaram a humilhação em forma de vídeo, fotografia e comentários pérfidos nas redes sociais.

Eu não desejo só a condenação de 30 homens. Eu desejo a condenação de todos os comentários que excluem a culpa do agressor. Eu desejo a condenação de todos os estereótipos que marcam a mulher no decorrer de sua história. Eu desejo a condenação de todos e todas que acham que horário, tamanho de roupa e baile de favela merecem terminar com o abuso sexual sofrido por uma jovem.

Condenemos nossos medíocres pensamentos antes de falarmos em voz alta e antes que continuemos a propagar as injúrias que discorremos por anos e anos.

Já a Beatriz o meu desejo… É que ela possa vestir seu próprio nome, entender o seu significado e se tornar uma viajante, capaz de levar, mas acima de tudo, encontrar a própria felicidade.

Violência contra a mulher é um problema de todos nós. Denuncie! Ligue para 180.

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zona de conforto
Zona de conforto?

Por Márcia Brandão, Um comichãozinho me pegou... quero comentar sobre "zona de conforto"... Não incomum, ouvimos e falamos esta curta...

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