Por Jana Viscardi,

Minha primeira referência de força feminina é a minha mãe. Eu sei, um clichê. Mas foi somente passados muitos anos de vida, depois de ter saído de casa, da cidade de Votuporanga, no interior de São Paulo, para estudar na UNICAMP, que eu me dei verdadeiramente conta da força dela e do quanto ela transpôs barreiras de sua época para viver muitas das experiências que viveu.

E foi na UNICAMP que eu encontrei mulheres que me apresentaram o feminismo através de suas atitudes e motivações. Foi lá, nos idos de 1999 que eu me vi “atordoada” por um conjunto vasto de ideias, muitas delas centradas na noção de liberdade dos indivíduos – e, em especial, das mulheres. Essa liberdade me parecia tão óbvia – e aquelas falas faziam para mim todo o sentido.

Olhando para trás, eu vejo que, muitas e muitas vezes, liberdade e respeito são apenas palavras ao vento na vida de muitas de nós, mulheres. O cenário de dor e desrespeito nos acompanha – e muito. No país em que homens violentam – das mais variadas formas – e matam mulheres todos os dias, a todo minuto, falar sobre o empoderamento feminino deveria ser algo tão óbvio quanto beber água. Mas não é. E, por isso, eu vejo o empoderamento em tudo o que faço e me pergunto: Como a mulher é interpelada no ambiente de trabalho? Como seu trabalho é avaliado – esteja ela participando de uma Olimpíada ou fazendo relatórios em uma empresa? E mais amplamente: como as pessoas se comunicam com mulheres dentro e fora do ambiente de trabalho e como preconceitos são fortalecidos ou colocados abaixo através da linguagem?

No meu canal no Youtube, estes temas aparecem com frequência e eu espero também contribuir para essa discussão aqui no Voto da Minerva. Venha fazer parte desses diálogos, questionando os modelos e padrões para colocar em prática a igualdade de gênero, em casa e no trabalho. Que tal?

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Jana Viscardi é doutora em Linguística pela UNICAMP e pela UniFreiburg, na Alemanha. Na linguagem, ela vê o caminho para o entendimento e o empoderamento. Em seu canal “Jana Viscardi”, no Youtube, ela discute e analisa essas formas de empoderamento através da linguagem. Seu mote é, e sempre foi, “Como nos comunicamos importa”.