Por Bruna do Carmo,

Na escola aprendemos que o dia da Consciência Negra serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Tenho lembranças dos trabalhos que fazíamos sobre Zumbi e sua luta, sobre o Quilombo dos Palmares. Mas, depois de um tempo, comecei a me perguntar que tipo de sociedade é essa que precisa instituir um dia para lembrar que os negros são importantes?

Com o passar dos anos, fui percebendo que não se tratava só disso. Não era apenas um dia para lembrar da luta contra a escravidão, descobrir influências africanas em nossa língua e culinária ou falar sobre a miscigenação. Era um dia para dizer ao negro que ele também precisaria ser um Zumbi dos Palmares.

Existe um Zumbi em cada negro que reconhece o seu poder e principalmente, que tenta empoderar seu semelhante. Seja com o talento e beleza de Taís Araújo, o trabalho social da Monique Evelle, a elegância da Michelle Obama, o poder de Luislinda Valois ou a irreverência de Tia Má. Seja na vizinha que faz trança, no primo que se formou médico ou mãe que criou os filhos sozinha.

Vendo o vídeo que está logo abaixo, produzido pela TVE, em que a jornalista Tia Má fala sobre empoderamento, – com uma definição que, na minha opinião, é perfeita – consigo ver que a “voz empoderadora” é muito mais forte quando vinda de um igual, um semelhante.

 

Empoderar um negro é mais do que demonstrar seu poder. É mostrar-lhe que será preciso se reafirmar todos os dias, seja com o cabelo crespo, o nariz grande e acima de tudo com a pele preta e que essa luta é para que um dia todos tenham consciência, seja ela de qualquer raça.

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Bruna do Carmo é estudante de Publicidade e Propaganda, redatora por vocação e poetisa por paixão. Acredita que empoderamento feminino é muito mais do que dar poder. Empoderar uma mulher é lapidar a força que ela traz em si. Para ela o diálogo é a melhor maneira para essa lapidação.